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CEO da Replit descreve a empresa que se dirige sozinha com agentes de IA

Amjad Masad contou no TechCrunch Disrupt que agentes já fazem a triagem do suporte na Replit e por que, para ele, julgamento humano segue no centro.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
CEO da Replit descreve a empresa que se dirige sozinha com agentes de IA
Foto: Village Global (CC BY 2.0) / Wikimedia Commons

O CEO e cofundador da Replit, Amjad Masad, apresentou no palco do TechCrunch Disrupt, em San Francisco, a ideia de uma "empresa que se dirige sozinha" (em inglês, "self-driving company"). Segundo a reportagem do TechCrunch, o termo não tem relação com carros autônomos: descreve uma organização em que agentes de IA fazem boa parte do trabalho braçal, enquanto as pessoas passam a ser valorizadas pelo julgamento e pelo gosto.

Masad disse que o trabalho de praticamente todo mundo na plateia mudou no último ano, mas que boa parte dos Estados Unidos e do mundo ainda não percebeu que a mudança está chegando e que isso vai surpreender muita gente. Ele afirmou que a própria equipe da Replit refletiu sobre o impacto da tecnologia no dia a dia, principalmente depois que os agentes de IA ficaram mais confiáveis, em algum momento deste ano.

Como funciona a empresa que se dirige sozinha na Replit

O exemplo concreto que Masad deu é o suporte ao cliente. Quando um chamado chega, um agente é o primeiro a examiná-lo e faz a triagem inicial, consultando os problemas abertos no GitHub, o código-fonte e os tickets do Linear. Quando o caso chega a uma pessoa, ela já recebe as informações adicionais necessárias para decidir o melhor caminho.

Se a pessoa de suporte decide enviar uma correção, basta um clique para acionar outro agente que a aplica. Nas palavras do CEO, existe um ciclo inteiro em que os agentes fazem a maior parte do trabalho, mas com um ponto decisivo: há julgamento humano no meio, e a empresa não acredita que isso vá desaparecer tão cedo. "Você precisa de julgamento, você precisa de gosto", disse.

Etapa do suporteQuem faz, segundo Masad
Triagem inicial do chamadoAgente de IA, consultando GitHub, código e Linear
Decisão sobre como tratar o casoPessoa da equipe, já com o contexto reunido
Aplicação da correçãoOutro agente, acionado com um clique

O que muda no trabalho, na visão do CEO

A tese central de Masad é que os agentes não estão tirando empregos, e sim mudando em que as pessoas gastam o tempo. Ele disse que a equipe passa muito mais tempo descobrindo o que precisa ser feito, e contou que, ao circular pela empresa, vê mais discussões, mais quadros brancos e mais conversa sobre arquitetura e sobre como construir as coisas. Para ele, a ideia da empresa que se dirige sozinha é, no fundo, uma tentativa de descobrir o que a transformação por IA significa na prática.

Masad também afirmou que, nas conversas com outras empresas, o assunto costuma ser como a IA pode tornar as pessoas mais produtivas e mais felizes no trabalho. A parte da felicidade, segundo ele, vem do fato de que os agentes tornam o trabalho menos chato e mais criativo. O CEO ainda disse que existe uma visão positiva do mundo que o Vale do Silício não está divulgando e que a Replit espera ajudar a espalhá-la.

É importante lembrar que se trata da visão de um executivo de uma empresa que vende ferramentas de IA para programar. A fala descreve a experiência interna da Replit e não é um estudo sobre o efeito da IA no emprego em geral.

Contexto: a Replit vive o assunto de perto

A Replit é uma das plataformas de vibe coding mais usadas por fundadores e desenvolvedores, e por isso sua experiência interna é um termômetro curioso do que as empresas de software estão testando. Na mesma semana, o CEO também esteve no centro de outra notícia: a plataforma passou a usar modelos da OpenAI como padrão, assunto que cobrimos em Replit coloca modelos da OpenAI como padrão.

