Cal AI faturou US$ 30 milhões em 2 anos com um exército de influenciadores
Fundador de 19 anos do app de calorias com IA contou no Disrupt como pagar influenciadores por alcance levou a US$ 30 milhões e à venda para o MyFitnessPal.

Zach Yadegari, fundador do Cal AI, um aplicativo de contagem de calorias movido por inteligência artificial, contou no palco do TechCrunch Disrupt como a empresa cresceu com uma estratégia simples: recrutar o maior número possível de influenciadores e pagá-los para postar. Segundo o TechCrunch, o Cal AI foi fundado em 2024, gerou mais de US$ 30 milhões em receita em dois anos e foi comprado pelo MyFitnessPal em março, por um valor não divulgado.
O fundador tem 19 anos e terminou o ensino médio há pouco tempo. Ele disse que o primeiro sinal de que o método funcionava veio quando o post de um único influenciador trouxe cerca de mil novos usuários em dois dias. A partir dali, a equipe passou a recrutar criadores "o mais rápido possível", pagando quantas pessoas conseguisse para divulgar o app.
Como funcionava o método dos influenciadores
De acordo com o relato publicado pelo TechCrunch, Yadegari descreveu o processo como uma fórmula clara e quase linear: cada post de um influenciador alcançava um certo número de pessoas, e uma parte delas se convertia em usuários. Como a conta fechava de forma previsível, bastava aumentar o número de criadores para aumentar o número de downloads, sem depender de um único vídeo viral.
A empresa negociava preços com cada criador, prometendo pagamentos por determinado nível de alcance. Muitos influenciadores, segundo o fundador, são "universitários sem dinheiro" que "só querem receber". A proposta era direta: pagamos tanto, mas você precisa entregar pelo menos esse volume de usuários e continuar postando até chegar lá. Outro ponto que ele destacou foi escolher criadores com comunidades pequenas e muito engajadas, porque o alcance deles é mais fácil de medir.
O fundador também disse que, para ele, a única razão real para fazer faculdade é aproveitar a vida social, o que arrancou risos da plateia. É uma opinião pessoal de quem teve sucesso cedo, e não um dado sobre o mercado de trabalho, mas ajuda a entender o tom da conversa.
O contexto: apps de IA competem por atenção, não só por tecnologia
O Cal AI é um exemplo de produto cuja tecnologia é relativamente acessível: reconhecer o prato numa foto e estimar calorias. O que separou o app de concorrentes, pelo relato do próprio fundador, foi a distribuição. Num mercado em que qualquer equipe pequena consegue montar um app com modelos de IA prontos, a disputa passou a ser sobre quem chega primeiro ao público, e a rede de criadores foi o canal escolhido. O desfecho, a compra pelo MyFitnessPal, uma marca tradicional do segmento, mostra que empresas estabelecidas pagam por base de usuários já conquistada.
O TechCrunch informa ainda que, no início de outubro, Yadegari lançou a Persona, uma nova startup de agentes de IA que já levantou US$ 10 milhões. Segundo ele, a missão é "tornar a computação fluida com a vida humana": o assistente pessoal deve viver "em qualquer lugar com conexão à internet", incluindo iMessage, aplicativo, e-mail e ligação telefônica, com a ideia de construir um ecossistema de hardware em volta do app. É um movimento parecido com o de outras empresas que disputam o espaço de assistente pessoal, como a Manus, tema da nossa matéria sobre o agente pessoal Cue, e a Meta e o Walmart, com o padrão para agentes de IA fazerem compras.
"Descobrimos que isso podia funcionar para nós e começamos a recrutar influenciadores o mais rápido possível", disse Yadegari, segundo o TechCrunch.
Por que isso importa para você
Para quem empreende no Brasil, a lição não é copiar um número de faturamento, e sim entender a lógica por trás dele. O Cal AI tratou a divulgação como uma conta: quanto custa um criador, quantos usuários ele entrega, quanto cada usuário paga. Com essa conta fechada, escalar virou questão de repetir o processo. Pequenos negócios que vendem produto digital, assinatura, curso ou serviço recorrente podem aplicar a mesma disciplina, mesmo com orçamento bem menor, começando por testar um criador e medir o resultado antes de contratar dez.
