Portal da AI

Altman diz que IA local gasta memória demais e vai conversar com a Samsung

Dias depois de chamar de terrível a memória DRAM parada em PCs, Sam Altman reuniu cerca de 50 presidentes da Samsung em Yongin, na Coreia do Sul.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Altman diz que IA local gasta memória demais e vai conversar com a Samsung
Foto: Einstein00x (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, esteve neste sábado, 31 de outubro de 2026, com cerca de 50 presidentes de empresas do grupo Samsung, no centro de treinamento da companhia em Yongin, ao sul de Seul. O encontro aconteceu dois dias depois de um podcast em que Altman disse ser "bastante terrível" que a memória DRAM, hoje escassa, fique parada dentro dos computadores das pessoas para rodar modelos de IA localmente. A Samsung é justamente uma das maiores fabricantes de DRAM do mundo. A informação foi reunida pelo The Next Web, a partir da nota da Samsung em seu site de notícias coreano, de uma reportagem da Bloomberg e da transcrição do programa Cheeky Pint.

Este texto é análise nossa a partir dessa reportagem. A Samsung não divulgou o que Altman falou na reunião, e é importante separar o que ele disse no podcast, que está registrado, do que se supõe sobre a conversa em Yongin, que não está.

O que Altman disse sobre memória e IA local

No podcast do cofundador da Stripe, John Collison, lançado na quinta-feira, 29 de outubro, Altman foi perguntado por que os preços e a oferta de memória não melhoraram. Ele respondeu que os fabricantes devem render cerca de US$ 100 bilhões em fluxo de caixa livre cada um em um ano, mas que o histórico de quase falências por construir fábricas demais os deixa cautelosos para ampliar a produção. O resultado é um mercado em que a oferta cresce devagar enquanto a demanda por IA dispara.

Foi nesse raciocínio que veio a frase que repercutiu. Altman criticou quem quer rodar modelos de IA no próprio computador e disse que é "bastante terrível" que a parte de cada pessoa na DRAM limitada do mundo esteja dentro de máquinas pessoais "sendo usada 5% do tempo". O argumento dele é que, num mercado com oferta restrita, os data centers na nuvem deveriam funcionar na utilização máxima, porque ali cada chip de memória trabalha quase o tempo todo. Ele também disse que os custos de chips e de energia devem cair, mas que, antes disso, a oferta precisa subir bastante.

Para guardar

Quem fala é o dono de uma empresa que vende acesso a modelos na nuvem. O argumento "a nuvem usa a memória de forma mais eficiente" é verdadeiro em termos de utilização, mas também é o que favorece o modelo de negócio da OpenAI. Leia a fala com esses dois pontos em mente.

A reunião na Samsung

Segundo a nota da própria Samsung, a sessão fez parte do treinamento de seus presidentes e reuniu executivos das áreas de eletrônicos, finanças e biotecnologia. O tema foi como a IA vai mudar a próxima década e o que as empresas devem fazer a respeito. Entraram na pauta a direção futura da IA, novos mercados e oportunidades de negócio, mudanças na tomada de decisão e na organização das empresas, e as habilidades que os gestores vão precisar. A Samsung defende que a força de uma companhia na era da IA depende do julgamento e da execução de seus gestores.

Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, em evento
Foto: TechCrunch / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Antes do encontro, os presidentes fizeram um curso prático de IA generativa, o segundo depois de um em junho, e usaram a tecnologia para organizar documentos de gestão em um repositório de conhecimento. Os nomes dos executivos presentes não foram divulgados, e a nota não registra o que Altman disse a eles.

A relação entre Samsung e OpenAI

As duas empresas já têm vários vínculos. Em outubro de 2025 assinaram uma carta de intenções sobre infraestrutura de IA, e a Samsung fornece chips de memória para o projeto de data centers Stargate, da OpenAI. A Samsung SDS vai trabalhar com a OpenAI em data centers de IA e serviços de IA para empresas, e a Samsung C&T e a Samsung Heavy Industries desenvolvem data centers flutuantes. O presidente do grupo, Lee Jae-yong, visitou a sede da OpenAI em São Francisco em julho.

Em junho, a OpenAI anunciou que a Samsung levaria o ChatGPT Enterprise e o Codex para funcionários na Coreia do Sul e para a divisão de dispositivos. Cerca de 2.300 executivos já foram treinados, e todos os funcionários devem concluir o treinamento em IA até fevereiro de 2027.

O pano de fundo: escassez de memória até 2030

O contexto ajuda a entender por que a fala de Altman pesa. A SK Hynix afirmou que a falta de memória deve durar até 2030. A Samsung registrou, na quinta-feira, lucro trimestral recorde, puxado pela demanda por memória para IA. O presidente-executivo da Apple, John Ternus, chamou a escassez de crise, segundo a revista Time, tema que abordamos em a crise de memória e chips na Apple. A Bloomberg relata ainda que Jensen Huang, da Nvidia, e Lisa Su, da AMD, visitaram a Coreia do Sul duas vezes cada um desde o ano passado.

Essa disputa por memória também aparece em parceria entre Nvidia e SK Hynix, e a pressa por capacidade é o mesmo fio das falas do podcast que já resumimos em Altman diz que a OpenAI vai usar robôs para construir data centers. Do lado do dinheiro, a OpenAI enfrenta um momento mais difícil para captar, como mostra OpenAI capta só US$ 11 bi dos US$ 30 bi buscados.

Por que isso importa para você

Se você usa IA para trabalhar, a discussão parece distante, mas ela chega ao seu bolso por dois caminhos: o preço do computador e o preço da assinatura. Memória cara encarece notebooks e celulares com mais RAM, e memória escassa nos data centers pressiona o custo de planos e de APIs.

  • Para quem pensa em comprar ou trocar de computador para rodar modelos locais, vale pesar a escassez: máquinas com muita memória tendem a ficar mais caras enquanto a oferta não aumentar.
  • Para quem usa IA na nuvem, nada muda hoje, mas a fala de Altman sugere que a OpenAI quer empurrar o uso para a nuvem, onde ela controla o preço e os limites.
  • Para quem trabalha com dados sensíveis, rodar o modelo no próprio computador continua sendo uma opção de privacidade que a nuvem não substitui. Pese isso contra o custo de hardware.
  • Para quem constrói produtos sobre APIs, mantenha margem para reajustes de preço, já que a queda de custos que Altman prevê depende de a oferta de memória e de chips subir antes.

Por fim, uma observação de método: o que sabemos da reunião vem da nota da Samsung e da cobertura do The Next Web, e as falas de Altman vêm de um podcast, não de um comunicado da OpenAI. Atualizaremos o texto se a Samsung ou a OpenAI detalharem o que foi conversado e se houver novos acordos de fornecimento de memória.

Fonte original

The Next Web, Samsung, podcast Cheeky Pint

thenextweb.com

Ler na fonte original
Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →