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OpenAI diz que a IA será o tema de 2028 e prepara lobby pós-eleição

Memorando de Chris Lehane compara o apoio a um veto a data centers ao voto pela guerra do Iraque em 2002, e a OpenAI prepara regras de segurança no Congresso.

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OpenAI diz que a IA será o tema de 2028 e prepara lobby pós-eleição
Foto: openAI (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

A OpenAI quer que a inteligência artificial seja o assunto número um da corrida presidencial americana de 2028, e já tem um roteiro para isso. Chris Lehane, diretor global de assuntos públicos da empresa, escreveu um memorando chamado "2028: The AI Election", publicado na íntegra pelo Politico nesta segunda-feira (2 de novembro), um dia antes das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA. Segundo a cobertura do The Next Web, o texto compara a possível defesa de uma moratória de data centers por candidatos democratas ao voto de 2002 a favor da guerra do Iraque. Ao mesmo tempo, o The Decoder, citando uma reportagem do Axios, conta que a empresa prepara uma ofensiva de lobby em Washington para depois da votação.

O que diz o memorando de Lehane

O argumento central é que 2028 pode se parecer com 1932, ano em que Franklin Roosevelt venceu em meio a uma mudança de escala parecida e criou o New Deal. Para Lehane, um candidato que apresente uma "terceira via convincente" pode definir um novo contrato social. Essa via ficaria entre deixar a IA avançar "sem limites de velocidade" e mantê-la "nas mãos de uma elite autoproclamada".

O trecho que mais chama atenção trata de infraestrutura. Lehane imagina um evento democrata no início de 2028 em que os pré-candidatos precisem levantar a mão para dizer se apoiam uma moratória de data centers. Nesse cenário, escreve ele, os Estados Unidos poderiam perder a liderança em IA para a China por falta de capacidade de processamento. A frase que resume o alerta é que isso "poderia muito bem ser a versão de 2028 do voto de 2002 pela guerra do Iraque".

O memorando traz alguns números. Segundo a reportagem, no início de outubro um em cada cinco anúncios de candidatos ou grupos democratas mencionava data centers, a maioria em Michigan, Ohio, Pensilvânia e Texas, estados onde essas obras estão sendo planejadas ou construídas. Pesquisa feita pela própria equipe de Lehane indicaria que os eleitores preferem, por 25 pontos, um candidato que lidere o partido em política de IA a um que apenas siga. Ainda de acordo com o texto, 66% apoiam a continuidade do desenvolvimento de IA, sendo que 53% querem salvaguardas mais fortes, e 24% defendem uma pausa. São dados de pesquisa encomendada pela empresa, e não de um instituto independente.

As cinco perguntas

O memorando propõe cinco perguntas que os candidatos deveriam responder: segurança e controle humano, impostos, crianças e empregos, custo de vida e a corrida com a China. Na primeira, Lehane afirma que a IA é uma máquina, não uma pessoa, e pede padrões de segurança obrigatórios, avaliações independentes e poder para restringir ou desligar sistemas quando necessário.

O lobby que vem depois da votação

De acordo com o The Decoder, que cita o Axios, a OpenAI se prepara para uma disputa mais dura em Washington depois das eleições, principalmente se os democratas conquistarem a Câmara. Nos últimos dois anos, a empresa operou sob um governo amistoso, enquanto rivais como a Meta já cortejam o Partido Democrata. A mensagem central da campanha, segundo a reportagem, é que a IA não substitui as pessoas.

A prioridade número um no novo Congresso seria acelerar regras de segurança para os modelos de fronteira, os mais poderosos. A empresa chama essas regras vinculantes de "limites de velocidade". Elas se apoiam em ideias anteriores da OpenAI, incluindo a defesa de padrões internacionais. O TNW acrescenta, a partir do Axios, que a ofensiva começaria na sessão de fim de mandato do Congresso, que abre em 9 de novembro, e que também incluiria acordos com as comunidades que recebem novos data centers e propostas de leis estaduais para que os moradores opinem sobre a construção. Esses detalhes aparecem só no TNW e não foram confirmados em outra fonte.

