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Cognition, do agente Devin, recebe ofertas que a avaliam em até US$ 80 bi

A criadora do Devin teria ofertas de US$ 70 bi a US$ 80 bi em conversas iniciais, quase 70% acima da Série E de setembro. The Next Web e Business Insider.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Cognition, do agente Devin, recebe ofertas que a avaliam em até US$ 80 bi
Foto: Tuxyso (CC BY-SA 3.0) / Wikimedia Commons

A Cognition, startup de São Francisco que criou o agente de programação Devin, recebeu ofertas de investidores que a avaliam entre US$ 70 bilhões e US$ 80 bilhões. A informação foi publicada nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, pelo The Next Web, que se baseia em reportagem da Business Insider divulgada na quarta-feira por Katie Roof, com fontes não identificadas. Segundo o relato, a empresa estaria "levando a sério" a possibilidade de levantar uma nova rodada ainda este ano. Nem a Cognition nem os investidores confirmaram os números, e o próprio The Next Web avisa que não verificou a informação de forma independente.

Vale deixar claro desde o início o que isso é e o que não é. Não se trata de uma rodada fechada, e sim de conversas em estágio inicial, em que os termos ainda podem mudar. Mesmo assim, o número chama atenção por causa do tamanho do salto em pouco tempo, e por dizer algo sobre o apetite do mercado por agentes de IA que escrevem código.

De US$ 48 bilhões para até US$ 80 bilhões em dois meses

A última rodada pública da Cognition foi a Série E, anunciada em 8 de setembro de 2026. Naquela ocasião, a empresa captou mais de US$ 2 bilhões com avaliação de US$ 48 bilhões, em uma rodada liderada pela Andreessen Horowitz e pela Accel, com participação de Founders Fund, General Catalyst e Avenir. Nós cobrimos o caso na notícia Cognition capta mais de US$ 2 bilhões e quase dobra avaliação para US$ 48 bilhões.

Se as ofertas atuais se confirmarem, uma avaliação de US$ 80 bilhões ficaria cerca de dois terços acima do valor de setembro. A conta é simples: de US$ 48 bilhões para US$ 80 bilhões são quase 67% a mais, em pouco mais de um mês e meio entre o anúncio da Série E e a notícia das novas conversas. Antes da Série E, o valor da empresa já havia dobrado em cerca de 15 semanas, de acordo com o The Next Web.

O que sustenta esse valor: receita crescendo rápido

O argumento dos investidores é a receita. No anúncio de setembro, a Cognition informou que sua receita recorrente anual saltou de US$ 492 milhões em maio para quase US$ 900 milhões. Ou seja, o faturamento praticamente dobrou em poucos meses, o que ajuda a explicar por que fundos aceitam pagar múltiplos tão altos. Não há, até agora, número novo de receita ligado a essa possível rodada: o dado mais recente continua sendo o de setembro.

A empresa foi fundada em 2023 por Scott Wu, Steven Hao e Walden Yan. Em setembro, contratou Alex Stamos, ex-chefe de segurança do Facebook e do Yahoo, como diretor de segurança da informação, um movimento típico de quem quer vender para grandes empresas que exigem controles rígidos antes de deixar um agente mexer no código da casa.

O cenário competitivo ao redor

A reportagem lembra dois fatos do mercado de ferramentas de programação com IA. O primeiro é que, em junho, a SpaceX concluiu a compra da Cursor, uma das principais rivais da Cognition, por cerca de US$ 60 bilhões. A dona da Cursor hoje é a mesma que controla o Grok, como mostramos em SpaceXSI e a assinatura que junta X, Grok e Cursor. O segundo é que, neste mês, os presidentes da Cognition e da Factory, outra startup do setor, entraram em atrito público por causa da saída de um conselheiro, segundo a Bloomberg.

Esses dois pontos mostram um mercado que se concentra e esquenta ao mesmo tempo. De um lado, gigantes compram concorrentes. Do outro, startups independentes disputam quem consegue captar mais rápido para pagar poder de computação, contratar pesquisadores e manter preços competitivos. A própria Cognition já mexeu no preço do seu produto, como contamos em Cognition corta o preço do Devin em 70%.

Por que isso importa para você

Mesmo que você nunca vá usar o Devin, o movimento diz algo útil para quem trabalha, empreende ou quer ganhar dinheiro com IA no Brasil.

Agentes de código viraram negócio de escala. Quando investidores falam em dezenas de bilhões de dólares por uma empresa que vende um agente que programa, a mensagem é que esse tipo de ferramenta deixou de ser experimento. Para quem desenvolve software ou contrata desenvolvedores, vale testar agentes agora, com projetos pequenos e revisão humana, em vez de esperar o mercado amadurecer. Para entender a diferença entre um agente e uma automação comum, leia agente de IA, chatbot ou automação: qual a diferença de verdade.

Existe espaço para quem implementa, não só para quem constrói. As grandes empresas citadas pela Cognition em setembro, como bancos e fabricantes, precisam de gente que saiba integrar agentes ao dia a dia. Se você é freelancer ou tem uma pequena consultoria, o artigo como ganhar dinheiro criando e vendendo agentes de IA personalizados mostra caminhos práticos para começar.

Para a carreira, o recado é adaptação, não pânico. Se agentes que escrevem código recebem avaliações tão altas, é razoável esperar que partes do trabalho de programação mudem de lugar: menos digitação, mais especificação, revisão e arquitetura. Quem está pensando em migrar para a área pode ver um roteiro em como migrar de carreira para a área de IA.

Cuidado com o número

Avaliação de empresa não é dinheiro no caixa nem prova de que o produto funciona para o seu caso. É o preço que investidores aceitam pagar, e ele pode cair tão rápido quanto subiu. Trate a notícia como termômetro do mercado, não como garantia de que o Devin é a melhor escolha.

O que ainda não se sabe

Faltam confirmações importantes: quem seriam os investidores que fizeram as ofertas, qual seria o tamanho da nova rodada, se ela sairá ainda em 2026 e se a avaliação final ficará dentro da faixa citada. Como a fonte original é anônima e a própria reportagem trata as conversas como iniciais, os números podem mudar ou a rodada pode nem acontecer.

O que já está confirmado, por anúncio da própria empresa em setembro, é o crescimento de receita, a Série E de mais de US$ 2 bilhões e o patamar de US$ 48 bilhões. Tudo o que vai além disso, por enquanto, é relato de bastidor. Acompanharemos o assunto e atualizaremos quando houver um comunicado da Cognition ou dos investidores.

Fonte original

The Next Web, Business Insider

thenextweb.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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