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CEOs lideram a agenda de IA no Brasil, mas governança gera atrito

Pesquisa com 400 executivos no Brasil mostra o CEO como maior influenciador das decisões de IA, mas a divisão de papéis entre CIO e CAIO gera atrito.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
CEOs lideram a agenda de IA no Brasil, mas governança gera atrito
Foto: Mural by João Eduardo, photo by Wilfredor (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

No Brasil, quem mais influencia as decisões sobre inteligência artificial nas empresas é o CEO, mas a relação entre as áreas que cuidam de tecnologia e de IA ainda gera atrito. A conclusão vem do Global CIO Survey 2026 da Thoughtworks, divulgada em 7 de outubro em um comunicado distribuído pela PR Newswire.

O estudo, intitulado "Who Governs Enterprise AI?" (quem governa a IA nas empresas), foi conduzido pela Censuswide com 3.200 executivos de tecnologia em dez países, sendo 400 deles no Brasil. Os dados são de uma pesquisa encomendada pela própria consultoria, e o comunicado trata CIOs e outros líderes seniores de tecnologia como grupo respondente.

O que a pesquisa encontrou no Brasil

O dado de maior destaque é a influência dos CEOs. Segundo o levantamento, 39,8% das empresas brasileiras apontam o CEO como principal influenciador das decisões de IA, o maior índice entre os países pesquisados, contra uma média global de 23,1%. Em 25,8% das organizações brasileiras, os orçamentos de IA são geridos diretamente pelas áreas de negócio, enquanto a média global é de 20%.

Também chama atenção o cargo de Chief AI Officer, o CAIO, responsável por IA na empresa. No Brasil, 72% das empresas já têm essa função, contra 70% no mundo, e outros 26% das empresas globais planejam criá-la. Só que a convivência entre CIO e CAIO não é simples: 35,8% das empresas brasileiras dizem que essa relação gera atrito ou indefinição de responsabilidades, o maior índice da pesquisa, contra 28,9% na média global.

  • CEO como principal influenciador: 39,8% no Brasil, contra 23,1% na média global.
  • Orçamento de IA gerido pelas áreas de negócio: 25,8% no Brasil, contra 20% no mundo.
  • Empresas com CAIO: 72% no Brasil e 70% no mundo.
  • Atrito entre CIO e CAIO: 35,8% no Brasil, contra 28,9% no mundo.

Quem se sente responsável quando algo dá errado

Outro bloco da pesquisa trata de responsabilização. No Brasil, 34,5% dos líderes de tecnologia se sentem responsáveis por incidentes de segurança com IA, e 31,5% pelos impactos na força de trabalho. Segundo o comunicado, são os menores índices entre os países analisados. Globalmente, cerca de 37% se sentem responsáveis por incidentes de segurança, 35% por violações de privacidade e 34% por danos à reputação.

Ao mesmo tempo, os brasileiros se dizem confiantes: 64,8% dos CIOs do país afirmam estar muito preparados para governar IA, contra 53,4% na média global. O contraste entre confiança alta e responsabilização baixa é um dos pontos que a pesquisa deixa em aberto, e vale lê-lo como autodeclaração dos executivos, não como medida independente de maturidade.

O que a pesquisa diz sobre capacitação e ritmo

Na capacitação, o Brasil aparece atrás. Globalmente, 24% dos CIOs investem em formação de profissionais de tecnologia e 15% em toda a força de trabalho. No Brasil, apenas 12,2% investem em qualificação. No cenário global, 88% dos executivos dizem que a adoção de IA avança mais rápido do que as estruturas de governança, e 90% acreditam que as áreas centrais de TI continuarão sendo responsabilizadas por falhas de segurança ou de conformidade em ferramentas de IA compradas por outras áreas. Também no mundo, 89% dos CIOs afirmam ser mais responsáveis pelo redesenho de fluxos de trabalho do que pela infraestrutura de TI.

Alexey Bôas, CTO regional da Thoughtworks para a América Latina, avalia que o protagonismo dos CEOs é um sinal positivo, porque mostra que as decisões sobre IA são tratadas como parte da estratégia de negócios. Para ele, o próximo passo é transformar o entusiasmo pela tecnologia em governança efetiva. É a leitura de uma empresa que vende consultoria na área, e deve ser lida nesse contexto.

Por que isso importa para você

A pesquisa trata de grandes empresas, mas o problema que ela descreve aparece em qualquer negócio: quando ninguém é claramente responsável pela IA, as ferramentas entram por iniciativa de cada área, os gastos se espalham e os riscos de privacidade e segurança ficam sem dono. Em uma pequena empresa, a solução não precisa de um cargo novo. Basta nomear uma pessoa para decidir quais ferramentas entram, quem as paga e quais dados podem ser usados.

O checklist para escolher uma ferramenta de IA com segurança pode servir de roteiro para essa pessoa, e o texto sobre como times pequenos competem com grandes empresas usando IA mostra que, com poucas regras claras, uma equipe enxuta também consegue usar IA com consistência. Para quem quer assumir esse papel dentro da empresa mesmo sem ser da área de tecnologia, vale ler o artigo sobre como se tornar referência em IA na empresa sem ser do TI.

O dado sobre capacitação também merece atenção. Se só 12,2% investem em qualificação, a diferença está no que as pessoas fazem com a ferramenta, não na ferramenta em si. Treinar a equipe para usar IA com critério, revisar resultados e proteger dados costuma render mais do que trocar de plataforma. O guia sobre gestão de equipe com IA, escala e tarefas em pequenos negócios traz ideias para organizar isso no dia a dia.

Por fim, o tema da responsabilidade se conecta ao debate regulatório. Quando a lei cobrar prestação de contas sobre sistemas de IA, empresas com papéis definidos estarão mais preparadas. O guia sobre a lei de IA no Brasil e o que muda para quem usa explica o estágio da discussão, e a notícia sobre o crescimento do uso de IA no trabalho em plataformas corporativas mostra por que a governança precisa acompanhar o ritmo do uso.

O que observar a seguir

Três pontos merecem acompanhamento. O primeiro é se as empresas brasileiras reduzem o atrito entre CIO e CAIO com papéis mais claros, o que a própria pesquisa aponta como o desafio central. O segundo é o investimento em capacitação, hoje baixo no país segundo o levantamento. O terceiro é a metodologia: como o estudo foi encomendado por uma consultoria e se baseia no que os executivos declaram, pesquisas independentes e dados de uso real ajudam a testar se a confiança relatada se traduz em governança na prática.

Leia com cautela

Os números vêm de uma pesquisa da Thoughtworks, conduzida pela Censuswide com 3.200 executivos, 400 no Brasil, e refletem o que os respondentes declararam. O comunicado é da própria empresa, que oferece serviços na área.

Fonte original

Thoughtworks (PR Newswire)

prnewswire.com

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Perguntas frequentes

Que o CEO é o principal influenciador das decisões de IA em 39,8% das empresas brasileiras, o maior índice entre os países pesquisados, e que 35,8% relatam atrito entre CIO e CAIO, também o maior índice.
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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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