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Presidente da Microsoft diz que Reino Unido deve liderar regras de IA

Brad Smith defendeu regras globais de segurança de IA, apontou o Reino Unido como líder e propôs notificação de invasões, auditoria externa e kill switches.

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Presidente da Microsoft diz que Reino Unido deve liderar regras de IA
Foto: dsearls (CC BY-SA 2.0) / Wikimedia Commons

O presidente da Microsoft, Brad Smith, afirmou que chegou a hora de criar regras globais de segurança para a inteligência artificial e que o Reino Unido, e não os Estados Unidos nem a União Europeia, está mais bem posicionado para liderar esse esforço. A declaração foi dada em um podcast da BBC e relatada por Rebecca Bellan, do TechCrunch, em 12 de outubro de 2026.

Smith descreveu a IA como uma tecnologia de duplo uso, "uma arma e uma ferramenta", que coloca em risco a cibersegurança global. Ele também comparou a supervisão do setor com a de produtos comuns: segundo ele, as empresas de IA têm menos fiscalização do que fabricantes de produtos de consumo como leite e máquinas de lavar. Este texto resume o que foi dito, o contexto que a reportagem apresenta e, em trechos identificados como análise própria, o que isso pode significar para quem usa IA no Brasil.

Brad Smith, presidente da Microsoft, em evento
Foto: Web Summit / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Por que o Reino Unido, segundo Smith

O argumento central do executivo é institucional. O AI Security Institute (AISI), órgão britânico lançado em 2023, recebe acesso a modelos dos principais laboratórios dos Estados Unidos antes do lançamento e é apontado como líder em testes de segurança de IA. Para Smith, isso dá ao país uma posição de credibilidade técnica que outros governos ainda não construíram.

Ele foi além e disse que o Reino Unido pode regular de formas que os Estados Unidos não conseguem. A frase citada pela reportagem é que, em Washington, as pessoas não olham para Londres como olham para Bruxelas, e que isso é uma força. Em outras palavras, uma regra vinda de Londres enfrenta menos resistência política em Washington do que uma regra vinda da União Europeia.

O papel do AISI, porém, sofreu pressão recente. De acordo com a reportagem, o presidente Donald Trump alertou contra organizações "globalistas", e a Politico informou em setembro que a Casa Branca pediu à OpenAI e à Anthropic que segurassem novos modelos dos testadores britânicos até a revisão dos Estados Unidos. Já tratamos desse pedido em nossa cobertura sobre a Casa Branca e os testadores do Reino Unido. Na segunda-feira, segundo a Reuters, o AISI confirmou que ainda pode acessar e testar os modelos mais recentes.

O contexto: incidentes, desaceleração e o pacto voluntário

A fala de Smith vem depois de um período de preocupação com a segurança da tecnologia. A reportagem lembra que Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI, pediram uma desaceleração após incidentes em que agentes de IA saíram do controle. Um desses episódios aparece em nossa matéria sobre incidentes de segurança com agentes da OpenAI.

No mês passado, Trump recebeu líderes da OpenAI, Anthropic, Nvidia, AMD, SpaceX, Meta e Google, que assinaram um documento descrito como "moralmente vinculante" para trabalhar com "auditores independentes" na avaliação de segurança e das capacidades dos modelos. Os detalhes do encontro estão em nossa cobertura do acordo voluntário na Casa Branca.

Smith chamou o documento de "bom passo", mas insuficiente. O motivo, na visão dele, é que medidas voluntárias só vinculam as "boas empresas". Em suas palavras, são as empresas menos responsáveis que preocupam. Esse é o ponto de virada do raciocínio: sem obrigação legal, quem mais precisa de supervisão é justamente quem pode ficar de fora.

As três propostas de Smith

Segundo a reportagem, o executivo apresentou medidas concretas. Parte delas é descrita pela autora como preferências que ele pareceu expressar, e não como um projeto de lei fechado. A tabela abaixo organiza as propostas e inclui, como análise própria, o que cada uma poderia mudar na prática.

PropostaO que Smith defendeuO que poderia mudar (análise própria)
Notificação de invasãoObrigação legal de avisar uma organização quando o sistema dela for violado por agentes de IA fora de controleEmpresas passariam a ser informadas de incidentes, em vez de descobrir tarde
Avaliadores externosAprovação de avaliadores externos antes do lançamento de um produto de IALançamentos poderiam depender de testes independentes, como em outros setores
Kill switchesApoio a mecanismos que pausem ou desacelerem a IA se humanos perderem o controleFornecedores teriam de projetar formas de interromper sistemas em operação

O fecho da fala, citado pela reportagem, foi um pedido de tom: "Vamos falar com calma, talvez até baixo, mas com firmeza, e começar a reunir as pessoas". Smith não detalhou, nos trechos relatados, como esse grupo seria formado nem qual órgão teria autoridade para aplicar as regras.

Por que isso importa para você

Como análise própria: o debate sobre regras globais parece distante, mas chega ao dia a dia de quem usa IA no trabalho. No Brasil, a discussão legislativa segue em torno do Marco Legal da IA, o PL 2.338/2023, que tratamos em nossa matéria sobre o Congresso e a recusa de regras globais entre Trump e Xi. A fala de Smith não altera esse projeto e não diz nada sobre o Brasil, mas mostra que parte da própria indústria já aceita a ideia de obrigações legais, o que tende a pesar no debate.

Para empresas e profissionais brasileiros que usam agentes de IA, três pontos merecem atenção, todos como leitura própria da proposta e não como exigência atual:

  • Auditoria externa: ao escolher uma ferramenta, vale perguntar se o fornecedor passa por testes independentes. O guia de como escolher uma ferramenta de IA com segurança traz um checklist para isso.
  • Notificação de incidentes: se agentes ganham acesso a e-mails, arquivos e sistemas, é importante saber o que cada um acessa e ter um plano para avisar clientes caso algo dê errado. O texto sobre o que você entrega à IA sem perceber ajuda a mapear esse risco.
  • Kill switches: quem deixa agentes trabalharem sozinhos deve manter uma forma simples de pausar a automação. O artigo sobre agentes de IA e o trabalho autônomo explica como esses sistemas funcionam.

Vale registrar uma ressalva de leitura: Smith fala como presidente de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, com interesses próprios no formato das regras. A reportagem relata as declarações, mas não traz uma avaliação independente de que as propostas seriam suficientes ou viáveis.

O que observar a seguir

O primeiro ponto é o destino do AISI. A confirmação de que o instituto ainda acessa os modelos mais recentes reduz a incerteza, mas o episódio mostra como o acesso depende de decisões políticas. O segundo é se as propostas de Smith saem do discurso e chegam a um texto legal, em Londres ou em outro lugar. O terceiro é a reação dos demais laboratórios: a reportagem não traz posicionamento de OpenAI, Anthropic ou Google sobre as três medidas.

Por fim, acompanhe como o tema conversa com a segurança de voz e agentes no dia a dia. A discussão sobre transparência e avisos ao usuário também aparece em nossa matéria sobre voz com IA e o HumanX. Por ora, o fato confirmado é o que Smith disse no podcast da BBC: regras globais de segurança de IA são necessárias, voluntariedade não basta, e o Reino Unido seria o melhor candidato para puxar a conversa.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

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Perguntas frequentes

Em um podcast da BBC, o presidente da Microsoft disse que é hora de criar regras globais de segurança de IA, que a tecnologia é uma arma e uma ferramenta e que o Reino Unido está mais bem posicionado para liderar.
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Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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