Google leva anúncios do Modo IA da Busca para o mundo todo
No balanço do 3º tri, o Google disse que vai expandir globalmente os anúncios no Modo IA da Busca, enquanto a receita de Search cresceu 12% e a Cloud, 103%.

O Google vai levar para o resto do mundo os anúncios que aparecem dentro das experiências de busca com inteligência artificial. O anúncio saiu na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre da Alphabet, controladora do Google. Segundo o TechCrunch, Philipp Schindler, diretor de negócios da empresa, afirmou que a iniciativa inclui "levar nossa pegada de monetização para o mundo todo pela primeira vez". Ele também citou a expansão dos anúncios no Modo IA para mercados internacionais, junto com anúncios de múltiplas interações e o Modo IA nos Estados Unidos.
Este texto é análise nossa a partir da reportagem do TechCrunch e dos números do comunicado de resultados da Alphabet. A reportagem não cita países, idiomas nem datas de chegada, e não menciona o Brasil. Por isso, tudo o que dizemos sobre o impacto aqui é leitura do cenário, não promessa da empresa.
O que o Google anunciou
O Modo IA é a aba de busca conversacional do Google, em que a pessoa faz perguntas longas e recebe uma resposta montada por IA, em vez da lista tradicional de links. Até agora, os anúncios nesse formato estavam concentrados nos Estados Unidos. A novidade é que a empresa pretende monetizar esse espaço fora de lá, algo que Schindler descreveu como uma primeira vez.
Ele afirmou ainda que a taxa de cliques em anúncios de produtos patrocinados no Modo IA já é comparável à dos resultados orgânicos, e que as pesquisas internas do Google indicam que as pessoas consideram esses anúncios relevantes. São afirmações da própria empresa, sem dados independentes por trás, e vale lê-las com essa ressalva.
Em maio, o Google já havia apresentado formatos de anúncio com o Gemini, como anúncios de descoberta conversacional, que respondem às perguntas do usuário, e recomendações patrocinadas integradas às respostas geradas por IA. O que mudou agora foi o alcance geográfico prometido.
Os números do trimestre
O contexto do anúncio é um balanço forte no geral e mais morno no negócio que sempre sustentou a empresa. De acordo com o comunicado da Alphabet, a receita consolidada subiu 25%, para US$ 127,6 bilhões. A receita de Google Services, que inclui a Busca, cresceu 11%, para US$ 96,3 bilhões, e a parte de Search e outros avançou 12%.
O TechCrunch observa que esse crescimento da Busca desacelerou: foi de 19% no primeiro trimestre e de 17% no segundo. As ações da Alphabet caíram cerca de 8% depois da divulgação, segundo a reportagem. Já a Google Cloud foi a estrela do período, com receita de US$ 30,7 bilhões, alta de 103% sobre um ano antes, impulsionada por infraestrutura e soluções de IA para empresas, incluindo vendas de sistemas com os chips TPU, conforme o comunicado. Tratamos o assunto dos TPUs em OpenAI planeja comprar os chips TPU do Google.
Sobre o uso, Sundar Pichai, CEO do Google, disse que o volume de consultas cresceu no ritmo anual mais rápido em cinco anos, sem informar o número exato. Segundo ele, as consultas no Modo IA têm em média cerca de três vezes o tamanho das buscas tradicionais, uma em cada cinco buscas no Modo IA no mundo envolve voz, imagens ou documentos, e o Google ultrapassou 50 bilhões de buscas visuais por mês. O comunicado da Alphabet também informa que as APIs dos modelos do Google processam quase 32 bilhões de tokens por minuto, mais de quatro vezes o volume de um ano atrás.
Por que a Busca com IA precisa de anúncios
A lógica por trás do movimento é simples. A Busca tradicional ganha dinheiro porque cada resultado é uma oportunidade de clique pago. Quando a resposta vem pronta, em texto, o usuário clica menos nos links, e o Google precisa encontrar outro lugar para colocar publicidade sem estragar a experiência. Os anúncios dentro da resposta, e não ao lado dela, são a aposta para manter a receita enquanto o hábito de buscar muda.
A concorrência segue o mesmo caminho. A OpenAI começou a vender anúncios no ChatGPT e vem ampliando mercados, como mostramos em ChatGPT expande anúncios para sete mercados asiáticos. Do outro lado, a Anthropic reafirmou que o Claude nunca terá publicidade, tema da nossa notícia Anthropic diz que o Claude nunca terá anúncios. Ou seja, o mercado está se dividindo entre assistentes financiados por anúncios e assistentes financiados por assinatura.
Há ainda a ligação com os dados pessoais. Em outra notícia desta semana, explicamos que o Google mudou sua política para que conteúdo de Gmail e Fotos possa influenciar anúncios, detalhada em Gmail e Fotos podem influenciar anúncios no Google. Anúncios mais personalizados dentro de respostas de IA e uso de dados pessoais formam um conjunto que merece atenção de quem se preocupa com privacidade.
Quando o Google fala em "levar a monetização para o mundo", leia: o espaço pago dentro das respostas de IA deve aparecer em mais países. O anúncio não diz quando nem onde, então o Brasil só entra na conta como possibilidade, não como data marcada.
Por que isso importa para você
Se você vende produtos ou serviços pela internet, a Busca com IA é um canal em formação, e as regras de quem aparece dentro da resposta estão sendo escritas agora. Se você usa a Busca para trabalhar e pesquisar, a resposta que lê pode vir acompanhada de recomendações pagas. Alguns pontos práticos:
- Quem anuncia no Google Ads deve acompanhar o painel nas próximas semanas. Os formatos do Modo IA tendem a chegar por meio das campanhas existentes, mas a reportagem não detalha preços, requisitos ou prazos, então só confie em comunicados oficiais do Google Ads.
- Quem depende de tráfego orgânico no Google precisa lembrar que respostas prontas e anúncios dentro delas disputam a atenção que antes ia para os links. Vale testar como seu conteúdo aparece no Modo IA e reforçar o que só você oferece: dados próprios, experiência real e marca reconhecida.
- Quem usa a Busca para pesquisar deve checar a rotulagem. Recomendações patrocinadas precisam ser identificáveis, e a confiança na resposta depende disso. Compare sempre com uma segunda fonte antes de decidir uma compra.
- Quem trabalha com marketing e afiliados deve acompanhar também as novas integrações do Google com aplicativos de terceiros, assunto de Google abre o Gemini e a Busca a apps de terceiros, que muda por onde o cliente chega até você.
Por fim, uma observação de método: a notícia vem de uma única reportagem, a do TechCrunch, complementada pelos números do comunicado de resultados da Alphabet. As afirmações sobre taxa de cliques e relevância dos anúncios são da própria empresa. Atualizaremos o texto quando o Google detalhar quais países e idiomas entram primeiro e como os anunciantes poderão comprar esses formatos.
Fonte original
TechCrunch, Alphabet
techcrunch.com

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.