Anthropic usa IA para entrevistar usuários do Claude em nova pesquisa
Estudo roda até 6 de outubro, dá a opção de publicar a entrevista completa e deve orientar a agenda de pesquisa da empresa sobre impacto social da IA.
A Anthropic abriu nesta semana uma nova rodada do estudo "What Do You Want from AI?" (O que você quer da IA?), que roda de 29 de setembro a 6 de outubro de 2026 e convida usuários do Claude a participar de uma entrevista conduzida pelo próprio Claude sobre suas experiências com inteligência artificial. Segundo a página oficial da pesquisa, podem participar contas Free, Pro e Max com pelo menos duas semanas de uso, e a entrevista dura cerca de 15 minutos.
A ferramenta usada para conduzir as conversas se chama Anthropic Interviewer, um sistema construído sobre o Claude que faz perguntas abertas como quais foram os momentos mais marcantes, positivos ou negativos, que o participante já teve usando IA, o que gostaria que mudasse em áreas como trabalho, escola, saúde ou governo com a ajuda de inteligência artificial, e o que espera das empresas que desenvolvem esses sistemas. O diferencial da edição atual é que, pela primeira vez, cada participante pode escolher tornar sua entrevista pública, permitindo que qualquer pessoa, não só pesquisadores da Anthropic, leia as respostas completas depois.
Uma segunda edição, agora maior e mais aberta
Essa não é a primeira vez que a Anthropic tenta captar a opinião de usuários em larga escala. Em dezembro de 2025 a empresa rodou uma versão anterior do mesmo estudo, que reuniu 81 mil respostas sobre esperanças e preocupações com IA. Os resultados daquela rodada não ficaram engavetados: ajudaram a moldar a agenda de pesquisa do recém-criado Anthropic Institute, braço da empresa dedicado a entender os efeitos sociais e econômicos da IA, e foram apresentados a líderes internacionais no Fórum Econômico Mundial.
A escala da conversa também chama atenção pelo método. Em vez de um formulário fechado com escalas de 1 a 5, a Anthropic optou por deixar o próprio Claude conduzir uma entrevista qualitativa, ajustando as perguntas de acompanhamento conforme o participante responde. É uma abordagem que usa a própria tecnologia sendo estudada como ferramenta de coleta, algo que outras empresas de IA generativa, como OpenAI e Google, ainda não replicaram publicamente nessa escala com pesquisa de opinião de usuários.
O convite vale para contas Free, Pro e Max do Claude com pelo menos duas semanas de antiguidade. A entrevista leva cerca de 15 minutos e fica disponível até 6 de outubro de 2026. Ao final, o participante decide se quer manter a resposta privada ou publicá-la para consulta pública.
Por que isso importa para você
Se você usa o Claude no trabalho, para empreender ou para automatizar tarefas do dia a dia, essa pesquisa é uma chance real de influenciar decisões de produto e de política da empresa antes que elas sejam tomadas, não depois. Companhias de IA costumam divulgar mudanças já prontas; aqui a lógica é inversa, a Anthropic está coletando o que usuários brasileiros e de outros países relatam sobre uso real da ferramenta antes de decidir onde investir. Quem já passou por uma experiência marcante, boa ou ruim, usando o Claude como assistente pessoal ou em tarefas de negócio tem agora um canal direto para registrar isso.
Vale também pensar com cuidado antes de tornar a entrevista pública. Uma conversa de 15 minutos sobre "momentos marcantes com IA" pode acabar revelando detalhes sobre rotina de trabalho, decisões financeiras ou situações pessoais que você não pretendia compartilhar com qualquer pessoa que acesse o link depois. Já tratamos desse ponto em detalhe no artigo sobre o que você entrega sem perceber ao usar IA, e o mesmo raciocínio vale aqui: antes de marcar a opção de tornar a entrevista pública, pense no que vai falar como se estivesse escrevendo um post público, porque é exatamente isso que a opção faz.
O que observar nas próximas semanas
A julgar pela rodada de dezembro de 2025, é provável que a Anthropic publique um relatório consolidado com os principais temas levantados pelos participantes nas semanas seguintes ao encerramento do estudo, em 6 de outubro. Vale acompanhar se esse relatório aponta preocupações concentradas em algum ponto específico, como segurança de dados, dependência excessiva da ferramenta ou impacto no emprego, porque esse tipo de sinal costuma anteceder mudanças de política da empresa, como limites de uso, novos avisos dentro do produto ou ajustes em como o Claude lida com temas sensíveis.
Também é um bom momento para comparar esse tipo de iniciativa com o que a concorrência está fazendo. A Anthropic tem investido de forma mais visível em pesquisa sobre impacto social da IA do que rivais diretas, o que já apareceu em outras frentes recentes da empresa, como no lançamento do Claude Marketplace, com regras mais abertas para desenvolvedores terceiros, e no relatório de ameaças que a empresa publica periodicamente sobre uso malicioso de modelos de IA de outros fornecedores. Se você usa mais de uma IA no dia a dia e ainda está decidindo qual vale mais a pena para seu caso, esse tipo de diferença de postura entre empresas é um critério a mais para colocar na balança, além de preço e recursos técnicos.
Vale lembrar que esse tipo de pesquisa de opinião não é um exercício isolado de marketing. A Anthropic vem repetindo, em diferentes formatos, que quer que decisões de produto e de política pública sobre IA sejam informadas por dados reais de uso, em vez de suposições internas sobre o que usuários querem. Isso ficou claro também na forma como a empresa lida com discussões regulatórias ao redor do mundo, incluindo no Brasil, onde reguladores e empresas de tecnologia ainda estão definindo como equilibrar inovação com proteção de dados de quem usa essas ferramentas no dia a dia.
Para quem acompanha o setor de perto, faz sentido guardar o link da pesquisa e voltar a ele depois de 6 de outubro, quando a Anthropic deve consolidar os resultados. Comparar o que sai desse relatório com o que a empresa já disse publicamente sobre segurança, uso indevido e limites de agentes autônomos é uma forma prática de entender se a companhia está realmente ajustando o produto com base no que os usuários relatam, ou se a pesquisa fica só no papel, como aconteceu com iniciativas parecidas de outras empresas de tecnologia no passado.
Fonte original
Anthropic
anthropic.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.