Uso de IA no trabalho cresce 183% em 2026 em plataforma corporativa
Dados da Luria mostram 183% mais pessoas usando IA no trabalho e 240% mais consultas em 2026. O levantamento não é pesquisa de mercado sobre adoção no Brasil.

O número de pessoas que usam inteligência artificial no trabalho cresceu 183% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, e o volume mensal de consultas subiu 240%. Os dados são da Luria, empresa que oferece uma plataforma de IA para clientes corporativos, e foram divulgados em reportagem do Olhar Digital em 7 de outubro.
Vale ler o número com cuidado. O levantamento usa dados agregados e anonimizados do uso da própria plataforma da Luria, em empresas clientes dos setores de energia, farmacêutico, serviços financeiros e varejo. A empresa afirma que não usou informações individuais de empresas ou usuários, e a própria reportagem deixa claro que não se trata de uma pesquisa de mercado sobre a adoção de IA no Brasil.
O que os dados da Luria mostram
O crescimento não foi constante. Segundo a reportagem, o uso ficou estável em abril e depois deu dois saltos, um em maio e outro em agosto. A comparação considera usuários deduplicados de clientes ativos, nas duas versões do produto, e exclui ambientes internos e contas da própria Luria.
- Pessoas usando IA no trabalho: alta de 183% de janeiro a agosto de 2026 contra 2025.
- Consultas por mês: alta de 240% no mesmo período.
- Frequência: metade dos usuários faz três ou mais consultas por dia de uso.
Os dados também mostram como o uso se espalha pelo dia. Os picos acontecem às 11h e às 15h, cada um com cerca de 11% das consultas diárias. Entre 14h e 18h concentram-se 41% das consultas, e entre 9h e 12h, 29%. No almoço, o volume cai pela metade e volta a subir por volta das 14h30. Terça e quinta são os dias de maior uso, e a sexta tem o menor volume entre os dias úteis.
Uso mais espalhado pelo expediente
Em relação a 2025, os picos ficaram menos concentrados: o das 11h caiu de 13,1% para 11,6% das consultas, e o das 15h, de 13,5% para 11,3%. O uso também começou mais cedo, já nas primeiras horas da manhã. A leitura da reportagem é que a IA passou a acompanhar uma parcela maior da jornada, em vez de aparecer só em momentos pontuais.
Isso combina com uma mudança de hábito que muita gente já percebe: em vez de abrir a ferramenta para uma tarefa específica, as pessoas passam a consultá-la ao longo do dia, para rascunhar mensagens, resumir documentos e organizar a agenda. Quem quer estruturar esse uso pode começar pelo guia de automação com IA para economizar horas de trabalho.
Adoção não é o mesmo que incorporação
A reportagem traz outros dados, de fontes diferentes, para separar adotar de incorporar. No Brasil, metade das grandes empresas usava IA em 2025, segundo a pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br. No mundo, quase nove em cada dez organizações dizem usar IA em alguma função, mas só 44% conseguiram expandi-la para a empresa toda, e apenas 6% são classificadas como de alto desempenho, de acordo com o relatório State of AI 2026, da McKinsey. E, segundo a Deloitte, 23% das empresas brasileiras levaram adiante pelo menos 40% dos projetos-piloto que iniciaram.
Allan Miranda, CEO da Luria, argumenta que a questão central é o que permanece na empresa depois do uso da IA, e não qual modelo foi escolhido, já que os modelos mudam a cada seis meses. Segundo ele, quando as interações são tratadas como conversas descartáveis, a empresa precisa recomeçar o processo a cada ciclo, e registrar essas interações pode preservar o conhecimento gerado dentro da organização. É uma visão de quem vende a plataforma, e deve ser lida assim.
Por que isso importa para você
Para um pequeno negócio, o recado prático é que usar IA todo dia não basta: o ganho aparece quando o uso vira rotina documentada. Isso significa guardar os prompts que funcionam, definir quem revisa o quê e escolher um ou dois processos para repetir, em vez de testar dez ferramentas ao mesmo tempo. O texto sobre como times pequenos competem com grandes empresas usando IA mostra exemplos de como começar com poucos recursos.
Também vale cuidar de custos e escolhas de ferramenta. Com mais gente usando e mais consultas por dia, o gasto tende a subir, e decidir entre plano gratuito e pago passa a ser conta de orçamento. O guia IA grátis ou paga: o que vale a pena assinar ajuda a fazer essa conta, e o checklist para escolher uma ferramenta de IA com segurança lembra dos pontos de privacidade que importam quando a equipe inteira passa a usar.
Para quem gerencia pessoas, o dado sobre horários também é útil: a IA virou parte do dia de trabalho, e isso muda como organizar tarefas e prazos. O artigo sobre gestão de equipe com IA, escala e tarefas em pequenos negócios traz ideias para distribuir o trabalho considerando esse novo ritmo.
O que observar a seguir
Dois pontos merecem atenção. O primeiro é a diferença entre números de uso e números de resultado: crescimento de consultas diz pouco sobre ganho de produtividade, e a própria reportagem aponta que o desafio é transformar uso em capacidade permanente da empresa. O segundo é a origem dos dados: levantamentos de plataformas medem seus clientes, que tendem a ser empresas mais avançadas, então não representam o conjunto das empresas brasileiras. Pesquisas amplas, como a TIC Empresas, continuam sendo a melhor referência para o retrato geral, e vale comparar as duas leituras antes de tirar conclusões.
Os 183% e os 240% vêm de dados de uso da plataforma da própria Luria em empresas clientes, não de uma pesquisa sobre a adoção de IA no Brasil, segundo o Olhar Digital.
Fonte original
Olhar Digital
olhardigital.com.br
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