Também vale observar o outro lado. O caso mostra que o diferencial de um app com IA raramente é o modelo em si, já que ele está disponível para todo mundo. O diferencial costuma ser a distribuição, a marca e a confiança. Quem está montando um negócio com IA do zero deve gastar tanto tempo pensando em como o produto chega ao cliente quanto em como ele funciona. Esse raciocínio aparece no nosso guia de como criar um negócio digital usando IA do zero.
Por fim, atenção à ressalva: os números vêm do próprio fundador, em palco, e o preço da venda não foi divulgado. Sucesso de quem vendeu a empresa é um recorte, e muitos apps com a mesma estratégia não chegaram lá. Use o relato como fonte de ideias para testar, não como promessa de resultado.
Como testar uma estratégia parecida com orçamento pequeno
O primeiro passo é definir a métrica que importa. Antes de pagar qualquer criador, decida quanto você aceita gastar para conquistar um cliente e qual é o valor que esse cliente deixa ao longo do tempo. Sem isso, o influenciador vira custo sem controle. Um bom ponto de partida é combinar pagamento atrelado a resultado, como fez o Cal AI ao prometer valores por faixa de alcance, em vez de um valor fixo por post.
O segundo passo é escolher comunidades pequenas e fiéis. No Brasil, microinfluenciadores de nicho, como nutrição, finanças pessoais, artesanato ou gestão de pequenas empresas, costumam ter público mais próximo e preço menor. O fundador do Cal AI disse justamente que comunidades unidas facilitam medir o alcance, e esse princípio vale para qualquer produto. O planejamento completo da divulgação pode seguir o roteiro do artigo sobre como usar IA para planejar o marketing de uma pequena empresa.
- Defina o custo máximo aceitável por cliente antes de contratar criadores.
- Atrele o pagamento a uma meta de alcance ou de cadastros, não só a um post.
- Teste com um ou dois criadores de nicho e meça por um link ou código próprio de cada um.
- Só aumente o número de criadores quando a conta de um deles fechar.
- Combine regras claras de divulgação, com identificação de publicidade, conforme as normas de publicidade vigentes no Brasil.
Confirmado pelo TechCrunch, com base na fala do fundador: o Cal AI foi criado em 2024, passou de US$ 30 milhões em receita em dois anos e foi adquirido pelo MyFitnessPal em março. Não divulgado: o valor da compra. Os números de receita são autodeclarados e não foram auditados por terceiros no texto da fonte.
O que observar daqui para frente
O primeiro ponto a acompanhar é a Persona, a nova empresa do mesmo fundador. Assistentes pessoais de IA ainda tentam provar que as pessoas vão conversar com eles por mensagem, voz e e-mail no dia a dia, e a distribuição por criadores pode voltar a ser a arma principal. O segundo é o próprio modelo de marketing: à medida que mais apps de IA copiam a fórmula, o preço dos criadores tende a subir e o retorno por real investido tende a cair, como acontece em qualquer canal que se populariza.
Para o empreendedor brasileiro, a mensagem prática é que ideia e tecnologia contam, mas a execução comercial pesa tanto quanto. Quem valida a oferta antes de gastar com divulgação, como explicamos em como validar uma ideia de negócio com IA antes de investir, chega a essa etapa com menos risco. E quem já tem clientes pode usar a mesma lógica de forma mais barata, com um programa de indicação de clientes, que transforma o público atual no canal de divulgação.
Para a rotina, o caso reforça três hábitos: medir cada canal, testar em escala pequena e só então aumentar o investimento. O resto, inclusive a história de um fundador de 19 anos que vendeu a empresa em dois anos, é uma boa referência de ambição, mas não substitui planejamento. Quando o seu negócio tiver uma oferta clara e uma conta de aquisição que fecha, escalar com criadores passa a ser uma decisão de números, e não de aposta.
Fonte original
TechCrunch
techcrunch.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.



