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Meta diz que o agente Muse já tem mais de 10 milhões de usuários

No balanço do terceiro trimestre, a Meta afirmou que o Muse passa de 10 milhões de usuários, com compras entre as tarefas mais usadas e 25% de uso diário.

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Meta diz que o agente Muse já tem mais de 10 milhões de usuários
Foto: Wikimedia Commons (Public domain) / Wikimedia Commons

A Meta informou que o Muse, seu aplicativo de agente de IA, já é usado por mais de 10 milhões de pessoas. O número foi dado na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da empresa e publicado pelo TechCrunch em 21 de outubro de 2026. Segundo a reportagem, a cifra confirma estimativas da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, divulgadas ainda na mesma semana.

Quantos usam e com que frequência

Além do total de usuários, a Meta revelou um dado de retenção: cerca de 25% das pessoas que configuram o Muse o utilizam todos os dias. Para o CEO Mark Zuckerberg, esse hábito diário ajuda a manter as pessoas no produto. Vale lembrar que a empresa não detalhou, pelo menos na parte citada pelo TechCrunch, como define "configurar" o aplicativo nem qual é a base exata sobre a qual os 25% foram calculados. Por isso, o número serve como indicação de engajamento, não como medida auditada.

O Muse não chegou a esse patamar do nada. O Portal da AI já acompanhou a trajetória do agente, desde o dia em que o Muse ultrapassou o ChatGPT como app mais baixado até a chegada ao Mac e ao iPad, com conectores de parceiros de varejo.

Compras viraram uma das tarefas mais populares

O dado que mais chamou atenção foi o das compras. De acordo com a Meta, as compras estão entre as principais atividades dos usuários do Muse. Entre os usuários engajados que compraram por meio do agente, mais de um quarto fez compras com valor médio acima de US$ 200. A reportagem classifica o resultado como surpreendente até para quem acompanha o setor de perto.

Zuckerberg contou ainda que a Plaid, empresa cujo conector liga aplicativos de pagamento a contas bancárias, disse à Meta nunca ter visto, em nenhum outro serviço, um volume de atividade como o que aparece no conector usado pelo Muse. A frase atribuída a ele foi que a Plaid "não tinha visto atividade como a que está vendo com o seu conector em nenhum outro serviço antes".

O contexto ajuda a entender o movimento. A Meta fechou uma parceria com o Walmart para que o Muse faça compras, e o agente enfrentou bloqueio na Amazon, tema da notícia sobre a Amazon bloqueando o Muse de comprar no site sem autorização. Ainda assim, o uso para compras parece ter ganhado tração onde há portas abertas.

Produtividade, segurança e o plano de dinheiro

Fora das compras, os usos mais populares citados incluem produtividade pessoal, como conectar o Muse ao e-mail e à agenda. Para Zuckerberg, isso mostra que as pessoas confiam na configuração de segurança do produto, que inclui o recurso chamado Muse Secure VM, pensado para proteger dados e privacidade. A empresa também prepara o Muse Confidential VM, que, segundo a descrição feita na teleconferência, deve impedir que até a própria Meta veja o conteúdo dos usuários.

A confiança declarada convive com histórico de problemas. O Portal da AI noticiou, por exemplo, quando a Meta reforçou o aviso de segurança do Muse após uma vulnerabilidade e quando um pesquisador exportou 6,8 GB de arquivos internos do agente. São lembretes de que dar acesso a e-mail e agenda exige cuidado, mesmo com promessas de isolamento.

Sobre o modelo de negócio, a Meta disse acreditar que o Muse atingiu o chamado ajuste entre produto e mercado. O foco agora é escalar o agente, aumentar a receita e otimizar o custo de computação. A empresa projeta que, no futuro, o Muse renda mais por usuário do que a sua família de aplicativos (Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger), cuja receita por usuário hoje fica em "algumas centenas de dólares por ano". O Muse continuará gratuito para a maioria das pessoas. A Meta pretende ficar com um percentual do comércio realizado na plataforma, e usuários avançados que quiserem os modelos mais potentes ou mais tokens pagarão por isso. Zuckerberg afirmou que o produto deve dar lucro quando atingir escala.

O custo de computação e a "rede Muse"

Hoje o Muse consome muita capacidade de computação. Zuckerberg disse esperar melhorar a eficiência de custo em mais de 10 vezes no próximo ano, e a Meta está montando infraestrutura para atender mais de 1 bilhão de pessoas nos próximos anos. O agente deve ter papel central na estratégia de óculos inteligentes da empresa, cuja divisão Reality Labs ainda perde bilhões: segundo a reportagem, o prejuízo deve cair de US$ 19,1 bilhões em 2025 para cerca de US$ 15 bilhões neste ano.

Zuckerberg também antecipou uma "rede Muse", em que o aplicativo deixaria de ser um jogo individual e passaria a funcionar com os agentes de amigos e familiares. Ele descreveu ainda o comércio feito por agentes: para comprar algo, a pessoa não precisaria navegar até o site da empresa, e sim conversar com o agente do negócio. Trata-se de plano e de discurso de executivo em teleconferência, não de recurso lançado. A reportagem não informa data para a rede Muse nem disponibilidade no Brasil.

Por que isso importa para você

Se você trabalha com vendas, atendimento ou e-commerce, o recado é que agentes de IA estão se tornando um canal de compra de verdade, com tíquete médio relevante. Isso pode mudar a forma como clientes descobrem e escolhem produtos, e quem organiza bem o catálogo, as descrições e os preços tende a ficar mais fácil de ser encontrado por agentes. Para quem usa o Muse ou pensa em usar, a lição é equilibrar conveniência e controle: liberar e-mail, agenda e pagamentos a um agente é uma decisão de segurança.

Na prática, três cuidados valem desde já: conceder ao agente apenas as permissões de que ele precisa, definir limites baixos de gasto ao testar compras e revisar de tempos em tempos quais contas estão conectadas. A Meta está apostando que o agente pessoal será um dos principais produtos da próxima fase da empresa, e os números do balanço mostram que há demanda. Resta ver se a retenção se sustenta e se a confiança do público acompanha o crescimento.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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