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McKinsey: IA pode forçar 11 milhões de americanos a trocar de emprego

Relatório da McKinsey estima que a IA vai triplicar o ritmo de trabalhadores dos EUA que precisam mudar de ocupação até 2035.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

Um relatório do McKinsey Global Institute divulgado nesta terça-feira, 29 de setembro, estima que cerca de 11 milhões de trabalhadores americanos, o equivalente a 7% da força de trabalho atual dos Estados Unidos, podem precisar trocar de ocupação até 2035 por causa do avanço da inteligência artificial. Segundo reportagem da Bloomberg, a consultoria calcula que o ritmo anual de trocas de ocupação nos EUA, historicamente em torno de 215 mil pessoas por ano, pode triplicar na próxima década por conta da automação impulsionada por IA.

O estudo não trata a IA apenas como destruidora de empregos: a McKinsey projeta que a automação pode reduzir a demanda por mão de obra em 36 milhões de postos até 2035, mas que o crescimento de setores ligados a IA e da economia em geral deve gerar demanda equivalente a 40 milhões de vagas no mesmo período. O problema, segundo a consultoria, é que cerca de 25 milhões desses 36 milhões de trabalhadores afetados devem conseguir permanecer na própria ocupação porque o crescimento do próprio setor compensa o impacto da automação. Os outros 11 milhões, porém, precisarão migrar de fato para uma ocupação diferente, e seis em cada sete dessas pessoas enfrentarão necessidade de requalificação significativa e perda de renda no processo.

Quem sente o impacto primeiro e por quê

O levantamento aponta três áreas como os principais pontos de pressão dentro das empresas: suporte administrativo e de escritório, vendas e varejo, e transporte e logística. São funções com alto volume de tarefas repetitivas e padronizáveis, que hoje já são alvo direto de ferramentas de automação e de agentes de IA capazes de responder e-mails, organizar agendas, atender clientes ou otimizar rotas sozinhos. A McKinsey também chama atenção para uma desigualdade dentro desse processo: trabalhadores de baixa renda têm probabilidade de precisar trocar de ocupação quase oito vezes maior do que trabalhadores de alta renda, o que reforça um padrão já discutido em outros estudos sobre automação, no qual o impacto da tecnologia tende a recair de forma desproporcional sobre quem já está em posição mais vulnerável no mercado de trabalho.

Esse não é o primeiro sinal desse tipo vindo de grandes consultorias e empresas de tecnologia. A própria OpenAI já divulgou pesquisas próprias sobre como trabalhadores estão reorganizando suas rotinas em torno de ferramentas de IA generativa, e a Oracle chegou a citar explicitamente a IA como motivo para o corte de 21 mil postos em um documento enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, no fim de setembro. O que o relatório da McKinsey adiciona é uma tentativa de quantificar, em escala nacional e com metodologia própria, o tamanho da transição que está por vir, em vez de tratar cada anúncio de corte de forma isolada.

Por que isso importa para você

Mesmo sendo um estudo focado no mercado americano, os números da McKinsey funcionam como um termômetro relevante para quem acompanha o mercado de trabalho no Brasil, porque as mesmas categorias de função citadas no relatório (suporte administrativo, vendas, atendimento, logística) são justamente as mais expostas à automação também por aqui, e tendem a seguir tendências parecidas com alguma defasagem. O dado mais importante para quem trabalha ou lidera equipes hoje não é o número absoluto de 11 milhões, mas o fato de que o grupo mais afetado precisa de requalificação real, não de um curso rápido: são pessoas mudando de ocupação, não só de ferramenta.

Na prática, isso reforça um conselho que já vale para quem usa IA no dia a dia profissional: não adianta aprender a operar um chatbot e parar por aí. Quem trabalha em funções mais expostas à automação, como as listadas no estudo, ganha mais segurança se já começar a se posicionar em tarefas que combinam julgamento humano, relacionamento e supervisão de sistemas de IA, em vez de competir diretamente com a automação na execução repetitiva. O Portal da AI já tratou desse tema em detalhe no guia sobre empregos que a IA vai transformar e como se preparar e no passo a passo de como se recolocar no mercado depois de ser substituído por automação, ambos pensados justamente para esse cenário de transição forçada descrito pela McKinsey.

O que observar nos próximos meses

Vale acompanhar se empresas brasileiras, públicas e privadas, vão adotar programas de requalificação em escala parecida com o que já começa a aparecer nos EUA, onde algumas grandes companhias anunciaram parcerias com universidades e plataformas de ensino para tentar absorver parte da força de trabalho deslocada internamente, em vez de simplesmente demitir. Outro ponto de atenção é o ritmo real de adoção de agentes de IA dentro das empresas: pesquisas recentes mostram que a maioria das organizações, inclusive no Brasil, ainda está em estágio básico de uso da tecnologia, o que sugere que o processo descrito pela McKinsey deve ser gradual, e não uma ruptura repentina em um único ano. Para quem quer se antecipar, o momento de investir em requalificação e em domínio prático de ferramentas de agentes de IA é antes da migração se tornar obrigatória, não depois.

Como interpretar um número desse tamanho sem exagerar nem minimizar

Um erro comum ao ler estudos como o da McKinsey é tratar o número absoluto (11 milhões de pessoas) como se fosse um evento único e catastrófico marcado para um dia específico em 2035. Não é assim que a transição tende a acontecer. O próprio relatório trabalha com uma faixa de incerteza, entre 6 milhões e 16 milhões de trabalhadores, justamente porque o ritmo de adoção da IA nas empresas ainda é imprevisível e depende de fatores como custo de implementação, regulação, resistência cultural dentro das organizações e a própria maturidade das ferramentas disponíveis. Na prática, o que o estudo descreve é um processo contínuo e gradual de substituição de tarefas específicas dentro de cada função, que só se acumula em troca completa de ocupação depois de um período de erosão da demanda pelo trabalho antigo.

Isso muda a forma como o leitor brasileiro deveria reagir à notícia. Em vez de esperar um corte abrupto que force uma mudança de carreira da noite para o dia, faz mais sentido observar sinais graduais dentro do próprio setor em que se trabalha, como redução de contratações para funções muito repetitivas, aumento da cobrança por habilidades de supervisão e revisão de resultados de IA, e crescimento de vagas que combinam conhecimento técnico com uso fluente de ferramentas de automação. Esses sinais já aparecem hoje em áreas como atendimento ao cliente, suporte administrativo e parte do trabalho de vendas, exatamente as categorias que a McKinsey aponta como mais expostas, o que dá tempo real para se preparar em vez de reagir depois que a vaga já não existe mais.

Fonte original

Bloomberg

bloomberg.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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