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Supermicro vai vender racks que juntam chips SambaNova e GPUs Nvidia

Supermicro e SambaNova vão vender racks que unem GPUs da Nvidia e chips SN50 para rodar agentes de IA. O plano começa com 10 mil chips e mira nuvens de IA.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Supermicro vai vender racks que juntam chips SambaNova e GPUs Nvidia
Foto: This_is_Engineering / Pixabay

A Supermicro, uma das maiores montadoras de servidores para data centers do mundo, vai passar a vender sistemas de inteligência artificial que combinam dois tipos de chip no mesmo rack: as GPUs da Nvidia e o SN50, chip de inferência da SambaNova. O acordo foi anunciado pelas duas empresas na terça-feira (3) e começa com um plano inicial de 10 mil chips SN50, segundo o comunicado da SambaNova. A informação foi publicada nesta quarta-feira (4) pelo The Next Web.

Os novos racks vão entrar no catálogo de soluções prontas que a Supermicro já vende a clientes, chamado Data Center Building Block Solutions. Na prática, quem compra recebe o sistema montado, testado e entregue pela Supermicro, com suporte inclusive no local. A SambaNova fica com a parte do software: seus engenheiros colocam os modelos de IA para rodar no SN50, fazem o ajuste fino de desempenho e ajudam na implantação.

Como os dois chips dividem o trabalho

Para entender a proposta, vale lembrar que rodar um modelo de linguagem tem duas etapas. Primeiro o sistema lê todo o pedido do usuário, o prompt, de uma vez. Depois ele escreve a resposta aos poucos, um pedaço de texto de cada vez. As duas etapas pedem coisas diferentes do hardware: a leitura exige muita força de cálculo em paralelo, enquanto a escrita depende de mover dados da memória o mais rápido possível, repetidamente.

Nos racks anunciados, as GPUs da Nvidia cuidam da leitura e os chips SN50 cuidam da escrita, segundo a SambaNova. A empresa argumenta que agentes de IA trabalham sem parar, encadeando dezenas de chamadas ao modelo para concluir uma tarefa, e que por isso a velocidade com que cada resposta sai passa a definir a velocidade do agente inteiro. Um agente que espera alguns segundos a cada passo, multiplicado por centenas de passos, fica lento e caro.

"A IA agêntica é a próxima onda da inferência, e ela precisa rodar em todo lugar", disse Rodrigo Liang, cofundador e presidente-executivo da SambaNova, de acordo com o comunicado. Charles Liang, presidente-executivo da Supermicro, afirmou que a empresa está comprometida em entregar infraestrutura de IA flexível e de alto desempenho para as necessidades em mudança dos clientes.

O que é o SN50

O SN50 é a quinta geração da RDU (Reconfigurable Dataflow Unit), arquitetura própria da SambaNova pensada para inferência, e não para treinar modelos. Segundo a empresa, o chip consegue servir os maiores modelos do mercado sem exigir densidade extrema de energia em cada rack. Um SambaRack SN50 consome em média 20 kW, número que a SambaNova divulgou na semana passada. Para comparação, racks de GPUs de última geração costumam passar com folga desse patamar e exigir refrigeração líquida e reforço na rede elétrica.

Esse é o argumento central da parceria. Muitos operadores de data center hoje não conseguem crescer porque falta energia e capacidade de refrigeração, e novos prédios levam anos para ficar prontos. A SambaNova diz que, com um rack que consome menos, é possível adicionar capacidade de inferência em prédios que já existem, sem esperar obras novas, e ainda prolongar a vida útil das GPUs que o cliente já tem. As duas empresas afirmam que, assim, conseguem entregar bem mais capacidade de inferência em 2027.

Quem vai comprar primeiro

O foco inicial são as chamadas neoclouds, provedores de nuvem criados especificamente para IA, e as nuvens soberanas, que mantêm dados e processamento dentro de um único país. Só numa segunda fase as empresas pretendem vender para companhias que rodam IA nos próprios data centers.

O acordo com a Supermicro vem logo depois de outro anúncio importante para a SambaNova. Na conferência AI World, em 27 de outubro, a Oracle disse que vai instalar chips SN50 em seus data centers de nuvem e oferecer essa capacidade a quem desenvolve modelos de IA. A mesma Oracle já tinha anunciado que vai oferecer na nuvem os computadores de inferência da Cerebras em 2027, o que mostra uma estratégia clara de não depender só da Nvidia. Dois dias depois, a SambaNova fechou contrato com a Emergys, empresa de serviços de transformação digital, para implantar e operar sua plataforma em clientes corporativos.

Fundada em 2017 e sediada em San Jose, na Califórnia, a SambaNova captou recursos em julho com uma avaliação de US$ 11 bilhões. Em junho, a Foxconn e a Intel se juntaram a ela para construir infraestrutura de IA em escala de rack.

O contexto: a corrida pela inferência

A notícia se encaixa num movimento que vem ganhando força nos últimos meses. Treinar modelos ainda é um negócio dominado pela Nvidia, mas a etapa de rodar esses modelos no dia a dia, a inferência, virou o campo de batalha dos fabricantes alternativos. Startups como a FuriosaAI e a Tenstorrent levantaram rodadas bilionárias com essa tese, e provedores de inferência como a Fal estão dobrando de valor em poucos meses.

O detalhe interessante do acordo com a Supermicro é que ele não tenta substituir a Nvidia, e sim dividir o trabalho com ela. Para quem compra, isso reduz o risco: as GPUs continuam no rack, com todo o software que o mercado já conhece, e o chip alternativo entra só na parte em que promete ser mais eficiente. Para a SambaNova, ganhar a rede de vendas e suporte de uma montadora do porte da Supermicro resolve um dos maiores problemas de quem fabrica chip novo: chegar ao cliente.

Por que isso importa para você

Pouca gente no Brasil vai comprar um rack de servidores, mas quase todo mundo que usa IA para trabalhar paga, direta ou indiretamente, pelo custo da inferência. É ele que define o preço por milhão de tokens das APIs, os limites dos planos de assinatura e a velocidade com que um agente conclui uma tarefa.

  • Agentes mais rápidos. Se a aposta de dividir leitura e escrita entre chips diferentes funcionar, agentes que encadeiam muitas chamadas ao modelo tendem a ficar mais ágeis. Se você ainda está entendendo o que muda com eles, comece pelo nosso guia sobre a diferença entre agente de IA, chatbot e automação.
  • Pressão sobre preços. Mais concorrência na inferência e mais capacidade em 2027 costumam empurrar o custo por resposta para baixo, o que favorece quem usa API em volume.
  • Escolha do modelo certo. Enquanto isso não chega, a forma mais garantida de economizar continua sendo usar o modelo do tamanho certo para cada tarefa, como explicamos em modelo pequeno ou grande de IA: velocidade, custo e qualidade.

O que ainda não se sabe

As empresas não divulgaram preços dos racks, nomes de clientes nem datas de entrega das primeiras unidades. Também não há números independentes que comparem o desempenho do SN50 com GPUs da própria Nvidia na etapa de escrita da resposta: os dados de consumo e velocidade vêm da SambaNova. O plano de 10 mil chips é inicial, e o tamanho real do negócio vai depender de quantas neoclouds e nuvens soberanas toparem montar data centers com dois fornecedores de chip ao mesmo tempo.

Fonte original

The Next Web, SambaNova

thenextweb.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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