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DoorDash diz que agentes de IA de terceiros fizeram só centenas de pedidos

No balanço do terceiro trimestre, a DoorDash disse ter recebido apenas "centenas" de pedidos de agentes de IA como o Muse, num universo de 3 milhões de entregas por dia.

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DoorDash diz que agentes de IA de terceiros fizeram só centenas de pedidos
Foto: The White House (Public domain) / Wikimedia Commons

Enquanto boa parte do setor de tecnologia aposta que assistentes de IA vão fazer compras por nós, a DoorDash trouxe um dado que esfria o entusiasmo. Na teleconferência do balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgada nesta sexta-feira, 30 de outubro, a empresa de entregas dos Estados Unidos afirmou ter recebido apenas "algumas centenas" de pedidos vindos de agentes de IA de terceiros, como o Muse, o Instinct e o Fo. A informação foi publicada pelo TechCrunch, em texto de Ivan Mehta.

O que a DoorDash disse no balanço

A pergunta veio de um analista, e quem respondeu foi o presidente-executivo Tony Xu. Ele descreveu o pedido por agentes como uma área ainda muito dinâmica e resumiu a postura da empresa com uma frase em que disse não querer "lutar contra a gravidade", mas também não querer ser "delirante". Em outras palavras: a DoorDash reconhece que o movimento existe e pode crescer, sem fingir que ele já tem peso no negócio. Segundo Xu, o que aparece hoje são talvez algumas centenas de pedidos no total, somando alguns agentes de terceiros.

Para dar escala, o número fica minúsculo diante da operação. Em seu relatório de 2025, a própria DoorDash informou que concluía em média 3 milhões de entregas por dia. Ou seja, mesmo que as centenas de pedidos de agentes tenham sido contadas ao longo de um período maior, elas representam uma fração mínima do volume diário da plataforma. A grande maioria dos clientes continua pedindo pelo aplicativo da própria DoorDash.

O que a empresa pretende fazer com os agentes

Apesar do número modesto, a DoorDash não está fechando a porta. De acordo com a reportagem, a empresa diz querer aprender sobre os usos de agentes e construir uma relação saudável com quem desenvolve esses assistentes. Há também uma possibilidade comercial no horizonte: no futuro, a DoorDash poderia ter a oportunidade de anunciar dentro dos agentes de terceiros, ou seja, comprar espaço para aparecer quando o assistente do usuário procura onde pedir comida.

Ao mesmo tempo, a empresa tem criado os próprios produtos de IA ao longo do ano:

  • Ask DoorDash, lançado em junho de 2026, um chatbot que permite pedir por texto e por fotos.
  • Um agente de linha de comando, apresentado em julho, para pedir pelo terminal.
  • Um agente que recebe o pedido por mensagem de texto, lançado em setembro.
  • Um conector MCP, que permite pedir a partir de outros chatbots, com foco em pedidos corporativos.

A estratégia é clara: oferecer o atendimento por agente dentro de casa, onde a empresa controla a experiência, os dados do cliente e a publicidade, e ao mesmo tempo deixar uma entrada aberta para os agentes de fora. A baixa adesão externa sugere que, por enquanto, o hábito de abrir o aplicativo ainda vence a conveniência de pedir por um assistente de terceiros.

Cada varejista reage de um jeito

O dado da DoorDash chega num momento em que as empresas ainda decidem se deixam agentes de IA acessarem seus serviços. A reportagem lembra que a Amazon vem bloqueando agentes pessoais, enquanto o Walmart os recebeu de braços abertos, na tentativa de ganhar negócio dos concorrentes. O Portal da AI acompanhou os dois lados: a Amazon barrando o agente Muse, da Meta, em compras e o Walmart abrindo o Agent Gateway para agentes de compra. No setor financeiro, o movimento também é de cautela, como mostram os casos do Schwab e do JPMorgan, que bloquearam agentes externos em contas de clientes, e do Bank of America, que pediu aos clientes que não entreguem a senha a agentes.

Vale lembrar que o Muse, citado entre os agentes que enviaram pedidos, é o assistente da Meta, que a própria empresa disse ter ultrapassado 10 milhões de usuários, como contamos na notícia sobre o balanço da Meta e as compras pelo Muse. Mesmo com uma base de usuários grande, o volume que chega a uma plataforma de entregas ainda é pequeno, o que indica que ter muitos usuários não significa ter muita gente comprando por agente.

Como ler esse número com cuidado

Alguns cuidados ajudam a interpretar a informação. Primeiro, "algumas centenas" é uma estimativa dita pelo executivo numa teleconferência, não um número auditado, e o período a que ela se refere não foi detalhado na reportagem. Segundo, o dado cobre apenas agentes de terceiros: pedidos feitos pelas ferramentas da própria DoorDash, como o Ask DoorDash, não entram nessa conta. Terceiro, é um retrato de outubro de 2026. Num mercado que muda em meses, um número baixo hoje não prova que agentes não vão pesar no futuro, apenas que a virada ainda não aconteceu.

Também é razoável supor que a baixa adesão tenha a ver com atrito. Pedir comida é uma tarefa em que o usuário quer ver cardápio, fotos, preço e taxa de entrega antes de confirmar, e a interface de um aplicativo especializado costuma resolver isso melhor do que uma conversa. Essa leitura é uma hipótese nossa, não uma afirmação da DoorDash.

Por que isso importa para você

Se você empreende, vende online ou trabalha com marketing, a notícia traz sinais práticos:

  • O hype dos agentes de compra ainda está bem à frente do uso real. Antes de reestruturar sua loja para agentes, meça quanto do seu tráfego e das suas vendas realmente vem deles.
  • Ter um canal próprio, como aplicativo, site rápido e atendimento por mensagem, continua sendo a base. Os agentes de terceiros são um canal extra, não um substituto.
  • Preparar seu negócio para agentes, com dados organizados e, quando fizer sentido, um conector MCP ou API, é um investimento de baixo risco para o futuro, desde que não custe caro hoje. Foi o caminho que mostramos na notícia da Whop, que liberou um CLI para agentes operarem negócios.
  • A publicidade dentro de agentes pode virar um mercado novo. Se isso acontecer, quem vende produtos e serviços locais precisará entender como aparecer nas recomendações.
  • Se você usa um assistente para pedir comida ou fazer compras, confira sempre o resumo do pedido, o preço e os dados de pagamento antes de confirmar. Delegar a compra a um agente ainda exige atenção.

A mensagem central é de equilíbrio: agentes de IA vão ganhar espaço no comércio, mas o caminho do hábito é mais lento do que o das demonstrações. Quem acompanha os números reais, como esta fala da DoorDash, decide melhor onde colocar tempo e dinheiro do que quem segue só os anúncios.

O TechCrunch é a fonte da informação e das declarações aqui resumidas; o texto acima é análise própria do Portal da AI.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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