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Brasil tem a 2ª maior intenção de contratação do mundo, diz pesquisa

Pesquisa da ManpowerGroup em 42 países mostra Brasil contratando júnior mesmo com IA reduzindo entrada no mercado em EUA e Suíça.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

Uma pesquisa da ManpowerGroup divulgada nesta semana mostra que 62% das empresas no Brasil planejam ampliar o quadro de funcionários entre outubro e dezembro de 2026, resultado que coloca o país na segunda posição mundial em intenção de contratação, atrás apenas da Índia. Segundo reportagem da Forbes Brasil, o levantamento ouviu empresas em 42 países da Europa, América Latina, América do Norte, Oriente Médio e Ásia, e calculou a expectativa líquida de emprego do Brasil em 53%, bem acima da média global de 29%.

O dado que mais chama atenção no relatório é o foco em talentos de início de carreira: 65% dos empregadores brasileiros disseram estar acelerando a busca por profissionais júnior, percentual 20 pontos acima da média mundial. Segundo Nilson Pereira, diretor-geral da ManpowerGroup no Brasil, formar talento "em casa" e reduzir a dependência da disputa por profissionais já experientes se tornou uma vantagem competitiva para as empresas que estão contratando agora.

O contraste com o que acontece nos Estados Unidos e na Europa

O movimento brasileiro vai na direção contrária do que vem sendo registrado em mercados mais maduros em adoção de IA. Nos Estados Unidos, um estudo da Universidade Harvard citado pela reportagem mostra que a contratação de profissionais em início de carreira caiu 7,7% em empresas que adotaram IA de forma intensiva, ao longo de seis trimestres seguidos. Na Suíça, o número de vagas de nível básico em 2025 ficou 32% menor do que a média registrada entre 2019 e 2022. Esse é exatamente o tipo de desaceleração que o Portal da AI já mostrou em outro levantamento, no qual a McKinsey estima que a IA vai triplicar o ritmo de trabalhadores americanos obrigados a trocar de ocupação até 2035.

Mesmo com esse pano de fundo internacional, o apetite por contratação júnior no Brasil aparece distribuído por setores bem variados: a indústria lidera com 69% das empresas buscando ativamente talentos iniciantes, seguida pelos setores financeiro e de seguros (67%) e pelo setor de informação, que inclui tecnologia (também 67%). Os números de emprego do país seguem de mão dada com esse otimismo: segundo dados do PNAD/IBGE citados na reportagem, o Brasil tinha 103 milhões de pessoas empregadas em 2025, com desemprego em 6,1 milhões de pessoas, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.

Olhando para os outros países do levantamento, o Brasil aparece bem destacado mesmo entre economias emergentes: a Índia lidera com expectativa líquida de emprego de 54%, seguida de perto pelo Panamá com 49% e pelo México com 41%, todos bem acima da média global de 29%. Isso sugere que o movimento de contratação forte não é um fenômeno isolado do Brasil, mas está concentrado em mercados emergentes que ainda têm espaço para crescer em produtividade e formalização, diferente de economias já maduras em automação, como EUA e países da Europa Ocidental, onde a cautela na contratação júnior aparece de forma mais clara nos números.

Por que isso importa para você

Se você está começando a carreira ou orientando alguém que está, esse dado muda a leitura de um medo recorrente: o de que a IA generativa vai simplesmente eliminar a porta de entrada no mercado de trabalho antes que o profissional júnior tenha chance de aprender o ofício. No Brasil, pelo menos por agora, o movimento parece ser o oposto: empresas estão formando talento internamente justamente para não ficar dependentes de disputar os poucos profissionais sênior qualificados em IA que já existem no mercado. Isso reforça algo que o Portal da AI já defendeu em outros textos, como o guia sobre como migrar de carreira para a área de IA: saber usar ferramentas de IA no dia a dia, mesmo sem ser especialista técnico, virou um diferencial concreto na hora de ser contratado, não um nice-to-have.

Para quem contrata ou lidera equipes, o recado é parecido. Investir em treinar júnior com apoio de IA, em vez de só cortar vagas de entrada, pode ser uma aposta mais barata e mais rápida do que brigar no mercado por quem já tem experiência consolidada. Nosso texto sobre como humanos e agentes de IA vão trabalhar juntos no futuro detalha esse tipo de arranjo, em que a ferramenta acelera a curva de aprendizado de quem está chegando, em vez de substituir a vaga.

O que observar nos próximos meses

Vale acompanhar se esse ritmo de contratação júnior se sustenta conforme mais empresas brasileiras adotam agentes de IA em tarefas que hoje ainda dependem de gente nova entrando no mercado, como triagem de dados, atendimento inicial e suporte administrativo. O próprio relatório da ManpowerGroup é trimestral, então o próximo levantamento, com dados do primeiro trimestre de 2027, vai mostrar se a tendência brasileira se mantém descolada da americana e da europeia ou se começa a convergir para o mesmo padrão de desaceleração na entrada de carreira observado fora do país. Até lá, o cenário favorece quem já está se preparando para usar IA como parte do trabalho, não como ameaça a ele, tema que o Portal da AI acompanha de perto na cobertura sobre empregos que a IA vai transformar.

Perguntas frequentes

O Brasil contrata mais do que a média mundial por causa da IA?

Não exatamente por causa da IA. A alta intenção de contratação reflete um cenário mais amplo de aquecimento do mercado de trabalho brasileiro, mas o detalhe que chama atenção é que, diferente de EUA e Suíça, a IA não está reduzindo as vagas júnior no país, pelo menos segundo este levantamento.

Quais setores mais contratam talento júnior no Brasil agora?

Segundo a pesquisa da ManpowerGroup, a indústria lidera com 69% das empresas buscando ativamente profissionais iniciantes, seguida pelos setores financeiro e de seguros e pelo setor de informação e tecnologia, ambos com 67%.

Fonte original

Forbes Brasil

forbes.com.br

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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