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Canva mexe com 22% da equipe, 1.271 pessoas, e anuncia demissões

Melanie Perkins anunciou mudanças que atingem 1.271 funcionários do Canva, com cortes, novas funções e mudança para Sydney, após o crescimento desacelerar.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Canva mexe com 22% da equipe, 1.271 pessoas, e anuncia demissões
Foto: RuslanSikunov / Pixabay

O Canva, ferramenta de design usada por milhões de brasileiros para criar posts, apresentações e materiais de divulgação, anunciou a maior reestruturação de sua história. A cofundadora e CEO Melanie Perkins comunicou à equipe que as mudanças vão atingir 1.271 pessoas, o equivalente a 22% dos funcionários da empresa. Para parte desse grupo, a mudança será de função ou de cidade. Para outra parte, será a demissão. A empresa não informou quantos postos serão de fato eliminados.

O anúncio foi feito por uma mensagem interna intitulada "Uma atualização importante sobre a nossa equipe", publicada também na sala de imprensa do Canva, e foi noticiado na noite de terça-feira (3), horário de Brasília, pelo The Verge e, já na manhã de quarta-feira (4) na Austrália, pelo The Register.

O que a CEO disse

Segundo os trechos da mensagem reproduzidos pelos dois veículos, Perkins afirma que, depois de avaliar várias alternativas, chegou à conclusão de que "pequenas mudanças não serão suficientes". A ideia, nas palavras dela, é "refundar" o Canva para a próxima década, voltando às origens de equipes pequenas, com autonomia para decidir e assumir responsabilidade pelo que fazem. De acordo com o The Register, a mensagem reconhece que o crescimento da empresa desacelerou pela primeira vez em dez anos, e a executiva pede desculpas mais de uma vez aos funcionários afetados.

Perkins diz que, para algumas pessoas, a mudança significará trocar de função ou ser convidada a se mudar para centros de trabalho concentrados. E reconhece que, infelizmente, também significará se despedir de colegas que ajudaram a construir a empresa.

Em números

1.271 pessoas afetadas, cerca de 22% da equipe. Segundo o balanço do próprio Canva para 2025, citado pelo The Register, a plataforma tinha 260 milhões de usuários mensais e US$ 3,5 bilhões de receita anual. A empresa é de capital fechado e já disse ser lucrativa no fluxo de caixa livre.

Como fica a nova estrutura

A principal mudança na organização é a fusão das áreas de Produto, Crescimento e Plataforma em uma única organização de produto. A empresa também promete "simplificar camadas" de gestão e juntar responsabilidades que hoje se sobrepõem entre times diferentes. Na prática, é o tipo de reorganização em que cargos intermediários de coordenação costumam ser os mais expostos, embora o Canva não tenha detalhado quais funções saem.

Outro ponto é geográfico. Sydney, onde fica a sede, passa a ser a "casa principal" de mais equipes de produto e de funções em que o contexto compartilhado e a colaboração próxima são considerados mais importantes. Parte dos funcionários será convidada a se mudar, com o que a empresa chama de apoio completo. Além disso, a partir de janeiro, o Canva vai esperar que a maioria dos funcionários em regime híbrido passe de dois a três dias por semana no escritório, conforme a realidade de cada região.

O que muda para quem sai

As condições de saída anunciadas são generosas para o padrão do setor. Quem deixar a empresa recebe pelo menos seis meses de salário, doze meses de plano de saúde e apoio para recolocação. Segundo o The Register, os funcionários desligados também podem ficar com o MacBook da empresa e ganham um ano de LinkedIn Premium para procurar emprego. Cada pessoa afetada recebe convite para uma conversa individual, opcional, com um líder sênior, e quem fica vai participar na próxima semana de duas rodadas de reuniões: uma com a empresa toda e outra com a equipe já reorganizada.

Onde entra a IA nessa história

É importante separar o que foi dito do que é contexto. A mensagem de Perkins, segundo o The Register, não cita a inteligência artificial pelo nome. Ela fala de novas tecnologias que estão mudando a forma como as pessoas criam e o que esperam dos produtos. Ou seja, a empresa não atribui os cortes diretamente à IA, e não há confirmação de que agentes ou modelos estejam substituindo funções específicas.

Ainda assim, o pano de fundo é difícil de ignorar. O mercado de design para não designers, que o Canva ajudou a criar, é um dos mais pressionados pela IA generativa. Hoje dá para pedir em uma frase uma arte, um carrossel ou uma apresentação inteira a assistentes de uso geral, sem abrir um editor. O próprio Canva vem investindo pesado em recursos de IA e chegou a lançar um modelo de imagem próprio, como contamos em Canva lança o Craft, seu primeiro modelo próprio de geração de imagens. A desaceleração do crescimento, admitida pela CEO, acontece justamente nesse cenário de concorrência nova.

Um padrão que se repete no setor

O anúncio veio um dia depois de a Squarespace, plataforma de criação de sites, confirmar o corte de 19% da equipe, caso que cobrimos em Squarespace demite 19% da equipe em meio à IA. O The Register lembra que a também australiana Atlassian anunciou cortes neste ano. E a HubSpot cortou cerca de 660 vagas recentemente, embora negue que a causa seja a IA, como mostramos em HubSpot corta cerca de 660 vagas e nega que a causa seja a IA.

O roteiro costuma ser parecido: a empresa fala em simplificar, ganhar velocidade e voltar a equipes menores, sem apontar a IA como causa, enquanto o produto que ela vende passa a concorrer com ferramentas que fazem parte do trabalho sozinhas. Para quem acompanha o mercado de tecnologia, o sinal é que até empresas lucrativas estão revendo o tamanho das equipes quando o crescimento perde fôlego.

Por que isso importa para você

Se você usa o Canva no dia a dia para o seu negócio, não há nenhum anúncio de mudança no produto, nos planos ou nos preços por causa da reestruturação. A ferramenta continua funcionando como antes. O que vale observar nos próximos meses é se a fusão das áreas de produto vai acelerar a chegada de novos recursos de IA dentro do editor, já que a empresa precisa mostrar que consegue voltar a crescer diante de concorrentes que geram peças prontas a partir de um pedido em texto.

Para quem trabalha com design, social media ou criação de conteúdo, a notícia reforça uma tendência: as ferramentas ficam cada vez mais automáticas, e o valor do profissional migra da execução para o critério, a estratégia e o conhecimento do cliente. Nosso guia Designers e IA: o que muda para quem trabalha com design gráfico mostra como se posicionar, e o tutorial Canva, CapCut e IA: artes e vídeos sem saber design ajuda a tirar mais proveito dessas ferramentas.

E se você passou por uma demissão recente, em tecnologia ou em qualquer outra área, o artigo Demitido: o que fazer nas primeiras semanas, com ajuda da IA reúne os passos práticos de rescisão, seguro-desemprego e recolocação.

Fonte original

The Register, The Verge

theregister.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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