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Cohere capta até C$ 7 bi com governo do Canadá e vale C$ 35,7 bi

Maior captação privada de uma empresa de tecnologia do Canadá, a Série E da Cohere reúne Schwarz, Nvidia e o governo canadense para treinar modelos de ponta.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Cohere capta até C$ 7 bi com governo do Canadá e vale C$ 35,7 bi
Foto: Gabriel Hutchinson (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

A canadense Cohere anunciou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, o primeiro fechamento de uma rodada Série E que pode chegar a 7 bilhões de dólares canadenses, o que dá em torno de US$ 5 bilhões segundo a Bloomberg. A empresa afirma que é a maior captação privada já feita por uma companhia de tecnologia do Canadá e diz que a rodada a avalia em 35,7 bilhões de dólares canadenses.

O dado que mais chama atenção para quem acompanha o mercado de IA é a presença do governo canadense como investidor, num movimento que reforça a ideia de que países querem ter um laboratório de IA próprio e não depender só de empresas dos Estados Unidos e da China.

Quanto, quem e a que valor

Segundo a reportagem do The Next Web, que se apoia no comunicado da Cohere e em despachos da Bloomberg, a rodada é liderada por empresas do grupo alemão Schwarz, que já havia comprometido US$ 600 milhões à companhia antes. Entram como novos investidores a Bell Ventures, a Bullhound Capital e o próprio governo do Canadá, que, de acordo com a Bloomberg, se comprometeu a aportar até 1,14 bilhão. Seguem na lista os apoiadores anteriores Inovia Capital, Nvidia e Prosperity7 Ventures.

A Cohere não disse quanto da meta de 7 bilhões já está garantido. O diretor financeiro, Francois Chadwick, afirmou à Bloomberg que o primeiro fechamento inclui "a maior parte". A Bloomberg calcula um valor de cerca de 20,5 bilhões antes do dinheiro novo, o que representaria mais ou menos o triplo do valor da empresa um ano atrás. A reportagem não identifica a moeda desse número, então vale tratá-lo como estimativa de imprensa e não como dado confirmado pela empresa.

O que a Cohere promete fazer com o dinheiro

O primeiro-ministro Mark Carney disse em coletiva que a Cohere vai manter a sede no Canadá e investir cerca de 1,2 bilhão em infraestrutura de computação no país até 2030. Para ele, os sistemas de IA mais poderosos estão concentrados em pouquíssimas empresas de pouquíssimos países, e a ideia é mudar esse quadro.

O CEO Aidan Gomez falou que os investimentos são críticos para o próximo capítulo de crescimento. Na prática, a empresa pretende contratar mais de mil pessoas, gastar em modelos e produtos para setores regulados, como bancos e governo, e pagar poder de computação para treinar modelos de fronteira. Nos próximos 12 meses, os cofundadores dizem que vão concluir a fusão com a alemã Aleph Alpha e a compra da startup de cibersegurança AISLE, que vai virar a Cohere Cyber, além de lançar novos modelos e começar treinos em escala de fronteira com parceiros aliados.

Os números de crescimento

A Cohere informa que a receita recorrente anual cresceu mais de 165% no ano até o fim de setembro e que a base de clientes subiu 20 vezes em um ano, chegando a 300. Entre os nomes citados estão Bell Canada, Fujitsu, RBC, TD Bank, PwC e TKMS. Chadwick se recusou a divulgar o faturamento e não quis comentar uma eventual abertura de capital.

Esses números ajudam a entender o apetite dos investidores. A Cohere não tenta competir com o ChatGPT no consumidor. Sua aposta é vender IA para empresas que têm exigências de privacidade e de controle sobre onde os dados ficam, e o discurso de "IA soberana" encaixa bem com governos que querem esse controle. Sobre a fusão com a Aleph Alpha, a fusão de US$ 20 bilhões já tinha mostrado esse caminho em setembro.

O que é "IA soberana"

É a ideia de que um país ou bloco econômico tenha modelos, chips e nuvem sob seu próprio controle, sem depender de fornecedores estrangeiros. Para empresas reguladas, isso costuma significar dados que não saem de determinada jurisdição.

O argumento contra o "fatalismo de fronteira"

Os cofundadores publicaram um texto em que criticam o que chamam de "fatalismo de fronteira", a visão de que só poucos países e empresas conseguem construir IA de ponta. Como argumento, citam que mais de 70% dos tokens de modelos abertos no OpenRouter vieram de modelos chineses no início do ano. Ou seja, o debate não é só entre Estados Unidos e o resto, e sim sobre quem fornece a base que outras empresas usam para criar produtos.

O CEO da Schwarz Digits, Christian Müller, disse que o objetivo é rodar os modelos da Cohere na STACKIT, a nuvem do grupo. Isso conecta a rodada a um movimento europeu de nuvem própria, em que o dinheiro do grupo alemão ajuda a formar uma alternativa aos grandes provedores americanos.

Um mercado em que o dinheiro só aumenta

A rodada da Cohere chega numa semana de captações grandes. Nesta semana, o noticiário registrou a Serval avaliada em US$ 3 bilhões e a Whop com US$ 200 milhões. A diferença é que a Cohere conta com dinheiro público, algo ainda raro no setor. Também mostra que há espaço para empresas que não sejam OpenAI, Anthropic ou Google, desde que tenham um nicho claro.

Também vale notar o que ainda não se sabe: o tamanho exato do que foi fechado, a participação final de cada investidor e quando a empresa pretende abrir o capital. Esses pontos podem mudar o quadro nas próximas semanas, já que a rodada ainda busca chegar à meta de 7 bilhões.

Por que isso importa para você

Mesmo que você nunca use a Cohere diretamente, a rodada mexe com o que está disponível para empresas e profissionais. Com mais dinheiro, a Cohere deve lançar modelos novos e ferramentas para setores regulados, o que pressiona preços e amplia a escolha de quem desenvolve produtos com IA. Para quem presta serviço a bancos, escritórios e empresas com exigências de privacidade, é um sinal de que existem alternativas além dos três grandes.

Para o Brasil, a lição é política e prática ao mesmo tempo. O Canadá escolheu apostar numa empresa nacional com dinheiro público e prazo de investimento em infraestrutura local. Quem empreende com IA aqui deve acompanhar o debate sobre dados em território nacional e sobre dependência de fornecedores estrangeiros, porque isso tende a virar exigência de contratos. Se você quer entender como escolher entre as ferramentas atuais, veja o guia ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher, e para ver como o mercado de agentes está se movendo, leia sobre o vibe coding para quem não programa.

Por fim, o recado para quem acompanha investimento em IA: as rodadas de bilhões não são mais exclusividade de poucos laboratórios americanos. O dinheiro está indo também para quem vende segurança, soberania e integração com setores regulados, e esse é um nicho em que empresas de médio porte e prestadores de serviço podem encontrar oportunidade.

Fonte original

The Next Web, Cohere

thenextweb.com

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Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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