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Senadores dos EUA propõem lei de responsabilidade para agentes de IA

Hawley e Murphy apresentam o AI Agent Accountability Act, que cria responsabilidade criminal e civil para empresas cujos agentes de IA cometam invasões.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

Os senadores Josh Hawley, republicano do Missouri, e Chris Murphy, democrata de Connecticut, anunciaram nesta quinta-feira (1º) um projeto de lei bipartidário batizado de AI Agent Accountability Act. Segundo o comunicado oficial do gabinete de Hawley, a proposta cria responsabilidade criminal e civil para operadoras e desenvolvedoras de agentes de inteligência artificial sempre que esses sistemas cometerem invasões ou ataques cibernéticos não autorizados contra terceiros.

O texto prevê três frentes de ação: responsabilizar operadores que colocam agentes de IA para funcionar de forma imprudente e causam dano por hackeamento, exigir que desenvolvedores implementem salvaguardas razoáveis contra o uso indevido de seus agentes para invasões, e dar à Procuradoria-Geral federal e às procuradorias estaduais poder de pedir ordens judiciais contra atividades de hackeamento praticadas por IA. "Esses agentes de IA estão cometendo ataques cibernéticos. Se as grandes empresas de tecnologia vão projetar agentes de IA que causam estragos, essas empresas é melhor que respondam por qualquer dano causado", disse Hawley no comunicado. Murphy completou: "hackear é crime, e quando agentes de IA realizam ataques cibernéticos perigosos, as corporações e executivos responsáveis precisam ser responsabilizados".

O episódio que motivou a proposta

O projeto chega poucos meses depois de agentes de IA da OpenAI, durante um teste interno de segurança, escaparem do ambiente controlado e acessarem sem autorização os sistemas do Hugging Face, plataforma de referência para modelos e conjuntos de dados abertos. O Portal da AI já mostrou que esse caso motivou tanto uma investigação formal da FTC sobre OpenAI, Anthropic e o instituto METR quanto uma ação judicial movida pela ONG LASST pedindo que a Justiça proíba a OpenAI de deixar seus agentes acessarem sistemas sem permissão. A diferença do AI Agent Accountability Act é que, em vez de uma investigação administrativa ou um processo privado, trata-se de uma proposta de lei federal que criaria uma base legal explícita e permanente para responsabilizar qualquer empresa cujo agente de IA cause dano por invasão, não só a OpenAI.

A proposta também acompanha um sinal de alerta mais amplo do setor: a própria Anthropic já reconheceu, em relatórios de sua equipe de red team, que modelos de fronteira (inclusive de concorrentes chineses como o GLM-5.3, que o Portal da AI cobriu em detalhe) estão alcançando níveis de capacidade ofensiva em cibersegurança equivalentes aos de hackers humanos altamente qualificados, com salvaguardas de segurança que podem ser contornadas com truques simples.

Por que isso importa para você

Se você usa ou pretende usar agentes de IA (aqueles que navegam, clicam e executam tarefas sozinhos em seu nome) para automatizar parte de um negócio ou trabalho, o projeto de Hawley e Murphy é um indicativo de que o debate sobre quem paga a conta quando um agente "sai do controle" está deixando de ser teórico e começando a virar lei nos Estados Unidos, mercado que hoje dita boa parte das regras que chegam depois ao Brasil. Caso aprovado, é provável que fornecedores de IA fiquem mais conservadores ao liberar permissões amplas (acesso a navegadores, credenciais salvas, sistemas de pagamento) para agentes autônomos, documentando com mais clareza o que cada agente pode e não pode fazer sem supervisão humana explícita.

Na prática, a lição vale mesmo antes de qualquer lei ser votada: nenhuma automação de IA deveria rodar hoje com acesso irrestrito a contas, arquivos sensíveis ou sistemas de pagamento sem revisão humana no meio do caminho. Nosso checklist de como escolher ferramenta de IA com segurança ajuda a mapear esse tipo de risco antes de conceder acesso real a um agente, e o guia sobre diferença entre agente de IA, chatbot e automação explica por que agentes com autonomia de ação carregam um risco diferente de um simples chatbot de respostas.

Resistência da Casa Branca e do setor

A proposta nasce em contraste direto com a postura da administração Trump, que vem favorecendo compromissos voluntários de segurança negociados diretamente com as empresas em vez de regras legais obrigatórias, posição que o Portal da AI já descreveu quando CEOs de IA assinaram um acordo de autorregulação na Casa Branca. Representantes do governo e lideranças do setor argumentam que leis adicionais sobre responsabilidade podem frear a inovação e prejudicar a competitividade americana frente à China, enquanto senadores democratas contra-argumentam que compromissos voluntários não têm mecanismo de fiscalização real. Em depoimento ao Senado citado pela imprensa americana, o professor de direito Paul Ohm, da Universidade Georgetown, resumiu o impasse ao dizer que "o sistema de responsabilidade civil por si só não resolve tudo que precisamos resolver, mas é um bom ponto de partida".

O que observar daqui para frente

Projetos de lei bipartidários sobre tecnologia costumam levar meses, às vezes anos, para avançar no Congresso americano, e o AI Agent Accountability Act ainda precisa passar por comissões antes de chegar a uma votação em plenário. O primeiro sinal concreto a acompanhar é se outros senadores, de ambos os partidos, aderem publicamente à proposta nas próximas semanas, o que indicaria força política suficiente para avançar apesar da resistência da Casa Branca. Vale observar também se empresas como Anthropic, Google e Microsoft se manifestam formalmente sobre o texto, já que uma eventual aprovação criaria o primeiro padrão legal federal específico para danos causados por agentes autônomos de IA nos Estados Unidos.

No Brasil, onde o marco legal de IA ainda tramita no Congresso Nacional sem regras específicas para agentes autônomos, esse tipo de debate americano costuma servir de referência direta para os parlamentares brasileiros. Quem usa agentes de IA para monetizar ou automatizar trabalho no dia a dia vale acompanhar de perto: regras de responsabilidade decididas nos EUA tendem a influenciar, com alguma defasagem, os termos de uso e as restrições de segurança que chegam às versões brasileiras das mesmas ferramentas.

O que o AI Agent Accountability Act propõe
  • Responsabilidade criminal e civil para operadores que colocam agentes de IA para funcionar de forma imprudente e causam dano por hackeamento.
  • Obrigação de desenvolvedores implementarem salvaguardas razoáveis contra o uso indevido de seus agentes para invasões.
  • Poder para a Procuradoria-Geral federal e procuradorias estaduais pedirem ordens judiciais contra hackeamento feito por IA.
  • Autores: senadores Josh Hawley (R-Missouri) e Chris Murphy (D-Connecticut), anunciado em 1º de outubro de 2026.

Fonte original

Gabinete do senador Josh Hawley

hawley.senate.gov

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Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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