SpaceX busca levantar US$ 40 bilhões para comprar chips da Nvidia
A empresa de Elon Musk negocia com a Apollo uma captação de US$ 10 bi em empréstimos e US$ 30 bi em dívida para financiar GPUs, segundo o Financial Times.

A SpaceX está buscando levantar US$ 40 bilhões para comprar chips da Nvidia, segundo reportagem do Financial Times publicada nesta terça-feira (6 de outubro) e reproduzida pela Reuters. A estrutura do financiamento prevê cerca de US$ 10 bilhões em empréstimos bancários e US$ 30 bilhões em dívida com grau de investimento, com a gestora Apollo Global Management liderando a operação e ajudando a distribuir os títulos entre investidores.
Segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pelo Financial Times, o fundo de títulos Pimco está entre os credores em negociação para financiar a transação, que deve ser concluída em 2027. Nem a SpaceX, nem a Apollo, nem a Nvidia, nem a Pimco responderam de imediato aos pedidos de comentário da Reuters até a publicação da reportagem original.
Da "empresa de foguetes" à corrida por poder computacional
A notícia confirma um movimento que a SpaceX já vinha sinalizando desde que incorporou a xAI, de Elon Musk, em um negócio avaliado em cerca de US$ 1 trilhão para a parte de foguetes e satélites e US$ 250 bilhões para a parte de inteligência artificial. Musk tem defendido publicamente que unir as duas empresas acelera planos de data centers orbitais, que usariam infraestrutura baseada no espaço para sustentar a próxima geração de computação de IA. Cobrimos recentemente como a xAI planeja dobrar o número de chips Nvidia no supercomputador Colossus 2, em Memphis, e como a própria SpaceX passou a se chamar SpaceXSI após o rebranding que uniu as duas marcas.
Comprar GPUs de ponta da Nvidia em escala de dezenas de bilhões de dólares deixou de ser exclusividade das grandes nuvens como Microsoft, Google e Amazon. Companhias de outros setores, da aeroespacial à de defesa, vêm se financiando diretamente para acumular capacidade de computação, apostando que o acesso a chips de IA será tão estratégico quanto o acesso a energia ou a satélites. A Nvidia, de seu lado, já havia revelado participação de cerca de US$ 21 bilhões em ações da SpaceX, convertida quando a xAI foi incorporada à empresa de foguetes, o que torna a fabricante de chips simultaneamente fornecedora e acionista relevante do comprador.
Por que isso importa para você
Para quem usa ferramentas de IA no dia a dia ou vende serviços baseados em modelos de linguagem, operações como essa ajudam a explicar por que a disputa por capacidade de computação segue tão acirrada, mesmo com tantos modelos novos sendo lançados por semana. Quanto mais empresas como SpaceX, Oracle e Anthropic se endividam para garantir chips com anos de antecedência, mais a Nvidia consegue manter preços altos e prazos de entrega longos, o que impacta diretamente o custo de acesso a GPUs para quem aluga infraestrutura de nuvem para treinar ou rodar seus próprios modelos.
Há também um sinal de alerta que vale observar: analistas de mercado vêm chamando atenção para o volume crescente de dívida contraída por empresas de IA para financiar chips, como mostramos na cobertura sobre o empréstimo de US$ 42 bilhões que a Anthropic negocia com a Broadcom para TPUs e sobre o financiamento de US$ 60 bilhões da Anthropic envolvendo Broadcom e Google. Quanto mais essas captações se acumulam em forma de dívida, maior o risco de que uma eventual desaceleração na demanda por IA generativa cause uma onda de reavaliação de ativos e contratos, algo que empreendedores e investidores brasileiros expostos a ações ou fundos ligados ao setor de IA deveriam acompanhar com atenção.
Um padrão que se repete entre as gigantes de IA
A SpaceX não é a primeira a recorrer a esse tipo de estrutura. A Oracle já havia batido recorde com um backlog de US$ 664 bilhões em contratos de nuvem para IA, enquanto a Amazon fechou um acordo de leaseback de US$ 8 bilhões em chips Nvidia para expandir capacidade sem comprometer caixa de imediato. A própria OpenAI, segundo reportagens recentes, também está em conversas para captar recursos adicionais e adiar seu IPO para 2027 enquanto negocia mais investimento. O padrão comum entre essas operações é claro: em vez de esperar o fluxo de caixa orgânico crescer, as maiores apostadoras em IA generativa estão se antecipando via dívida e parcerias financeiras, numa corrida que pressupõe que a demanda por computação vai continuar subindo nos próximos anos.
Esse tipo de engenharia financeira, em que uma empresa levanta dívida especificamente marcada para comprar hardware de um único fornecedor, tem uma vantagem clara para quem empresta: o próprio chip, que mantém valor de revenda relativamente alto, pode servir de garantia da operação. Por isso bancos e fundos como a Pimco têm se mostrado dispostos a financiar esse tipo de compra em volumes cada vez maiores, mesmo quando a empresa tomadora, como é o caso da SpaceX, ainda não tem um histórico longo de geração de caixa recorrente ligado especificamente à parte de inteligência artificial do negócio.
O que observar nos próximos meses
Vale observar nos próximos meses se a avaliação de crédito BBB da SpaceX, a segunda faixa mais baixa dentro do grau de investimento, segue permitindo que fundos de pensão e seguradoras comprem essa dívida sem resistência, e se operações desse tamanho continuam sendo bem recebidas pelo mercado financeiro ou passam a gerar mais cautela entre investidores institucionais preocupados com o nível de endividamento acumulado pelo setor de IA como um todo. Também é importante acompanhar se a Nvidia, que já aparece como acionista relevante da própria SpaceX, vai anunciar condições especiais de fornecimento para esse pedido específico, dado o relacionamento cada vez mais entrelaçado entre fabricante de chips e seus maiores clientes.
Por fim, fica a pergunta sobre o ritmo: se o financiamento de US$ 40 bilhões realmente se concretizar como descrito, com fechamento previsto para 2027, ele se somará a outras captações bilionárias do setor anunciadas só neste segundo semestre de 2026, reforçando a tese de que a corrida por chips de IA segue sem sinais de desaceleração, pelo menos entre as empresas com acesso a crédito de grau de investimento.
Fonte original
MarketScreener (Reuters)
marketscreener.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.