Wabi, agente que cria mini apps, capta US$ 55 mi e vale US$ 1,25 bi
App da fundadora da Replika virou agente pessoal que monta mini apps sob medida e levantou US$ 55 milhões em rodada liderada pela IVP, com a16z e Alexa Fund.
A Wabi, aplicativo que começou como um lugar para criar apps a partir de uma simples frase e hoje se apresenta como um "agente pessoal", anunciou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, uma captação de US$ 55 milhões com valor de mercado de US$ 1,25 bilhão. A informação é do TechCrunch, em reportagem de Sarah Perez. A rodada mostra que investidores seguem dispostos a pagar caro por assistentes de IA que fazem mais do que conversar.
Para quem usa IA para trabalhar ou empreender no Brasil, o caso é um bom retrato de uma ideia que ganha força: em vez de procurar um aplicativo pronto para cada tarefa, você pede ao agente, e ele monta a tela de que você precisa na hora.
Quem investiu e quanto
Segundo o TechCrunch, a rodada foi liderada pela IVP. Alex Lim, sócio da gestora, disse em comunicado que Eugenia Kuyda, fundadora da Wabi, tem um senso único de para onde a IA caminha e um histórico de bom gosto ao construir produtos. Também participaram a Andreessen Horowitz (a16z), a Forerunner e o Amazon Alexa Fund.
A lista de investidores individuais chama a atenção. Entram na rodada Tobi Lütke, CEO da Shopify, Marc Benioff, CEO da Salesforce, Marissa Mayer, ex-comandante do Yahoo, Dick Costolo, ex-CEO do Twitter, e Alex Pall, metade da dupla The Chainsmokers. O TechCrunch lembra ainda que a Wabi já tinha levantado US$ 20 milhões em uma rodada inicial, em novembro de 2025, quando era descrita como o "YouTube dos apps".
Do criador de apps ao agente pessoal
Eugenia Kuyda é conhecida por ter fundado a Replika, empresa de companheiros de IA. Na Wabi, a proposta inicial era permitir que qualquer pessoa criasse aplicativos a partir de comandos em texto, sem saber programar. Em setembro de 2026, a empresa mudou de rumo e virou um mensageiro de IA, numa versão que chama de Wabi 2.0.
Hoje a Wabi se descreve como um agente pessoal capaz de construir as interfaces de que o usuário precisa para resolver algo. Os exemplos citados pela reportagem são simples e do dia a dia: planejar refeições, acompanhar restaurantes da região, organizar um encontro, montar um plano de treino ou criar um jogo de perguntas sob medida. São os chamados mini apps, pequenos programas feitos para um uso específico, que o agente cria e ajusta conforme a conversa.
Um mercado que atrai dinheiro
O TechCrunch contextualiza a captação dentro de uma onda de apostas em assistentes de IA. Em setembro de 2026, o Instinct, agente que viralizou, levantou US$ 1 bilhão em uma Série C com valor de US$ 10 bilhões. Em outubro, o Tolan, um companheiro de IA, captou US$ 30 milhões. Nós já cobrimos um caso parecido aqui no portal: Instinct capta US$ 1 bilhão e passa a valer US$ 10 bilhões.
A leitura do TechCrunch é que os investidores estão espalhando apostas entre vários formatos de assistente, sem saber ainda qual vai pegar. Isso vale para o agente de chat em grupo, para o que cuida de tarefas no celular e para o que cria telas sob demanda, que é o caso da Wabi. Outro exemplo recente é o Manus, que apostou em um agente pessoal no telefone, como mostra a notícia Manus lança o Cue, agente pessoal para o telefone.
O que a reportagem não diz
É importante separar o que foi informado do que ainda é pergunta. O texto do TechCrunch não traz número de usuários, preço, plataformas em que o app está disponível nem idiomas aceitos. Também não explica quanto da receita vem de assinaturas ou como a empresa pretende ganhar dinheiro. Não há, portanto, como afirmar que o serviço funciona em português ou que já está liberado para o público brasileiro.
Também vale cautela com o valor de US$ 1,25 bilhão. Avaliação de empresa jovem reflete a aposta dos investidores no futuro, não faturamento comprovado. Ela diz que há gente grande acreditando na tese, mas não garante que o produto vá se sustentar.
O que a ideia de mini apps muda no trabalho
Mesmo sem saber se a Wabi chega ao Brasil, a tendência é útil para quem empreende. Muita gente perde tempo usando planilhas improvisadas e aplicativos genéricos para tarefas pequenas: controle de pedidos, lista de clientes, cronograma de conteúdo, acompanhamento de metas. Um agente que monta uma tela simples para cada uma dessas necessidades reduz a barreira para quem não programa e aproxima a criação de software do dono do negócio.
Essa lógica é parente do que se chama de vibe coding, quando a pessoa descreve o que quer e a IA escreve o código. Se o tema é novidade para você, vale ler Vibe coding para não programadores: carreira e riscos, que explica o que dá para fazer e onde estão os cuidados.
Há ainda um ponto de atenção. Quando o agente cria e guarda telas com seus dados, você precisa saber onde esses dados ficam e quem tem acesso. Antes de colocar informações de clientes ou dados financeiros em qualquer app criado por IA, confira a política de privacidade e use informações de teste nas primeiras vezes.
Por que isso importa para você
A notícia indica para onde vai o uso comum da IA: menos conversa solta e mais ferramentas pequenas, feitas sob medida, que resolvem uma tarefa do seu dia. Quem trabalha por conta própria pode começar a treinar isso hoje com os assistentes que já existem, pedindo para a IA montar tabelas, roteiros e modelos de acompanhamento. Se ainda está escolhendo qual usar, compare as opções em ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher.
Também é um recado sobre o mercado de startups de IA. Há dinheiro abundante para quem promete agentes pessoais, e isso tende a gerar muitas novidades nos próximos meses. A melhor postura é testar com curiosidade, sem pagar por promessa e sem entregar dados sensíveis antes de entender como o serviço funciona.
A notícia veio de fonte única, o TechCrunch. O texto é nosso, com análise própria, e os números citados são os informados pela reportagem.
Fonte original
TechCrunch
techcrunch.com

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.