"Campus de computação" no lugar de data center

Outro ponto é o vocabulário. A OpenAI quer que seus data centers passem a ser chamados de "AI compute campuses", ou campi de computação de IA. Um porta-voz confirmou a mudança à Business Insider, dizendo que o nome descreve melhor a escala e o papel dessas instalações. A estratégia é clara: a resistência local a esses empreendimentos, que consomem muita energia e água, cresceu nas eleições deste ano, e a empresa tenta trocar uma palavra que ficou associada a conta de luz mais cara por outra de tom mais industrial e positivo. A própria Lehane admite no memorando que havia "pouco espaço para ser a favor de infraestrutura de IA" nas campanhas de 2026.

A OpenAI afirma ainda, segundo o TNW, que analistas seus encontraram indícios de operações de influência ligadas ao Partido Comunista Chinês nos EUA, que teriam espalhado a ideia de que a expansão da IA eleva a conta de energia das famílias. Trata-se de uma alegação da empresa, sem prova pública apresentada na reportagem. O memorando também cita que o campus de computação da OpenAI em Piketon, Ohio, vai precisar de 25 mil trabalhadores qualificados de obras e instalações, um argumento de emprego para as comunidades locais.

O que já vimos sobre o tema

O embate entre as big techs e quem quer frear a infraestrutura de IA vem crescendo. Mostramos que a empresa já havia perguntado ao Congresso se poderia coordenar uma desaceleração com os rivais, em OpenAI pergunta ao Congresso dos EUA se pode coordenar desaceleração com rivais, e a reação dura do presidente Donald Trump a pedidos de freio, em Trump chama pedido de desaceleração da IA de conspiração doentia. A pressão local também chegou à Justiça, como no caso do data center da xAI em Memphis, que cobrimos em Juíza mantém processo da NAACP contra turbinas a gás do data center da xAI. E o uso de chatbots na política já é realidade, tema de Eleitores dos EUA usam ChatGPT e Gemini para decidir o voto.

Por que isso importa para você

Pode parecer uma briga distante, mas as regras que saírem dos EUA costumam virar referência para o resto do mundo, inclusive para o Brasil. Se o Congresso americano aprovar padrões de segurança obrigatórios para modelos de fronteira, as empresas que oferecem ChatGPT, Claude e Gemini tendem a aplicar mudanças parecidas globalmente, o que pode alterar recursos, limites de uso e até preços dos serviços que você usa para trabalhar. Quem depende dessas ferramentas para atender clientes ou tocar um negócio deveria acompanhar o assunto, ainda que de longe.

Há também o efeito sobre o custo. Os data centers são a base de toda a IA que chega ao seu celular, e a disputa política sobre eles mexe com energia, impostos e prazos de expansão. O Brasil entrou nesse jogo ao dar incentivos fiscais ao setor, como contamos em Lula sanciona o Redata, regime fiscal que isenta impostos por 5 anos para data centers de IA no Brasil. Se a resistência a essas obras crescer lá fora, parte do investimento pode procurar outros países, e a discussão por aqui sobre água, energia e benefício local deve ganhar força.

Na prática, o conselho é duplo. Primeiro, não monte um negócio inteiro em cima de uma única ferramenta, porque regulação e custo de computação podem mudar as condições de uso de uma hora para outra. Segundo, leia com atenção quem fala: o memorando é um documento de posicionamento político de uma empresa com interesse direto, e as pesquisas citadas foram feitas por ela. Para avaliar o que realmente vale a pena contratar, vale rever o checklist para escolher ferramenta de IA com segurança.

O que observar daqui para frente

Os próximos dias dirão se a ofensiva anunciada vira projeto de lei de verdade. A sessão de fim de mandato do Congresso começa em 9 de novembro, e é ali que a OpenAI quer avançar com os "limites de velocidade". Vale acompanhar também como candidatos de ambos os partidos vão responder às cinco perguntas do memorando, e se a expressão "campus de computação" vai pegar ou será vista como maquiagem de marketing. Outro ponto é a reação de quem critica a indústria, que já usa o consumo de energia dos data centers como bandeira eleitoral.

Por ora, as informações vêm de reportagens que resumem o memorando e as falas de bastidor, e parte dos detalhes, como as propostas de leis estaduais, aparece em um único veículo. Tratamos tudo como o plano declarado de uma empresa, não como política já aprovada.

Fonte original

Reportagem do The Next Web sobre o memorando publicado pelo Politico, com informações do Axios e da Business Insider: OpenAI's Lehane likens backing a data centre ban to the 2002 Iraq vote. Complemento no The Decoder: OpenAI prepares lobbying blitz for a post-midterm Washington.

Fonte original

The Next Web, The Decoder, Politico, Axios

thenextweb.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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