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IPO da Anthropic mira US$ 2 trilhões e revela prejuízo de US$ 42 bi

Documento revela receita de US$ 4,6 bilhões em 2025, compromisso de US$ 518 bilhões em nuvem e alerta sobre risco existencial da IA.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

Um prospecto confidencial do pedido de abertura de capital da Anthropic vazou nesta terça-feira (29) e mostra que a empresa mira uma avaliação acima de US$ 2 trilhões, mais que o dobro dos US$ 965 bilhões atingidos em maio. Segundo a reportagem da Fortune, o documento também expõe números que a empresa nunca havia detalhado publicamente: receita de US$ 4,6 bilhões em 2025, um salto de 1.088% sobre 2024, mas acompanhado de prejuízo líquido de US$ 42 bilhões e prejuízo operacional de US$ 8,06 bilhões, quase o triplo do ano anterior.

O prospecto ainda mostra que a Anthropic fechou 2025 com US$ 20,28 bilhões em caixa e aplicações de curto prazo, mas assumiu compromissos futuros de US$ 518 bilhões em contratos de nuvem e infraestrutura computacional, mais de cem vezes o caixa disponível hoje. Dois clientes não identificados responderam por quase um quarto da receita do ano, e boa parte dos grandes clientes não tem contrato de longo prazo, o que a própria empresa lista como risco. Chama atenção também o espaço dedicado a riscos: 80 páginas, contra 48 páginas descrevendo o próprio negócio, incluindo o alerta de que seus modelos podem representar "risco catastrófico ou existencial à humanidade" e a menção a sistemas capazes de "resistir a desligamento".

Contexto: da rodada confidencial ao vazamento

A Anthropic protocolou o pedido de IPO de forma confidencial em junho, logo depois de uma rodada de investimento que a avaliou em US$ 965 bilhões, superando pela primeira vez a avaliação da OpenAI. De lá para cá, a empresa reforçou a estrutura de governança para a abertura de capital, incluindo um pedido para que os fundadores mantenham controle de voto mesmo depois do IPO, como mostrou a notícia sobre a proposta de ações com voto duplo e a nova estrutura de governança criada antes da oferta. O salto de avaliação de US$ 965 bilhões para a meta de US$ 2 trilhões em poucos meses acompanha o ritmo de lançamentos da empresa, que incluiu recentemente o Claude Sonnet 5.5, mais rápido e mais barato por tarefa.

O tamanho do compromisso de infraestrutura também chama atenção porque reflete uma corrida do setor inteiro: os US$ 518 bilhões em obrigações futuras de nuvem da Anthropic ecoam o mesmo movimento visto na Oracle, que bateu recorde com um backlog de US$ 664 bilhões em contratos de IA. É o mesmo padrão em todo o setor: gastar hoje, muito antes de a receita cobrir a conta, apostando que a demanda por IA generativa vai continuar crescendo no ritmo atual.

Por que isso importa para você

Se você usa Claude no trabalho, o prospecto não muda nada na ferramenta hoje, mas ajuda a entender o tamanho da aposta por trás dela: a Anthropic está gastando muito mais do que fatura para sustentar capacidade de computação e continuar lançando modelos mais rápido que a concorrência. Para quem constrói produto ou negócio em cima da API da Anthropic, vale prestar atenção à concentração de clientes revelada no documento (quase 25% da receita vem de só dois clientes) e à ausência de contratos longos com grandes contas: é um lembrete de que mesmo empresas com bilhões em receita ainda têm modelo de negócio em construção, o que pode significar mudanças de preço ou de política de uso sem muito aviso prévio.

Para investidores de varejo brasileiros que cogitam participar do IPO quando ele sair do papel, o documento traz um contraponto importante ao hype: a própria empresa lista, em linguagem legal, cenários em que sua tecnologia poderia causar dano catastrófico, algo raro de ver escrito com todas as letras num prospecto de oferta pública. É o tipo de risco que qualquer decisão de investimento deveria pesar, ao lado do crescimento de receita de doze vezes.

O que observar até a oferta pública de fato acontecer

Um prospecto confidencial pode mudar bastante até a oferta ser lançada oficialmente: valuation, volume de ações ofertadas e até o timing do IPO costumam ser ajustados conforme as condições de mercado. Vale acompanhar se a meta de US$ 2 trilhões se sustenta, considerando que o setor de IA já enfrentou episódios recentes de nervosismo em bolsa, como mostrou o processo movido contra Anthropic, OpenAI, Google e xAI por suposta combinação para desacelerar a IA. A pressão regulatória também segue em alta: a empresa já havia sido alvo de ações judiciais, como o processo movido por Sony Music e Warner Chappell por violação de direitos autorais, e segue classificada pelo Pentágono como risco à cadeia de suprimentos, decisão que um tribunal de apelações manteve recentemente.

Outro ponto a acompanhar é a reação do próprio mercado financeiro ao vazamento: segundo a Fortune, o documento já provocou reações mistas entre analistas, alguns vendo os números de crescimento como justificativa para a avaliação, outros questionando se o ritmo de queima de caixa é sustentável no médio prazo. Nos próximos meses, à medida que a Anthropic avançar no processo de listagem, o valor final da oferta e o apetite de investidores institucionais vão mostrar se o mercado compra a tese de crescimento apesar do prejuízo bilionário.

O tamanho do salto em relação à OpenAI

A meta de US$ 2 trilhões, se confirmada, colocaria a Anthropic num patamar de avaliação raramente visto fora de gigantes de tecnologia já consolidadas, e reacende a comparação direta com a rival OpenAI, que também avalia uma nova rodada de captação. A diferença é que a receita da Anthropic, mesmo crescendo doze vezes, ainda é uma fração pequena do que empresas de tecnologia maduras faturam nesse patamar de valor de mercado, o que deixa claro que o mercado está precificando principalmente expectativa de crescimento futuro, não resultado presente. Esse tipo de descompasso entre avaliação e receita atual costuma ser normal em empresas de tecnologia em fase de expansão acelerada, mas o volume aqui é inédito, o que ajuda a explicar por que analistas discordam tanto sobre se o número faz sentido.

Vale lembrar que documentos desse tipo, protocolados de forma confidencial junto à SEC nos Estados Unidos, existem justamente para permitir que empresas testem o apetite do mercado antes de se comprometerem publicamente com um valor final. Isso significa que os números que vazaram agora são um retrato de um momento específico do processo, e podem ser revisados para cima ou para baixo até a oferta pública de fato acontecer, dependendo de como investidores institucionais reagirem nas rodadas de apresentação que costumam preceder o IPO.

Resumo rápido

Receita 2025: US$ 4,6 bilhões (+1.088%). Prejuízo líquido: US$ 42 bilhões. Meta de avaliação no IPO: acima de US$ 2 trilhões. Compromissos futuros de nuvem: US$ 518 bilhões, mais de cem vezes o caixa disponível.

Fonte original

Fortune

fortune.com

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Perguntas frequentes

Não. O pedido de IPO segue confidencial junto à SEC, e o que vazou foi o prospecto preliminar. Não há data confirmada para a oferta pública de fato acontecer.
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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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