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Palantir fatura US$ 2,31 bi e vende mais a empresas dos EUA que ao governo

No 3º trimestre a Palantir quase dobrou a receita, para US$ 2,31 bi e, pela primeira vez, vendeu mais a empresas privadas dos EUA que ao governo.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

A Palantir, empresa americana de software de dados e inteligência artificial, divulgou nesta segunda-feira (2 de novembro) os resultados do terceiro trimestre de 2026 e registrou uma virada simbólica: pela primeira vez, a receita com clientes comerciais nos Estados Unidos superou a receita com o governo americano. É um dado que ajuda a medir quanto a IA já virou gasto corrente das empresas privadas, e não só projeto de governo.

Os números do trimestre

Segundo a reportagem do The Next Web, a receita total da Palantir cresceu 96% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a US$ 2,31 bilhões. Foi o primeiro trimestre da empresa acima de US$ 2 bilhões, e o valor ficou acima dos US$ 2,18 bilhões que analistas consultados pela LSEG esperavam. O lucro ajustado foi de 44 centavos de dólar por ação, contra 41 centavos previstos pelo mercado. O lucro líquido mais que dobrou, para US$ 1,13 bilhão, ante US$ 476 milhões um ano antes.

A divisão que dá o título à notícia é a de clientes comerciais nos EUA: a receita subiu 148% e chegou a US$ 984 milhões. O negócio com o governo americano também cresceu forte, 96%, para US$ 953 milhões, mas ficou atrás pela primeira vez. A empresa ainda informou ter fechado 212 contratos de pelo menos US$ 1 milhão no período, dos quais 64 de pelo menos US$ 10 milhões, e terminou setembro com US$ 10,4 bilhões em caixa e títulos do Tesouro americano.

Em números

Receita de US$ 2,31 bilhões (+96%). Clientes comerciais nos EUA: US$ 984 milhões (+148%). Governo dos EUA: US$ 953 milhões (+96%). Projeção de receita para 2026 elevada para cerca de US$ 8,53 bilhões.

A projeção para o ano e para o próximo trimestre

A Palantir também subiu as metas. Para o ano inteiro de 2026, passou a prever receita entre US$ 8,530 bilhões e US$ 8,534 bilhões, o que representa crescimento de cerca de 91%. Os analistas, segundo a Bloomberg citada na reportagem, esperavam algo perto de US$ 8,2 bilhões. Para o negócio comercial americano, a empresa agora projeta mais de US$ 3,559 bilhões no ano, alta de pelo menos 143%, enquanto três meses antes a previsão era de US$ 3,42 bilhões. Para o quarto trimestre, a expectativa é de receita perto de US$ 2,65 bilhões.

O que o CEO disse

Alex Karp, presidente-executivo da Palantir, afirmou à CNBC que ninguém no software de IA teve resultados tão consistentes e que a empresa cresce sem depender de vendedores. No comunicado de resultados, ele descreveu o movimento de "IA soberana", em que países querem controlar sua própria tecnologia, como uma divisão nítida entre vencedores e perdedores, algo que disse não ter visto em 30 anos de negócios. Karp também repetiu a defesa de nacionalizar os principais laboratórios de IA, que na visão dele seria a única forma realista de lidar com a responsabilidade pelos riscos. Essas são opiniões do executivo, não fatos, e a própria reportagem as apresenta como declarações dele.

A reação do mercado

Apesar dos números fortes, a ação fechou o pregão de segunda-feira em US$ 178,34, queda de 3,1%, e oscilou bastante depois do fechamento. O The Next Web lembra que os investidores têm dúvidas sobre o preço das ações, a concorrência crescente e a dificuldade de repetir comparações com trimestres muito bons. Em agosto, houve receio de que desenvolvedoras de IA como a Anthropic, que vendem o próprio software direto às empresas, tomem espaço de fornecedores como a Palantir. Há ainda a preocupação de que governos de outros países prefiram empresas locais: a reportagem cita que o exército alemão avalia 30 ferramentas de IA, com protótipo previsto para 2027.

Esse ponto é útil para ler o resultado com cuidado. Crescimento alto não garante reação positiva da bolsa quando as expectativas já estão elevadas, e a notícia mostra que o apetite corporativo por IA é real, mas a disputa entre fornecedores continua aberta.

O contexto: IA virando orçamento das empresas

A mudança entre governo e setor privado conversa com outras notícias recentes. A Anthropic, por exemplo, mostrou receita em forte alta e grandes compromissos de compra de capacidade, como contamos em Anthropic abre S-1: ANT na Nasdaq e US$ 16,3 bi de receita no semestre. A Salesforce segue apostando em agentes para o mercado corporativo, como em Salesforce lança sete agentes de IA no Agentforce, e a ServiceNow faz o mesmo em ServiceNow EmployeeWorks e agentes sem código. No campo do trabalho, a pesquisa da Workday aponta que a IA muda as vagas mais do que as elimina. Juntos, os sinais indicam que empresas grandes estão pagando por IA como pagam por qualquer sistema essencial.

Por que isso importa para você

Mesmo que você não seja cliente da Palantir, cujo software é caro e voltado a grandes organizações, o número ajuda a entender o rumo do mercado. Quando o gasto corporativo com IA cresce mais de 140% em um ano em uma empresa desse porte, surgem mais vagas, mais projetos e mais demanda por quem sabe conectar dados, processos e ferramentas de IA ao dia a dia de um negócio. Isso vale também para quem atua como autônomo ou presta serviço para pequenas empresas.

Para quem empreende, a lição prática é olhar onde está o dinheiro: empresas pagam por IA quando ela resolve um problema concreto, como organizar informações espalhadas, prever demanda, reduzir retrabalho ou acelerar atendimento. Quem consegue demonstrar esse resultado, com número e prazo, vende melhor do que quem apenas fala de tecnologia. Se quiser começar, veja como vender consultoria de IA para pequenas empresas, o guia de tarefas que o MEI pode automatizar com IA e o texto sobre como se tornar referência em IA na empresa sem ser do TI.

Para quem investe, vale a cautela de sempre: a queda da ação mesmo com resultado acima do esperado mostra que o preço já embutia muito otimismo. Esta notícia não é recomendação de compra ou venda de nenhum papel.

O que observar daqui para frente

O primeiro ponto é se o crescimento do negócio comercial se sustenta no quarto trimestre, quando a empresa projeta receita perto de US$ 2,65 bilhões. O segundo é a concorrência das próprias desenvolvedoras de modelos, que vendem direto às empresas e podem pressionar preços. O terceiro é o movimento de IA soberana, que pode abrir contratos com governos, mas também favorecer fornecedores locais fora dos Estados Unidos. A reportagem não detalha margens operacionais nem clientes específicos, então esses pontos ficam sem confirmação por enquanto.

Vale lembrar que os números aqui vêm do comunicado de resultados da Palantir conforme relatado pelo The Next Web, com declarações de Karp à CNBC e estimativas da LSEG e da Bloomberg. Projeções de empresa são estimativas e podem mudar nos próximos trimestres.

Fonte original

The Next Web, CNBC, Bloomberg

thenextweb.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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