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Juiz manda Anthropic responder ação sobre uso prometido no Claude Max

Tribunal da Califórnia mantém parte da ação coletiva que acusa a Anthropic de vender 5x e 20x mais uso nos planos Max e entregar bem menos na semana.

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Juiz manda Anthropic responder ação sobre uso prometido no Claude Max
Foto: https://brandfetch.com/anthropic.com?view=library&library=default&collection=logos&asset=idBLFXf2oS (CC0) / Wikimedia Commons

A Anthropic vai ter de se defender na Justiça dos Estados Unidos da acusação de que vendeu os planos Max do Claude prometendo mais uso do que de fato entregava. Na sexta-feira, 6 de novembro de 2026, o juiz Alex Tse, do Tribunal Distrital Federal do Norte da Califórnia, rejeitou o pedido da empresa para encerrar o caso por inteiro e manteve de pé parte das acusações de uma ação coletiva aberta em junho. A decisão foi noticiada pelo Courthouse News e repercutida no sábado pelo The Next Web.

O caso interessa diretamente a quem paga caro por uma assinatura de IA para trabalhar, inclusive no Brasil, onde o Claude é cobrado em dólar no cartão. A pergunta de fundo é simples: quando uma empresa de IA diz que um plano dá "20 vezes mais uso", o que exatamente ela está prometendo? É uma das primeiras vezes que um tribunal olha com atenção para essa conta, e a resposta inicial não foi boa para a Anthropic.

O que diz a ação contra a Anthropic

O processo se chama Kahn v. Anthropic e foi aberto em junho por dois clientes, Karl Kahn e Solomon Smith. Ele mira os planos que, na época, se chamavam Max 5x, de US$ 100 por mês, e Max 20x, de US$ 200 por mês. A propaganda dizia que eles davam 5 ou 20 vezes mais uso do que o plano Pro, que custa cerca de US$ 20 por mês.

Segundo os autores, a conta não fecha quando se olha a semana inteira. Os multiplicadores de 5x e 20x valem para cada sessão de cinco horas, mas o limite semanal, que a Anthropic passou a aplicar em 2025, não cresce na mesma proporção. Pelos cálculos dos clientes, para um dos modelos do Claude, o plano de US$ 200 entrega algo perto de 6 vezes o uso semanal do Pro, e o de US$ 100, cerca de 3,5 vezes. Bem longe de 20 e de 5.

Quando a ação foi aberta, o The Next Web contou que Kahn, morador de Washington, assinou o Max 20x em abril e relatou que uma única sessão de cinco horas consumiu 15% da franquia da semana, o que o fez bater no teto pouco depois de pagar. Os autores pedem reembolso aos assinantes, que o tribunal declare a propaganda enganosa e que o caso valha para todos que compraram esses planos desde abril de 2025. Vale lembrar: as alegações ainda não foram provadas e nenhum grupo de consumidores foi reconhecido formalmente pelo tribunal até agora.

O que o juiz decidiu

A defesa da Anthropic foi a de que o cliente deveria entender o "mais uso" como algo que vale por sessão, e não por semana ou por mês. A empresa apontou uma página de ajuda que explica esse detalhe. O juiz não se convenceu. Na decisão, ele escreveu, em tradução livre, que a explicação da Anthropic sobre o uso por sessão "fica a dois links de distância das páginas principais de venda em claude.com".

O raciocínio do juiz é fácil de acompanhar: como o cliente paga por mês, é razoável que ele leia a promessa de 20 vezes mais uso como algo que vale para o mês inteiro. Se a regra que muda tudo está numa página de ajuda, longe da oferta, ela não basta para corrigir o que o anúncio dá a entender.

A decisão, porém, não foi uma vitória completa dos consumidores. O tribunal manteve três frentes:

  • Declaração enganosa por negligência, ou seja, a acusação de que a empresa informou algo errado sem o devido cuidado.
  • Quebra de contrato, pela diferença entre o que foi vendido e o que foi entregue.
  • A queixa de Solomon Smith com base numa lei estadual de defesa do consumidor.

