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OpenAI diz que o ChatGPT já faz 20% do volume de buscas do Google

Segundo Adam Fry, da OpenAI, as buscas na web feitas pelo ChatGPT equivalem a um quinto das do Google. Ele diz ainda que os anúncios não afastaram usuários.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
OpenAI diz que o ChatGPT já faz 20% do volume de buscas do Google
Foto: ChatGPT (Public domain) / Wikimedia Commons

A OpenAI deu um número que ajuda a medir quanto a busca com inteligência artificial já tirou espaço do buscador tradicional. Segundo a empresa, o volume de pesquisas feitas pelo ChatGPT hoje equivale a 20% do volume de pesquisas feitas no Google. Em outras palavras, para cada cinco buscas que passam pelo Google, uma passa pelo assistente da OpenAI.

O dado foi apresentado por Adam Fry, líder de produto de consumo do ChatGPT, em um evento com jornalistas na segunda-feira (2), e foi publicado nesta terça-feira (3) pelo site americano The Verge. Fry também falou sobre a estratégia de anúncios dentro do chatbot e sobre a direção que a OpenAI quer dar à interface do produto, dois temas que interessam diretamente a quem vive de tráfego, de vendas online ou de marketing digital.

O que exatamente a OpenAI está contando como busca

O número precisa ser lido com cuidado, porque depende de uma definição escolhida pela própria OpenAI. Segundo Fry, a empresa conta como busca toda vez que o usuário digita um pedido que faz o ChatGPT consultar a web. Ficam de fora as interações que o modelo responde sozinho, sem pesquisar, como pedir a definição de um termo ou uma explicação simples de como fazer algo. Ou seja, a comparação considera apenas as conversas que de fato substituem uma ida ao buscador.

Há ainda uma lacuna importante: Fry não informou de onde veio o número de buscas do Google usado na conta. O Google não divulga com regularidade quantas pesquisas recebe por dia, e as estimativas de mercado variam bastante conforme o método. Por isso, o percentual deve ser tratado como uma afirmação da OpenAI, não como uma medição independente. Também vale lembrar que a empresa tem interesse direto em mostrar crescimento, já que se aproxima de uma abertura de capital que pode acontecer no começo do ano que vem.

Mesmo com essas ressalvas, a ordem de grandeza chama atenção. O The Verge lembra que, durante o julgamento antitruste do Google nos Estados Unidos, em 2023, o presidente da Microsoft, Satya Nadella, disse que o Bing tinha cerca de 3% do mercado de buscas depois de mais de uma década tentando crescer. Naquele mesmo processo, o Google apontou a IA como possível ameaça ao seu negócio e citou o ChatGPT como um concorrente sério. Agora, a OpenAI parece concordar com essa leitura.

De onde vêm os resultados do ChatGPT

Um detalhe curioso é que a OpenAI não depende só de tecnologia própria para pesquisar. Segundo o The Verge, a empresa provavelmente usa o Bing, da Microsoft, para boa parte das buscas, ao lado de um índice próprio que vem construindo. Ainda há especulação de que parte das consultas passe pelo próprio Google. Isso significa que, mesmo quando o usuário troca o buscador pelo chatbot, os resultados podem continuar vindo dos mesmos grandes índices da web, só que entregues já resumidos.

Esse modelo de resposta pronta é justamente o que preocupa sites e veículos. Quando o assistente entrega o resumo, o leitor tem menos motivo para clicar no link original. O Google vive a mesma tensão: tem reduzido os cliques tradicionais para sites de terceiros enquanto investe em respostas geradas por IA, com o AI Overview e o Modo IA. Recentemente, o Reddit disse perder 1 milhão de visitas do Google por semana e culpou o Modo IA, e a OpenAI passou a dar resumos prontos a sites parceiros e trechos brutos ao resto da web.

Anúncios: a OpenAI diz que não houve rejeição

Fry também falou de dinheiro. Assim como o Google, a OpenAI vê nos anúncios um caminho para dar lucro, e o executivo afirmou que a publicidade não provocou uma reação duradoura dos usuários. Segundo ele, os anúncios não prejudicaram o produto nem o uso do produto, e a maioria das pessoas não parece se importar com eles. Fry chegou a dizer que a experiência com os anúncios mostrou à empresa que ela talvez devesse estar fazendo ainda mais nessa frente.

No mês passado, a OpenAI anunciou que passaria a mostrar imagens de produtos e serviços patrocinados no ChatGPT, e não apenas o nome, o logotipo e o link da empresa anunciante, como era antes. A empresa também já tinha falado em testar anúncios visuais durante a geração de imagens. Do outro lado, o Google levou os anúncios do Modo IA da Busca para o mundo todo, o que mostra que as duas empresas disputam o mesmo espaço: a resposta que a IA dá antes de qualquer clique.

A tela de conversa vira vitrine

O terceiro ponto da fala de Fry é sobre o formato. A OpenAI chama de "Intelligent UI" a ideia de montar, dentro da própria resposta do chatbot, uma interface visual e interativa, com elementos que vão além do texto corrido. Para o executivo, é para lá que essa tecnologia caminha: em vez de ler um parágrafo, o usuário passa a conversar com uma espécie de tela. O Google vai na mesma direção com resultados personalizados que trazem gráficos e visualizações. Quem quiser entender melhor o conceito pode ler o nosso guia sobre o que muda com o GPT-6 Luna e a Intelligent UI no ChatGPT gratuito.

Por que isso importa para você

Se você tem um negócio que depende de ser encontrado na internet, o recado é claro: a busca está se dividindo. O Google segue muito maior, mas uma fatia relevante das pesquisas já acontece dentro de assistentes de IA, onde o usuário recebe a resposta pronta e muitas vezes nem vê a lista de links. Algumas consequências práticas:

  • Menos clique, mais citação: aparecer como fonte citada pelo ChatGPT passa a valer tanto quanto aparecer na primeira página do Google. Conteúdo claro, atualizado e com dados verificáveis tem mais chance de ser usado pelos assistentes;
  • Anúncio dentro da conversa: com a OpenAI animada com a receita de publicidade e ampliando os formatos com imagem, quem vende online deve acompanhar quando esses anúncios ganharem força no Brasil, porque será um novo canal de mídia paga;
  • Não abandone o Google: 20% do volume é muito, mas também significa que quatro de cada cinco buscas ainda passam pelo buscador tradicional. O mais sensato é cuidar dos dois canais ao mesmo tempo;
  • Desconfie do número: o percentual vem da própria OpenAI, com critério próprio e sem dizer qual base usou para o Google. Use como sinal de tendência, não como dado fechado para planejar investimento.

Para entender como esses assistentes escolhem o que mostrar e quando vale desconfiar das respostas, veja o nosso guia sobre IA com busca na web, citações e limites. E, para quem vive de tráfego, o artigo busca com IA e menos cliques reúne o que já se sabe sobre o impacto dessa mudança nos sites.

Fonte original

The Verge

theverge.com

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Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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