Baseten negocia rodada de US$ 2 bi e pode valer US$ 30 bi, diz Bloomberg
Segundo a Bloomberg, a Baseten, que roda modelos de IA para empresas, capta cerca de US$ 2 bilhões em duas faixas, com avaliação de até US$ 30 bilhões.

A Baseten, startup americana que vende software para empresas rodarem modelos de inteligência artificial em produção, estaria levantando cerca de US$ 2 bilhões a uma avaliação de até US$ 30 bilhões. A informação é da Bloomberg e foi repercutida neste domingo, 1º de novembro de 2026, pelo The Next Web. Se confirmada, a avaliação seria mais que o dobro da registrada em junho, quando a empresa fechou uma rodada Série F de US$ 1,5 bilhão. O próprio The Next Web avisa que não verificou o relatório de forma independente, e nem a Baseten nem os investidores comentaram o caso até a publicação.
Vale separar o que é fato registrado do que é relato. A Série F de junho foi anunciada pela própria empresa, que na ocasião disse que a receita tinha crescido 20 vezes em um ano. Já os números da nova rodada vêm de pessoas ouvidas pela Bloomberg e, por isso, devem ser lidos como plano em negociação, sujeito a mudanças, e não como acordo fechado.
O que a Bloomberg relatou
Segundo a reportagem, assinada por Rebecca Torrence e Bailey Lipschultz e publicada na sexta-feira, a rodada teria duas faixas. Numa delas, a Baseten seria avaliada em US$ 26 bilhões. Na outra, em US$ 30 bilhões. A Sands Capital, que já é investidora da empresa e coliderou a Série F de junho, deve liderar a nova captação, de acordo com as fontes.
Em junho, a rodada de US$ 1,5 bilhão foi liderada pela Altimeter Capital, pela Conviction Partners e pela Spark Capital, com a Sands Capital como colíder. A Bloomberg estimou na época que a empresa valia US$ 13 bilhões. Ou seja, em cerca de quatro meses a avaliação estaria saltando de US$ 13 bilhões para um valor entre US$ 26 bilhões e US$ 30 bilhões, se o plano se concretizar.
Por que as rodadas vêm em duas faixas
O detalhe das duas avaliações chama atenção. Em 22 de outubro, a própria Bloomberg havia relatado que firmas de capital de risco estão usando rodadas em duas etapas para empurrar para cima o valor de startups de IA. No modelo, investidores compram participação na mesma empresa a dois preços diferentes, o que permite exibir uma avaliação de manchete mais alta sem que todo o dinheiro entre ao mesmo preço.
Para quem acompanha o mercado de longe, isso ajuda a ler as manchetes com mais cuidado. Uma avaliação de US$ 30 bilhões não significa que todo o capital entrou nesse patamar. A faixa de US$ 26 bilhões, mais baixa, já seria um aumento de 100% sobre junho. O número final, portanto, depende de como o dinheiro for dividido entre as faixas, e isso a reportagem não detalha.
O que a Baseten faz e por que inferência virou o negócio da vez
A Baseten foi fundada em 2019 e atua numa etapa que o mercado chama de inferência: o momento em que um modelo de IA, já treinado, responde a pedidos reais de clientes e usuários. Treinar um modelo é caro e acontece de vez em quando. Rodá-lo para milhões de pedidos por dia é um custo contínuo, que cresce junto com o uso. A empresa vende a infraestrutura e o software para que companhias façam isso com velocidade, estabilidade e controle de custo, sem montar tudo por conta própria.
Esse segmento ficou no centro do investimento em IA porque a demanda por agentes e assistentes só aumenta a quantidade de tokens processados. Cada tarefa de um agente de IA costuma envolver muitas chamadas ao modelo, e isso multiplica a conta de inferência. Já mostramos movimentos parecidos em outras frentes, como o FuriosaAI, que captou US$ 620 milhões com um chip de inferência rival da Nvidia, e a Tenstorrent, com US$ 1,5 bilhão para chips voltados a modelos abertos. A diferença é que a Baseten atua na camada de software e serviço, acima do chip.
Segundo o The Next Web, a empresa lançou nesta semana o joey-1, um modelo aberto de decisão cobrado a um centavo de dólar por milhão de tokens. O lançamento é um sinal de que a Baseten quer ir além de hospedar modelos de terceiros e oferecer também modelos próprios, a preços muito baixos. Antes disso, a empresa já havia criado a Base Labs, braço de pesquisa de segurança, assunto que cobrimos em Base Labs, da Baseten, lança parceria de segurança para modelos de pesos abertos.
A concorrência também está levantando valores altos
A reportagem cita a Fireworks AI, descrita pela Bloomberg como a concorrente mais próxima da Baseten. Em julho, a Fireworks levantou US$ 1,5 bilhão a uma avaliação de US$ 17,5 bilhões. Com isso, o mercado de inferência tem pelo menos duas empresas disputando o mesmo cliente corporativo e captando bilhões em poucos meses.
O contexto maior é o de investidores despejando dinheiro em tudo o que roda IA depois do treinamento. Foi o que vimos também em captações de outros nichos, como a Serval, avaliada em US$ 3 bilhões por agentes de IA que substituem ferramentas de TI, e na Cohere, que captou até C$ 7 bilhões. O padrão é o mesmo: avaliações que dobram em meses e rodadas cada vez maiores.
O que ainda não se sabe
Não há confirmação oficial. Não se sabe se a rodada de fato será de US$ 2 bilhões, como será dividida entre as duas faixas, quais outros investidores entrariam além da Sands Capital nem quando o anúncio sairia. Também não há detalhes de receita atual além do crescimento de 20 vezes citado em junho, o que impede avaliar se a nova avaliação se sustenta em números. Por isso, esta notícia deve ser tratada como relato de bastidor de mercado, com o grau de incerteza que isso carrega.
Por que isso importa para você
Você provavelmente não vai usar a Baseten diretamente, mas vai sentir o efeito do mercado que ela representa. O custo de inferência é o que define quanto custam as assinaturas de IA, os limites de uso e os preços de API. Quando empresas como essa levantam bilhões para baratear e acelerar a execução de modelos, a tendência de longo prazo é de mais opções e de preços por token menores, como o centavo por milhão de tokens do joey-1. Para quem constrói produtos, automações ou serviços com IA, isso abre espaço para usar modelos abertos hospedados por terceiros em vez de depender de um único fornecedor.
Se você presta serviços com IA ou quer montar um negócio em cima dela, vale acompanhar três coisas: o preço por milhão de tokens dos modelos que você usa, a diferença entre modelos fechados e abertos para o seu caso e o risco de depender de uma plataforma só. Nosso guia ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher ajuda a comparar as opções de assistente, e o texto Agentes de IA e o futuro do trabalho autônomo mostra por que o consumo de tokens tende a crescer com a adoção de agentes.
Também vale um alerta de bom senso sobre avaliações. Números como US$ 30 bilhões dizem mais sobre o apetite dos investidores do que sobre a qualidade do produto que você contrata. Para decidir ferramenta, olhe preço real, estabilidade e suporte, e não o tamanho da última rodada. Quando a notícia for confirmada pela empresa, atualizaremos o assunto aqui no Portal da AI.
Fonte original
The Next Web, Bloomberg
thenextweb.com

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.