O debate sobre quem ocupa o lugar de quem também aparece em outros dados recentes. Um relatório da própria Anthropic sobre a sua força de trabalho, que resumimos em Anthropic diz que a equipe ficou menos júnior e passa mais tempo em reuniões, aponta na mesma direção: com agentes fazendo tarefas de entrada, sobra mais reunião e mais decisão para as pessoas. Já a pesquisa da Workday, que analisamos em relatório da Workday sobre IA, vagas e mudança de funções, sugere que o número de vagas pode não cair, mas o conteúdo delas muda bastante.

Por que isso importa para você

Para quem trabalha ou empreende no Brasil, o ponto mais útil da fala de Masad é a divisão de tarefas. Triagem, coleta de contexto e aplicação de correções repetitivas são justamente o tipo de trabalho que um agente já consegue fazer razoavelmente bem. O que sobra para a pessoa é decidir o que vale a pena fazer, avaliar se o resultado está bom e escolher o rumo. Quem hoje gasta o dia em tarefas de triagem, organização de pedidos ou resposta padronizada tem aí um aviso: o valor profissional tende a migrar para a capacidade de julgar e priorizar.

Para o dono de um pequeno negócio, o exemplo do suporte é replicável em escala bem menor. Um atendimento que recebe mensagens por WhatsApp ou e-mail pode usar um agente para separar o que é dúvida simples do que exige uma pessoa, reunir o histórico do cliente e só então passar o caso adiante. Esse desenho, com a decisão final sempre nas mãos de alguém, é mais seguro do que entregar o atendimento inteiro a uma automação sem supervisão. Vale conferir nosso guia de como humanos e agentes de IA vão trabalhar juntos no futuro para pensar essa divisão no seu caso.

Para quem pensa em carreira, a lição é tratar o julgamento como habilidade a ser treinada, e não como talento natural. Isso inclui saber especificar bem o que se quer, revisar o trabalho de um agente com olhar crítico e entender o negócio o bastante para dizer quando a resposta está errada. Reunimos ideias nessa linha em habilidades humanas que a IA não substitui no trabalho, e quem quer entrar na área de software com ajuda de IA pode ler vibe coding para quem não programa: carreira e riscos.

Teste simples para o seu trabalho

Liste as dez tarefas que você mais repete na semana e marque quais envolvem apenas reunir informação e quais envolvem decidir algo. As primeiras são candidatas a agente; as segundas são o seu diferencial. Comece automatizando uma só e acompanhe os resultados antes de ampliar.

Os limites e o que observar daqui para a frente

A visão otimista de Masad merece cautela. Ele fala a partir de uma empresa de tecnologia, com equipe técnica, processos digitais e acesso direto a agentes de ponta. Negócios tradicionais, com processos em papel, sistemas antigos e equipes pequenas, dificilmente reproduzem o mesmo resultado no curto prazo. Além disso, a própria fala reconhece que muita gente ainda não percebeu a mudança, o que pode significar tanto uma oportunidade para quem se antecipa quanto um risco para quem fica parado.

Há também uma pergunta em aberto sobre quem ocupa as vagas de entrada. Se os agentes assumem a triagem e as tarefas mais simples, que historicamente serviam de porta de entrada para profissionais juniores, o caminho para aprender a profissão precisa ser repensado. Esse é um dos temas que mais aparecem nos dados do mercado brasileiro de contratação, como mostramos em contratação de vagas júnior e IA no Brasil.

Por fim, vale tratar a expressão "empresa que se dirige sozinha" como uma metáfora de marketing e uma hipótese de trabalho, não como um fato consolidado. O que a fonte entrega de verificável é o relato de como a Replit organizou o seu suporte e a declaração do CEO de que o julgamento humano continua no meio do processo. O resto é uma visão de futuro, e ela só se confirma se mais empresas, de portes e setores diferentes, mostrarem resultados parecidos.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

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Perguntas frequentes

É a ideia de uma empresa em que agentes de IA fazem boa parte do trabalho braçal, como triagem de chamados e aplicação de correções, enquanto as pessoas decidem o que fazer, usando julgamento e bom gosto.
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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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