CEO da Apple diz à TIME que a falta de chips de memória é uma crise
John Ternus afirmou que as restrições de memória são uma crise, defendeu a Siri baseada em tecnologia do Gemini e falou do iPhone Duo, que atrasou para 2027.

O novo CEO da Apple, John Ternus, deu uma entrevista à revista TIME na qual classificou a escassez de chips de memória como uma crise. Segundo o resumo publicado pelo The Next Web, que se baseia na conversa da TIME, Ternus disse que "as restrições de memória são absolutamente uma crise" e que "todas as opções devem estar na mesa" para lidar com o problema. Vale registrar que não conseguimos abrir a entrevista original da TIME, então os detalhes abaixo vêm do relato do The Next Web.
A fala importa para além do universo da Apple. Memória é um dos componentes que sustentam tanto os celulares e computadores que a gente usa para trabalhar com IA quanto os servidores que rodam os modelos. Quando falta memória, o efeito costuma aparecer em preço, prazo de entrega e disponibilidade de aparelhos e de serviços.
O que Ternus disse sobre a crise de memória
Ternus assumiu o cargo de CEO da Apple em 1º de setembro de 2026 e aparece na capa da edição de Melhores Invenções de 2026 da TIME, que destaca o iPhone Duo. Na entrevista, ele foi questionado sobre as notícias de que a empresa testou memória fabricada na China. Em julho, o Financial Times havia informado que a Apple começou a testar chips de memória de uma empresa chinesa. Na sequência, um grupo bipartidário de senadores americanos escreveu à Apple argumentando que isso colocaria a segurança nacional em risco, e o governo dos Estados Unidos alertou a empresa contra o uso desses chips.
Diante desse cenário, o CEO não descartou nada. A frase de que todas as opções devem estar na mesa foi dita justamente nesse contexto, o que mostra a pressão dupla que a Apple enfrenta: de um lado, a oferta apertada de memória; de outro, o debate político sobre de onde esses componentes podem vir. Já mostramos outro lado dessa cadeia em Nvidia e SK hynix fecham parceria para desenvolver memória de próxima geração para fábricas de IA, que trata de como a demanda por memória cresce com a infraestrutura de IA.
iPhone Duo, preço e atraso
O iPhone Duo, dobrável da Apple, custa a partir de US$ 1.999, de acordo com o relato. Ele tem uma dobradiça com mais de cem peças minúsculas de precisão sob uma superfície de polímero feita sob medida. As entregas, no entanto, escorregaram para 2027. A reportagem não liga diretamente o atraso à falta de memória, então não dá para afirmar que um fato causa o outro; o que se sabe é que os dois assuntos apareceram na mesma conversa.
Ternus também contou, segundo a TIME, que ele e outros cinco engenheiros registraram em 2011 um pedido de patente para dispositivos dobráveis. Ele disse que os dobráveis anteriores, de outras fabricantes, "pareciam meio baratos e ruins", uma crítica direta à concorrência.
| Assunto | O que foi dito ou informado |
|---|---|
| Memória | Ternus: as restrições são "absolutamente uma crise"; todas as opções estão na mesa |
| Chips chineses | Apple teria testado memória de empresa chinesa; senadores e governo dos EUA reagiram |
| iPhone Duo | A partir de US$ 1.999; entregas atrasaram para 2027 |
| Siri | Nova versão lançada nos EUA em setembro, com modelo da Apple que usa tecnologia do Gemini |
A Siri nova e a parceria com o Google
No campo da IA, a entrevista traz um ponto que interessa a quem usa assistentes no dia a dia. A nova Siri chegou aos Estados Unidos em setembro e usa um modelo da Apple que se apoia na tecnologia Gemini, do Google. Ternus rejeitou a ideia de que depender de um rival seja um recuo. Para ele, a Apple não precisa fabricar cada peça de um produto: ela faz as partes em que consegue se diferenciar.
Greg Joswiak, vice-presidente sênior de marketing da Apple, disse que a empresa constrói IA para pessoas comuns, e não para a "franja lunática" do Vale do Silício. Sobre os planos de hardware da OpenAI, afirmou: "Não nos sentimos ameaçados". O histórico recente da Apple com a assistente também aparece em Apple abre site de acordo de US$ 250 milhões por atraso nos recursos de IA da Siri, que ajuda a entender por que essa parceria é um assunto sensível.
Ternus ainda disse não prever o desaparecimento dos aparelhos, porque as pessoas querem coisas físicas, e afirmou ter se reunido com integrantes do governo Trump para que sigam "resolvendo as coisas juntos". Tim Cook agora é presidente executivo da Apple e continua representando a empresa no exterior, segundo a TIME.
Por que isso importa para você
Para quem trabalha ou empreende no Brasil, o recado prático é que o custo de hardware de IA pode continuar pressionado. Se a memória está escassa para um dos maiores compradores do mundo, é razoável esperar que celulares, notebooks e serviços de nuvem sintam o efeito. Isso não significa que o preço no Brasil vai subir amanhã, e a reportagem não faz essa projeção; mas vale tratar a troca de equipamento como decisão que merece pesquisa, e não como compra por impulso.
Quem está pensando em trocar de computador para rodar ferramentas de IA pode usar um critério simples: antes de gastar mais por memória, confira se o seu uso exige isso. A maior parte das ferramentas populares roda na nuvem, e o aparelho só precisa de um navegador decente. Nosso guia de comandos de voz com IA no computador, Windows e Mac mostra o que dá para fazer com o equipamento que você já tem, e o comparativo ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher ajuda a decidir sem depender de hardware novo.
A parceria entre Apple e Google também sinaliza uma tendência: mesmo empresas gigantes combinam modelos de terceiros com os próprios. Para um pequeno negócio, isso reforça a lógica de não depender de uma única ferramenta. Quem monta fluxos de atendimento ou produção de conteúdo deve manter a possibilidade de trocar de modelo, algo que também discutimos em Replit coloca modelos da OpenAI como padrão no lugar da Anthropic.
Liste o que você faz com IA hoje e marque o que roda no navegador. Se tudo roda na nuvem, o ganho de comprar mais memória é pequeno. Se você usa modelos locais, edição de vídeo ou muitas abas e apps ao mesmo tempo, aí a memória pesa, e vale pesquisar preços com calma.
Os limites do que se sabe
Alguns cuidados ajudam a ler essa notícia. Primeiro, tudo vem de uma entrevista de um executivo, com a visão dele sobre a própria empresa. Segundo, o relato é de segunda mão: o The Next Web resume a TIME, e a TIME é a fonte primária. Terceiro, a reportagem não traz números de falta de memória, preços de componentes ou impacto em modelos específicos de aparelho, então qualquer conta de quanto isso vai custar ao consumidor brasileiro seria especulação.
O que dá para dizer com segurança é que o CEO da Apple chamou a situação de crise em público, que há uma disputa política em torno da origem dos chips e que a empresa está atrasando um produto de ponta para 2027. Esses três fatos, juntos, indicam que a cadeia de suprimentos de componentes está no centro da corrida por IA. Vamos acompanhar se outras fabricantes confirmam o mesmo diagnóstico e se isso chega aos preços cobrados do consumidor.
Por enquanto, a melhor atitude é acompanhar com atenção e evitar decisões de compra baseadas em medo de escassez. Em tecnologia, anúncios de crise nem sempre se traduzem em alta de preço no varejo, e os efeitos dependem de estoque, câmbio, impostos de importação e da estratégia de cada fabricante. Se houver novidade concreta sobre preços de aparelhos ou sobre a Siri com Gemini fora dos Estados Unidos, publicaremos aqui.
Fonte original
The Next Web
thenextweb.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.
