Trump assina ordem que cria a 'Super Intelligence Force' e confirma Jay Clayton como czar de IA
Força-tarefa liderada por Clayton tem 120 dias para avaliar riscos e oportunidades da IA nos EUA, com Vance, Hegseth e Bessent entre os membros centrais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que cria a "Super Intelligence Force" (Força de Superinteligência) e confirma Jay Clayton, atual diretor de Inteligência Nacional, como líder do grupo e novo coordenador-chefe de política de inteligência artificial do governo americano, segundo reportagem da BigGo Finance publicada neste domingo (4), com informações também confirmadas pelo Wall Street Journal e replicadas por outros veículos americanos. A nomeação de Clayton já havia sido antecipada por fontes à NBC News dois dias antes, mas agora ganha formato institucional, com estrutura de comando, prazo definido e nome de código.
Segundo a ordem assinada por Trump, a força-tarefa tem 120 dias, prorrogáveis se necessário, para entregar um relatório abrangente sobre os riscos e as oportunidades da superinteligência e esclarecer qual deve ser o papel do governo federal americano diante da tecnologia. O grupo tem três vice-presidentes, cada um responsável por uma frente: Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, cuida da coordenação com empresas de IA; Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoal, trata da relação com infraestrutura crítica; e Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC), responde por interesses de consumidores e questões sociais. Completam o núcleo decisório o vice-presidente JD Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o secretário do Tesouro Scott Bessent e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, com o ex-czar de IA David Sacks e a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice como conselheiros externos.
Um cargo que ficou vago por meses até ganhar nome e prazo
O posto de conselheiro de IA e cripto da Casa Branca existia desde janeiro de 2025, quando o investidor David Sacks assumiu a função, mas ficou vago desde março de 2026, quando Sacks deixou o cargo pelo limite legal para funcionários especiais do governo e passou a copresidir o Conselho de Consultores em Ciência e Tecnologia do presidente. A demora em preencher a vaga aconteceu num momento de disputa dentro do próprio governo sobre como tratar a IA: o próprio Sacks, já fora do cargo, chegou a criticar publicamente um pacto de autorregulação que CEOs de IA assinaram com Trump horas depois de ele ter sido fechado, enquanto o presidente classificava pedidos de desaceleração do setor de "conspiração doentia".
A criação formal da força-tarefa também segue um movimento mais amplo do governo Trump de reposicionar o vocabulário oficial sobre o tema: dias antes, o presidente já havia assinado uma ordem determinando que agências federais trocassem o termo "inteligência artificial" por "superinteligência" (SI) em comunicações, sites e documentos de política, decisão que a China disse "respeitar" por meio do Ministério das Relações Exteriores. Enquanto isso, no Congresso, o senador Bernie Sanders e o deputado Greg Casar seguem tramitando o "Ban Artificial Superintelligence Act", que proíbe explicitamente o desenvolvimento de sistemas definidos como "superinteligência" e prevê até 20 anos de prisão para violações, numa demonstração de que o termo que a Casa Branca adotou para parecer mais otimista também é usado pela ala mais cautelosa do Legislativo para justificar restrições.
Por que isso importa para você
Para quem usa ferramentas de IA para trabalhar, empreender ou construiu produto em cima de modelos da OpenAI, da Anthropic ou do Google, a criação de uma força-tarefa com prazo e composição definidos interessa porque sinaliza que Washington vai produzir, em quatro meses, um retrato oficial de como o governo federal pretende tratar o setor, de regras de segurança a eventual novo órgão regulador. A presença de Andrew Ferguson, da FTC, como vice-presidente responsável por "questões sociais e de consumidor" é um indício de que a força-tarefa pode mexer em temas práticos, como transparência de modelos e proteção de usuários, que afetam diretamente quem contrata ou revende serviços de IA.
No Brasil, decisões tomadas nesse tipo de estrutura em Washington costumam chegar com atraso, mas chegam: padrões definidos aqui tendem a influenciar práticas adotadas por empresas brasileiras que dependem de modelos americanos, mesmo sem exigência legal direta por aqui. Vale observar, por exemplo, se o relatório final da força-tarefa recomenda regras equivalentes às que o Brasil já discute no próprio marco legal de IA em tramitação no Congresso, ou se caminha na direção oposta, de menos regulação, como o presidente americano já indicou preferir ao rejeitar pedidos de desaceleração em jantar recente com o executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, na Casa Branca.
O que observar nos próximos 120 dias
O primeiro ponto a acompanhar é se Clayton vai acumular, por tempo indefinido, a direção de Inteligência Nacional dos EUA (responsável por coordenar as 18 agências de espionagem americanas, incluindo CIA e NSA) com a liderança da força-tarefa de IA, ou se o governo buscará um substituto para um dos dois cargos. Coordenar espionagem e desenhar política de IA para todo o governo federal ao mesmo tempo é uma carga de trabalho que dificilmente se sustenta por muito tempo sem apoio dedicado, mesmo com três vice-presidentes dividindo frentes específicas.
Outro ponto é o equilíbrio interno do próprio grupo: a força-tarefa reúne nomes associados a posições bem diferentes sobre o ritmo ideal de avanço da IA, do secretário do Tesouro Scott Bessent, que já criticou publicamente CEOs de IA que pedem mais regulação, até a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice, conhecida por posições mais cautelosas em política externa e segurança nacional. Se o relatório final, esperado por volta de fevereiro de 2027, propuser medidas concretas de supervisão ou, ao contrário, recomendar manter o setor livre de novas regras, isso vai moldar boa parte do debate regulatório global sobre IA no ano que vem, inclusive no Brasil, onde o marco legal nacional ainda está em discussão.
Trump assinou ordem executiva criando a "Super Intelligence Force", com Jay Clayton como líder e czar de IA da Casa Branca. O grupo tem 120 dias para avaliar riscos e oportunidades da superinteligência e reúne JD Vance, Pete Hegseth, Scott Bessent, Susie Wiles e os vice-presidentes Emil Michael, Scott Kupor e Andrew Ferguson, com David Sacks e Condoleezza Rice como conselheiros externos.
Fonte original
BigGo Finance
finance.biggo.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.