Por outro lado, o juiz derrubou as acusações apoiadas em duas leis da Califórnia sobre práticas comerciais desleais e propaganda enganosa, e também a queixa de Kahn com base na lei de consumo, que poderá ser reapresentada com mais detalhes. Ele ainda rejeitou a tese de que a Anthropic agiu de forma desleal ao apertar os limites de uso no meio do período de cobrança. Segundo o Courthouse News, nem a Anthropic nem os autores comentaram a decisão até a publicação da reportagem.

O pano de fundo: planos renomeados uma semana antes

A decisão chega poucos dias depois de a própria Anthropic mexer nos nomes desses planos. Como mostramos no dia 1º de novembro, o Max 5x passou a se chamar apenas Max, e o Max 20x virou Ultra, sem o limite de cinco horas para contas verificadas. O detalhe que chamou atenção na época foi que a página de preços passou a descrever o Ultra como 10 vezes o uso semanal do Pro, e não mais 20 vezes.

Não dá para afirmar que a troca de nomes tem relação com o processo: a empresa não disse isso, e a mudança pode ter outros motivos. O que se pode dizer é que a nova descrição, com ênfase no uso semanal, fica mais próxima da forma de medir que os autores da ação defendem. Para quem acompanha o mercado, também é um sinal de que a forma de vender "franquia de uso" de IA está sob pressão, num momento em que as empresas disputam assinantes com aumentos de limite e pacotes cada vez mais complexos.

Por que isso importa para você

Quem usa IA para trabalhar no Brasil paga essas assinaturas em dólar, com IOF no cartão, e muitas vezes escolhe o plano mais caro justamente por causa da promessa de mais uso. Se o multiplicador anunciado não vale para a semana, a conta de custo-benefício muda bastante: pagar 10 vezes o preço do Pro por algo como 6 vezes o uso semanal é bem diferente de pagar 10 vezes por 20.

A decisão americana não vale no Brasil, mas o princípio em discussão conversa com o Código de Defesa do Consumidor, que exige informação clara e adequada sobre o que está sendo vendido. Uma regra essencial guardada numa página de ajuda é exatamente o tipo de coisa que costuma gerar reclamação por aqui também. Algumas atitudes práticas para não ser pego de surpresa:

  • Leia o limite semanal, não só o da sessão. Antes de subir de plano, procure na página de ajuda quanto da franquia da semana uma sessão longa consome.
  • Teste com o plano menor. Use o Pro por algumas semanas e veja se você realmente esbarra no teto antes de pagar US$ 100 ou US$ 200.
  • Anote o seu consumo. Registre por alguns dias em que momento você bate no limite, para ter uma base real de comparação entre planos.
  • Guarde prints da oferta. Se a promessa do anúncio mudar depois da compra, a captura de tela da página de venda é a sua prova.
  • Compare com as alternativas. O nosso guia ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher ajuda a ver se outro serviço atende melhor ao seu volume de uso.

Quem já assina o Max pode conferir também os créditos de API incluídos no plano, que às vezes compensam parte do limite do chat. E vale revisar de tempos em tempos as assinaturas que você mantém: o artigo sobre assinaturas esquecidas na fatura do cartão mostra como fazer isso sem expor dados sensíveis.

O que acontece agora

Com a decisão, o processo segue adiante nas acusações que sobreviveram, e as partes passam à fase de troca de documentos e provas. Kahn pode reapresentar a queixa de consumo que foi derrubada, desde que traga mais detalhes. Ainda não há data para julgamento, e o tribunal também não decidiu se o caso vai valer como ação coletiva para todos os assinantes, um passo que costuma ser decisivo em processos desse tipo nos Estados Unidos.

O caso pode terminar em acordo, como acontece com frequência, ou avançar até uma decisão final. Em qualquer cenário, ele cria um precedente incômodo para todo o setor: OpenAI, Google e outras empresas também vendem planos com limites medidos em janelas de horas e de semanas, com multiplicadores que nem sempre são fáceis de entender. Vamos acompanhar os próximos passos e atualizar o leitor quando houver novidade relevante.

Fonte original

The Next Web, Courthouse News

thenextweb.com

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Perguntas frequentes

Não. O juiz apenas rejeitou o pedido para encerrar o caso e manteve parte das acusações. Reembolso só pode vir de um acordo ou de uma decisão final, que ainda não existe.
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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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