Pesquisa: para gerentes, avaliar o time ficou mais difícil depois da IA
Levantamento da Nielsen para a Monday.com ouviu 1.700 líderes: mais da metade diz que julgar o trabalho da equipe ficou mais complicado com a adoção de IA.

A promessa de que a inteligência artificial deixaria o trabalho mais leve ainda não chegou para quem gerencia pessoas. É o que indica uma pesquisa da Nielsen, encomendada pela empresa de gestão de trabalho Monday.com, e divulgada nesta quarta-feira (21). O levantamento ouviu 1.700 diretores e gerentes seniores em sete países e mostra um retrato curioso: quase todos estão animados com a tecnologia, mas a rotina de liderar ficou mais trabalhosa.
Segundo a reportagem do TechCrunch, que detalhou os números do estudo, mais da metade dos líderes afirma que avaliar o trabalho dos funcionários ficou mais difícil desde que a IA entrou no dia a dia. Quase metade diz gastar mais tempo revisando e orientando o que a equipe entrega do que gastava antes.
O que a pesquisa encontrou
O dado de entusiasmo é alto: 94% dos gerentes dizem estar animados para melhorar o trabalho com IA. Mesmo assim, o entusiasmo convive com atrito prático. Quando uma parte do texto, da planilha ou do código foi gerada por uma ferramenta, o gestor precisa descobrir o que é contribuição da pessoa, o que é da máquina e se o resultado está correto. Revisar passou a exigir mais atenção, não menos.
Outro número chama atenção: 78% dos entrevistados mudaram a forma de avaliar funcionários. Agora entram na conta habilidades como saber escrever bons comandos (os chamados prompts), decidir o que delegar para a IA e o que fazer à mão, e a disposição de experimentar. Ou seja, o critério de desempenho está sendo reescrito enquanto o jogo acontece.
A pesquisa também aponta que 46% dos líderes usam IA para ajudar em decisões sobre pessoas, e 39% a usam para rascunhar avaliações de desempenho. A própria reportagem lembra que isso pode introduzir viés, citando estudos do Instituto Luxemburguês de Pesquisa Socioeconômica e um artigo de 2025 na revista PNAS Nexus. Segundo Michal Miller Levi, responsável por pesquisa de mercado da Monday.com, as empresas ainda não descobriram como lidar com vieses externos nesse tipo de avaliação assistida por IA.
Ferramentas demais, organização de menos
O estudo mostra ainda um problema de bagunça tecnológica. 57% dos líderes afirmam que suas empresas têm mais ferramentas de IA em circulação do que antes, e 51% dizem que essas ferramentas estão mais interdependentes e agrupadas, o que dificulta mexer em uma sem afetar outra. Só 29% descrevem sua infraestrutura de IA como totalmente otimizada e centralizada.
Nas palavras de Levi, "a IA está andando mais rápido do que os processos da organização". Mais de 50% dos entrevistados disseram usar mais ferramentas agora do que no ano anterior. Para o dia a dia, isso significa mais logins, mais regras diferentes de uso e mais chance de dois colegas fazerem a mesma tarefa por caminhos incompatíveis.
Gerentes de agentes: um futuro que já está no radar
Talvez o número mais forte do estudo seja este: 58% dos líderes esperam supervisionar mais agentes de IA do que funcionários humanos dentro de um ano. Ao mesmo tempo, 46% temem perder o controle sobre o que esses agentes fazem, e 35% têm receio de ser responsabilizados por decisões tomadas pela IA. Segundo Levi, os gestores não querem agentes totalmente autônomos: querem humanos envolvidos nas decisões importantes.
Esse receio conversa com outras notícias recentes. A Workday, por exemplo, quer cobrar seus agentes por uso, tratando-os como parte do orçamento de mão de obra, como mostramos em nossa cobertura sobre a cobrança por uso de agentes. E o relatório da empresa de que a IA muda as vagas mais do que corta empregos, que comentamos em outra matéria, aponta na mesma direção: o trabalho não some, ele muda de forma, e quem lidera sente primeiro.
Ressalvas importantes sobre os números
Vale ler o estudo com cuidado. A pesquisa foi encomendada por uma empresa que vende software de gestão de trabalho, a Monday.com, e foi feita com diretores e gerentes seniores, um grupo que não representa todo o mercado. Os dados também são declaratórios: refletem o que os líderes dizem perceber, não uma medição objetiva de tempo gasto. Ainda assim, o conjunto de respostas é coerente e ajuda a entender uma tensão real nas empresas.
Por que isso importa para você
Se você é funcionário, o recado é que o critério de avaliação está mudando. Saber usar IA com critério, explicar o que foi feito por você e o que foi apoiado pela ferramenta, e revisar o que ela entrega passou a pesar. Quem consegue mostrar processo e qualidade, e não só volume, tende a se destacar. Vale a pena olhar nosso guia sobre como se preparar para as profissões que a IA vai transformar.
Se você lidera uma equipe, ou tem um pequeno negócio com colaboradores, o estudo sugere três cuidados práticos. Primeiro, combinar regras claras de uso de IA, para que todos saibam o que pode e o que não pode ser delegado. Segundo, não terceirizar para a máquina decisões sobre pessoas, como promoções e avaliações, sem revisão humana, por causa do risco de viés. Terceiro, reduzir a quantidade de ferramentas: menos aplicativos, bem escolhidos, costumam render mais do que uma coleção que ninguém domina. Para organizar isso, o texto como humanos e agentes de IA vão trabalhar juntos é um bom ponto de partida.
Quem trabalha por conta própria também sente o efeito, porque clientes passam a esperar entregas mais rápidas e a questionar o que foi feito com IA. Documentar seu processo e ser transparente com o cliente ajuda a ganhar confiança. Se a ideia é automatizar partes da rotina sem perder o controle, veja como economizar horas de trabalho com automação, e para quem quer transformar o domínio de agentes em renda, como criar e vender agentes de IA personalizados.
A lição de fundo é simples: produtividade com IA não vem de graça. Ela depende de processo, de critérios claros e de gente que saiba revisar. Quem entender isso antes dos outros leva vantagem, seja como líder ou como profissional.
Reportagem do TechCrunch, de 21 de outubro de 2026, sobre pesquisa da Nielsen encomendada pela Monday.com.
Fonte original
TechCrunch
techcrunch.com

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

