Manus capta mais de US$ 500 milhões após o fim do acordo com a Meta
A dona do agente Manus anunciou mais de US$ 500 milhões em rodada liderada por Boyu e IDG, a primeira desde o fim do acordo de US$ 2 bi com a Meta.
A Butterfly Effect, empresa por trás do agente de inteligência artificial Manus, anunciou nesta quinta-feira (8) uma rodada de mais de US$ 500 milhões. É a primeira captação desde que a compra da startup pela Meta, de US$ 2 bilhões, foi desfeita, segundo a TechCrunch. O anúncio foi feito em uma publicação no WeChat.
A rodada foi liderada pela Boyu Capital e pela IDG Capital, com participação de acionistas atuais como a Tencent, a HSG (antiga Sequoia China) e a ZhenFund. O valor da empresa não foi divulgado, e a Manus não respondeu à pergunta da reportagem sobre isso. Em setembro, havia relatos de que ela negociava captar US$ 500 milhões com avaliação de US$ 4 bilhões, mas o número não foi confirmado agora.
A história do acordo com a Meta
A Manus ficou conhecida em 2025, depois de uma demonstração viral de seu agente de IA, capaz de executar tarefas de forma autônoma. Em meados de 2025, mudou sua equipe para Singapura e, em dezembro de 2025, anunciou a venda para a Meta por US$ 2 bilhões. Na época, a startup teria receita anual recorrente acima de US$ 100 milhões, segundo relatos citados pela reportagem.
Em abril de 2026, as autoridades chinesas mandaram desfazer o negócio, em meio à preocupação de que o país perdesse talentos e pesquisadores de IA para o Ocidente. Em agosto, a Manus voltou a operar de forma independente e disse que precisou apagar parte dos dados de usuários como consequência da separação. A empresa afirma que vai continuar contratando na China e no exterior.
- Valor da rodada: mais de US$ 500 milhões, anunciada em 8 de outubro.
- Líderes: Boyu Capital e IDG Capital.
- Acionistas atuais: Tencent, HSG, ZhenFund e outros.
- Avaliação: não divulgada.
- Possível IPO: a empresa estaria considerando abrir capital em Hong Kong, segundo relatos.
O que a Manus faz hoje
Segundo a reportagem, a Manus desenvolve produtos e agentes de IA comparáveis aos de empresas como Cursor, Lovable e Replit, incluindo um chatbot e ferramentas para criar aplicativos e sites, gerar designs e apresentações e produzir vídeos. O Manus 2.0 teria uma nova arquitetura, novos produtos e uma nova estrutura de execução. A empresa também lançou o Cue, um aplicativo independente em que agentes pessoais ganham o próprio e-mail, número de telefone, carteira digital e computador, e podem se comunicar, executar tarefas entre serviços e fazer pagamentos dentro de limites definidos pelo usuário.
Já cobrimos aqui o lançamento do Cue, o agente pessoal com telefone e carteira. A reportagem não informa número de usuários nem receita atual, o que impede avaliar o tamanho do negócio hoje.
Por que isso importa para você
A notícia mostra que o mercado de agentes de IA continua atraindo capital grande mesmo depois de uma disputa regulatória que quase desmontou uma empresa. Para quem usa ou pensa em usar agentes no trabalho, é um sinal de que a categoria deve seguir evoluindo rápido, com novos recursos e preços. Também é um lembrete de risco: a Manus teve de apagar dados de usuários por causa da separação com a Meta, o que mostra que o que acontece com o fornecedor pode afetar as informações que você deixou na ferramenta.
Na prática, vale tratar agentes como qualquer fornecedor de software crítico: saber onde ficam os dados, ter cópia do que importa e evitar depender de uma única ferramenta para processos essenciais. O checklist para escolher uma ferramenta de IA com segurança traz perguntas objetivas sobre dados e continuidade do serviço. E, para entender o que muda quando agentes passam a agir e pagar por você, vale ler o artigo sobre agentes de IA comprando por você no comércio.
Quem quer enxergar oportunidade no tema pode se informar sobre como ganhar dinheiro criando e vendendo agentes de IA personalizados, sem esquecer que o interesse dos investidores por grandes empresas de agentes não garante demanda para quem vende serviços nessa área. O texto sobre agentes de IA e o futuro do trabalho autônomo ajuda a pensar como esse tipo de ferramenta pode entrar na rotina sem promessas fáceis.
Perguntas práticas antes de adotar um agente
Independentemente do tamanho do fornecedor, algumas perguntas simples ajudam a decidir se vale entregar tarefas a um agente de IA. Elas não vêm da reportagem, são uma sugestão de roteiro para quem avalia esse tipo de ferramenta.
- Que dados o agente acessa? E-mail, agenda, arquivos e meios de pagamento exigem mais cuidado do que um chat comum.
- Existe limite para pagamentos e ações? Prefira ferramentas que permitam definir valores máximos e exigir confirmação.
- É possível exportar e apagar seus dados? Isso reduz o risco se o fornecedor mudar de dono, de país ou de regras.
- O que acontece se o serviço sair do ar? Mantenha uma forma manual de fazer o essencial.
Começar com tarefas de baixo risco, como pesquisa e rascunhos, e só depois liberar ações que gastam dinheiro ou enviam mensagens em seu nome, é um caminho mais seguro do que ativar tudo de uma vez.
O que observar a seguir
Três pontos merecem acompanhamento. O primeiro é a avaliação da Manus, que não foi divulgada e deve aparecer em relatos nas próximas semanas, assim como a eventual abertura de capital em Hong Kong, que por enquanto é só uma possibilidade reportada. O segundo é como a empresa vai crescer fora da China depois do episódio com a Meta, já que a decisão das autoridades mostra que a localização de equipe e de dados pesa nos negócios de IA. O terceiro é a evolução do Cue e de outros agentes que agem e pagam por conta do usuário, em que as regras de segurança e responsabilidade ainda estão em formação.
O valor de mais de US$ 500 milhões foi anunciado pela própria empresa. A avaliação de US$ 4 bilhões citada em setembro foi apenas um relato de negociação, e a possibilidade de IPO em Hong Kong também é reportada, não confirmada, segundo a TechCrunch.
Fonte original
TechCrunch
techcrunch.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

