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Fal, que roda modelos de vídeo e imagem por IA, dobra valor para US$ 16 bi

A Fal capta US$ 1,3 bilhão numa rodada liderada pela Bessemer, com a Nvidia, e passa a valer US$ 16 bi, o dobro de abril. A demanda por inferência explodiu.

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Fal, que roda modelos de vídeo e imagem por IA, dobra valor para US$ 16 bi
Foto: Victorumeche / Pixabay

A Fal, startup de São Francisco que hospeda e executa modelos de inteligência artificial que geram vídeo, imagem e áudio, acaba de levantar US$ 1,3 bilhão e passou a valer US$ 16 bilhões. É o dobro dos US$ 8 bilhões que a empresa valia em abril deste ano. A rodada, chamada de Série F, foi liderada pela Bessemer Venture Partners, que já era investidora, e teve a participação da Nvidia, da gestora T. Rowe Price, da Sound Ventures e da HOF Capital. As informações foram publicadas na terça-feira (3) pelo TechCrunch e pelo The Next Web, ambos com base em reportagem da Bloomberg.

Somando a rodada anterior, a Série E liderada pela Sequoia, a Fal levantou US$ 1,65 bilhão em poucos meses. Segundo o The Next Web, a nova rodada foi fechada em outubro. A empresa ultrapassou US$ 800 milhões em receita anualizada no início do ano, de acordo com uma pessoa a par dos números citada pela Bloomberg. A Fal tem hoje 185 funcionários, o que dá uma ideia de quanto dinheiro passa por uma equipe relativamente pequena.

O que a Fal faz, em termos simples

Treinar um modelo de IA é só metade do trabalho. Depois de pronto, alguém precisa rodar esse modelo milhões de vezes por dia, cada vez que um usuário pede um vídeo, uma imagem ou uma locução. Essa etapa se chama inferência, e é ela que consome a maior parte do poder de computação no dia a dia. A Fal vende exatamente isso: em vez de comprar ou alugar placas de vídeo e montar a própria infraestrutura, um desenvolvedor chama a API da Fal, escolhe o modelo e paga pelo uso.

O foco da empresa é mídia, não texto. Quem monta um aplicativo que transforma foto em vídeo, gera imagens de produto ou cria vozes sintéticas costuma passar por serviços como esse por trás das cortinas. Boa parte da procura vem de clientes que usam modelos de código aberto, que podem ser hospedados por qualquer empresa e não dependem de um único fornecedor. Se você quer entender por que esses modelos ganharam tanto espaço, vale ler nosso guia sobre o que muda para quem usa IA de código aberto.

A empresa foi fundada em 2021 por Burkay Gur, ex-líder de aprendizado de máquina da Coinbase e ex-engenheiro da Oracle, e por Gorkem Yurtseven, que trabalhou como desenvolvedor na Amazon. Gur é o presidente-executivo.

Demanda maior que a capacidade

O detalhe mais revelador veio do próprio Gur. Ele contou que, no meio do ano, a Fal chegou a um ponto em que não conseguia atender todos os clientes e teve de limitar o uso deles, impondo cotas de requisições. Em outras palavras, a empresa tinha mais gente querendo pagar do que máquinas para entregar. Parte do dinheiro novo vai justamente para comprar mais capacidade de computação, além de ampliar a equipe.

Gur também defende que escala é o que decide esse mercado: quanto maior o volume, melhores as chances de vencer. A lógica é que um fornecedor grande negocia chips mais baratos, espalha o custo fixo por mais clientes e consegue oferecer preço menor por geração.

A empresa ainda começou a ajustar modelos de vídeo junto com os próprios criadores desses modelos, às vezes em troca de taxas de licenciamento ou de uma fatia da receita. É uma forma de ter versões otimizadas rodando na sua plataforma antes ou melhor que nos concorrentes.

Uma corrida com vários competidores bilionários

A Fal não está sozinha. O mercado de inferência virou um dos mais disputados da IA em 2026, e os rivais diretos também estão captando muito dinheiro:

  • Modal levantou US$ 750 milhões em outubro, com avaliação de US$ 15,75 bilhões.
  • Fireworks AI captou US$ 1,5 bilhão em julho, avaliada em US$ 17,5 bilhões.
  • Baseten negocia uma rodada que pode levar seu valor a cerca de US$ 30 bilhões, como mostramos em Baseten negocia rodada com avaliação de até US$ 30 bi.

Há, porém, um ponto fraco em comum. Segundo pessoas a par das finanças dessas empresas citadas pelo TechCrunch, as margens brutas continuam apertadas, porque a computação é cara tanto para comprar quanto para alugar. Ou seja, a receita cresce rápido, mas boa parte dela vai direto para quem fornece os chips e os data centers. A presença da Nvidia entre os investidores da Fal ilustra bem esse ciclo: a fabricante de chips investe em clientes que, depois, compram ainda mais placas dela.

Esse movimento conversa com outras notícias recentes sobre a infraestrutura de IA. A Oracle, por exemplo, anunciou que vai oferecer os computadores de inferência da Cerebras na nuvem em 2027, e fabricantes de chips alternativos, como a FuriosaAI, também atraíram rodadas grandes apostando que rodar modelos vai consumir cada vez mais computação.

Por que isso importa para você

Quem trabalha com conteúdo, marketing ou desenvolvimento no Brasil provavelmente já usou, sem saber, algum serviço que roda em plataformas como a Fal. Aplicativos de edição de vídeo, geradores de imagem para lojas virtuais e ferramentas de locução dependem de alguém executando os modelos em grande escala. Alguns pontos práticos:

  • Mais oferta tende a baratear a geração. Com Fal, Modal, Fireworks e Baseten disputando clientes com bilhões no caixa, a tendência é de o preço por vídeo ou por imagem cair ao longo do tempo, o que favorece quem usa IA para produzir peças em volume.
  • Gargalos ainda acontecem. O relato de que a Fal precisou limitar clientes no meio do ano mostra que, em picos de demanda, ferramentas que dependem desses fornecedores podem ficar lentas ou impor limites. Quem tem um negócio apoiado em geração de mídia deve ter um plano B.
  • Modelos abertos ganham peso. Boa parte da demanda vem de modelos de código aberto, o que dá mais opções de escolha e menos dependência de uma única empresa.
  • Oportunidade para criadores. Se você quer transformar isso em renda, nosso guia sobre como ganhar dinheiro criando vídeos curtos com IA mostra caminhos práticos com as ferramentas disponíveis hoje.

O que ainda não se sabe

A Fal não divulgou a lista de clientes nem detalhou a margem de lucro, e os números de receita vêm de fontes anônimas citadas pela Bloomberg, não de um balanço oficial. Também não está claro quanto da nova capacidade de computação já está contratada nem quando ela entra em operação. O que os números mostram com clareza é que investidores estão dispostos a pagar caro por quem entrega a parte menos glamorosa da IA: fazer os modelos funcionarem, todos os dias, para milhões de pedidos.

Fonte original

TechCrunch, The Next Web

techcrunch.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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