Amex corta 5% da equipe e só deixa agentes de IA entrarem por API ou MCP
A American Express revelou reestruturação de US$ 336 milhões, com corte de cerca de 5% dos funcionários, e disse que só aceitará agentes de IA aprovados via API ou MCP.

A American Express (Amex) divulgou na sexta-feira (23) os resultados do terceiro trimestre de 2026 e, junto com eles, uma reestruturação ligada a ganhos de eficiência. No comunicado de resultados da própria empresa, a Amex registra uma despesa de reestruturação de US$ 336 milhões antes de impostos (US$ 253 milhões depois de impostos). Segundo a cobertura da CNBC, resumida pelo The Next Web, o plano corta cerca de 5% da força de trabalho global do grupo, e o CEO, Stephen Squeri, aproveitou a teleconferência com analistas para dizer que a empresa só vai permitir acesso de agentes de IA aos seus sistemas por canais aprovados, via API ou MCP.
Vale separar o que é número oficial do que vem de reportagem. O valor da despesa, o lucro, a receita e a nova projeção estão no comunicado da Amex. O percentual de 5% de corte e as falas de Squeri e da diretora financeira, Christophe Le Caillec, aparecem na reportagem da CNBC e foram resumidos pelo The Next Web. O Portal da AI não conseguiu abrir a página da CNBC, então essas partes dependem da apuração dos dois veículos.
O que a Amex informou nos números
De acordo com o comunicado, a receita total, líquida de despesas com juros, foi um recorde de US$ 20,1 bilhões no trimestre, alta de 9% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido chegou a US$ 3,7 bilhões, contra US$ 2,9 bilhões um ano antes, e o lucro por ação foi de US$ 5,42, alta de 31%.
Esse resultado, porém, inclui um ganho pontual de US$ 982 milhões antes de impostos (US$ 751 milhões depois) com a venda da participação da Amex na Global Business Travel Group. A empresa informa que parte desse ganho foi usada para financiar a reestruturação. Sem esses itens, o lucro líquido ajustado foi de US$ 3,2 bilhões, ou US$ 4,68 por ação, alta de 13% sobre os US$ 4,14 do ano anterior.
Com o desempenho do ano até agora, a Amex elevou a projeção de lucro por ação para 2026 a uma faixa de US$ 18,30 a US$ 18,60 (US$ 17,60 a US$ 17,90 na base ajustada) e disse que segue no caminho de entregar outro ano de crescimento de receita de 10%. Ou seja, o corte de vagas não vem de uma empresa em dificuldade: vem de uma empresa em ano forte, que decidiu usar parte de um ganho extraordinário para se reorganizar.
Corte de 5% e a lógica de "preparar a empresa para a IA"
Segundo o relato do The Next Web a partir da CNBC, a base de comparação são cerca de 77 mil funcionários no fim de 2025. Um corte de 5% sobre esse total daria algo perto de 3.850 postos, mas essa é uma conta do Portal da AI, não um número divulgado pela Amex. A empresa também não detalhou, nas fontes consultadas, quais áreas serão afetadas, nem em quais países.
A explicação dada pela diretoria combina duas ideias: reduzir camadas de gestão e se preparar para a IA. Squeri descreveu o movimento como forma de acelerar a inovação para "vencer nos próximos anos". Já Le Caillec, ainda conforme a CNBC, deu um recado mais técnico sobre automação: "você não quer automatizar processos que não estão otimamente estruturados" (tradução livre). Em outras palavras, a empresa diz que primeiro enxuga e reorganiza o trabalho e só depois coloca a IA em cima.
O movimento se soma a uma sequência de anúncios do setor financeiro nas últimas semanas. O Barclays, por exemplo, atribuiu parte do corte de cinco mil vagas à IA, como mostramos em Barclays corta 5 mil vagas e liga parte da decisão à IA. Fora dos bancos, a HubSpot também reorganizou equipes em torno de agentes, tema da notícia sobre a demissão de 660 funcionários na HubSpot.
A regra para agentes de IA: só por API ou MCP
A segunda parte do recado é a que mais interessa a quem constrói ou usa agentes. Squeri afirmou que a Amex atenderá clientes que usam agentes de IA, mas que "só vamos permitir que acessem nossos sistemas agentes aprovados por canais de API ou MCP". Segundo o The Next Web, ele também disse que a empresa não vai deixar assistentes "saírem do controle" dentro de seus sistemas.
MCP (Model Context Protocol) é o padrão aberto que conecta agentes de IA a ferramentas e dados de forma controlada. Na prática, a posição da Amex significa que um agente de IA genérico, que simula cliques numa tela de login para acessar a conta de alguém, não será bem-vindo. Só entra quem for credenciado e usar a porta oficial. Quem quiser entender o protocolo pode ler o guia MCP: o que é e como conecta agentes de IA.
A postura é coerente com o que a empresa já vinha fazendo. No comunicado de resultados, a Amex lista entre os destaques do trimestre integrações do Resy, incluindo uma com a OpenAI, e o lançamento do Intent Intelligence Framework, voltado a comércio com agentes. Esse framework registra e autentica a intenção de compra do cliente antes de um agente fechar a transação, e foi tema de uma notícia anterior: Amex cria framework para barrar compras não autorizadas de agentes de IA. A linha geral é abrir a porta aos agentes, mas só com identificação, limites e rastro de quem autorizou o quê.
Por que isso importa para você
Mesmo sendo uma notícia sobre uma empresa americana, ela traz recados práticos para quem trabalha, empreende ou usa IA no dia a dia no Brasil.
- Para quem é empregado: o discurso de "preparar a empresa para a IA" vem junto com cortes em empresas que estão lucrando. Isso reforça que a pressão sobre cargos de gestão intermediária e de tarefas repetitivas existe mesmo em anos bons. Vale mapear quais partes do seu trabalho são decisão e relacionamento, e quais são processo que um agente pode assumir. O artigo sobre empregos que a IA vai transformar e como se preparar ajuda nesse mapa.
- Para quem está em transição de carreira: áreas que combinam conhecimento do negócio com domínio de agentes e integrações tendem a ficar mais valorizadas. Veja o roteiro em como migrar de carreira para a área de IA.
- Para quem constrói automações e agentes: grandes empresas estão fechando o acesso a robôs que não foram aprovados. Se o seu agente depende de "fingir ser um usuário" num site, ele pode parar de funcionar. Prefira integrações oficiais, por API ou MCP, e prepare-se para pedir credenciamento.
- Para quem usa agentes para comprar ou lidar com dinheiro: espere regras de autenticação e limites cada vez mais claras. O guia sobre agentes de IA comprando por você explica os cuidados básicos.
Antes de dar a um agente de IA acesso à sua conta bancária, de cartão ou de qualquer sistema financeiro, confira se o banco ou a plataforma oferece uma integração oficial para isso. Se a única forma é entregar sua senha, o risco é seu, e muitas instituições já tratam esse uso como violação das regras da conta.
O que observar a seguir
O primeiro ponto é o detalhamento do corte: quais áreas, quais países e se haverá realocação de pessoas para funções ligadas a tecnologia e IA. O segundo é a lista de agentes e parceiros aprovados pela Amex, que mostrará quem entra no ecossistema oficial. O terceiro é se outras empresas de pagamento e bancos vão adotar a mesma regra de "só por API ou MCP", em linha com o que Schwab e JPMorgan já fizeram ao bloquear agentes externos, tema da notícia Schwab e JPMorgan bloqueiam agentes de IA de mexer na conta de clientes.
Também vale acompanhar se as próximas divulgações de resultados do setor trarão a mesma combinação: lucro em alta, corte de pessoal e discurso de IA. Se vier, ficará mais difícil tratar cada caso como exceção, e a conversa passará a ser sobre como as empresas redesenham o trabalho em torno de agentes, e não apenas sobre cortar custo.
Fonte original
American Express (resultados do 3º tri de 2026)
s26.q4cdn.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.
