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Amazon quer que o Alexa for Shopping seja o agente de compras principal

No balanço de 29/10, Jassy disse que poucos compram por agentes de fora, pela experiência ainda ruim, e citou 400 milhões de clientes no Alexa for Shopping.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

A Amazon deixou claro quem ela quer que seja o agente de IA por trás das compras na sua loja: o próprio Alexa for Shopping. Na teleconferência do terceiro trimestre, na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, o CEO Andy Jassy disse que poucos clientes compram hoje por meio de agentes de fora porque, nas palavras dele, a experiência "ainda não é boa". Em seguida, afirmou acreditar que o Alexa for Shopping será o principal agente de compras que os clientes usarão para comprar na Amazon. A reportagem é do The Next Web, publicada em 31 de outubro, com base na teleconferência e em relatos da Fortune e do Axios.

Jassy não citou o nome do Muse, o agente de IA da Meta. Segundo a Fortune, porém, foi a ele que o executivo se referia. O Muse é o assistente que a Amazon bloqueou do site cerca de um mês antes da teleconferência, e a disputa entre as duas empresas ganhou um capítulo novo com esses comentários.

O que Jassy disse sobre agentes de fora

De acordo com o TNW, Jassy afirmou que poucos clientes estão fazendo compras desse jeito por enquanto, porque a experiência ainda não é boa. A Amazon também diz esperar trabalhar com agentes "horizontais", ou seja, assistentes de uso geral que servem para tudo, e não só para comprar. O argumento do CEO é que o Alexa for Shopping já conhece o histórico de compras do cliente, o endereço de entrega e os dados de pagamento, o que dá a ele vantagem prática sobre qualquer assistente que precise pedir tudo isso do zero.

Vale ler a frase com cuidado. Quem diz que a experiência dos concorrentes ainda não é boa é a empresa que decide, ao mesmo tempo, quem pode ou não entrar na sua loja. A Amazon bloqueou o Muse alegando que a Meta nunca pediu permissão, e nós contamos esse episódio em Amazon bloqueia agente de IA Muse, da Meta, de fazer compras no site sem autorização. O discurso do balanço é a versão financeira do mesmo movimento: manter o cliente dentro do agente da casa.

Os números do Alexa for Shopping

Segundo o TNW, que cita os resultados da Amazon, os números apresentados foram estes:

  • Mais de 400 milhões de clientes usaram o Alexa for Shopping nos últimos 12 meses.
  • As interações com o assistente cresceram 570% em relação ao ano anterior.
  • Nos Estados Unidos, quem usa o Alexa for Shopping gasta 50% mais por pedido do que quem não usa, segundo Jassy.
  • A Amazon adicionou mais de 100 capacidades ao assistente.

Entre as novidades, clientes americanos agora podem criar e editar listas de compras e listas de presentes, atualizar instruções de entrega, perguntar sobre cobranças e reembolsos e pausar ou alterar entregas recorrentes. Essas funções foram detalhadas em um post no blog da Amazon publicado no dia do balanço.

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O número de 50% a mais por pedido vem do próprio CEO e compara quem usa o assistente com quem não usa. Isso não prova que o assistente faz o cliente gastar mais: quem usa o recurso pode ser, desde o início, um comprador mais ativo. Trate como indício de engajamento, e não como efeito comprovado.

Muse, Walmart e a briga pelo caixa

O contexto ajuda a entender o tom. A Meta diz que compras já são o principal uso do Muse. O CEO Mark Zuckerberg afirmou na semana passada que mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá configuraram o agente, e nós acompanhamos esse dado em Meta diz que o agente Muse já tem mais de 10 milhões de usuários. Segundo o TNW, entre os parceiros do Muse estão Shopify, Walmart e Best Buy, e a adesão foi tão rápida que a Meta pediu à Stripe que aumentasse seus limites.

O Walmart, aliás, também decidiu abrir a porta para agentes: contamos em Walmart abre porta a agentes de IA enquanto a Amazon os bloqueia. Ou seja, o varejo americano se dividiu em dois campos. De um lado, quem libera agentes de terceiros e tenta ganhar volume. De outro, a Amazon, que prefere concentrar a compra no seu próprio assistente.

Segundo o TNW, o analista Justin Post, do Bank of America, escreveu em uma nota, noticiada pelo Axios, que a tração do Muse "provavelmente vai gerar perguntas sobre a estratégia de agentes da Amazon". A fala de Jassy no balanço parece, em parte, uma resposta a essa pergunta antes que ela fosse feita.

O recado para a publicidade

Houve ainda um ponto de atenção no balanço. A receita de publicidade da Amazon cresceu 11% no trimestre, abaixo do que os analistas esperavam. Jassy disse que os agentes de fora não foram a causa e afirmou esperar que o crescimento da publicidade volte à faixa dos 17% a 19% (o que ele chamou de high teens) no trimestre de fim de ano, o das compras de Natal. A explicação é a de um executivo que quer afastar a ideia de que o comércio feito por agentes está tirando dinheiro da publicidade da loja.

O raciocínio por trás do medo é simples. Boa parte da receita de anúncios da Amazon vem de vendedores que pagam para aparecer na página de busca. Se o cliente deixa de olhar a página porque pede ao agente "compre o melhor fone até tal preço", o espaço publicitário perde valor. Por isso, quem controla o agente controla também onde o anúncio aparece, e isso explica o interesse da Amazon em que esse agente seja o dela.

O que ainda não sabemos

Algumas ressalvas importam antes de tirar conclusões:

  • Os números do Alexa for Shopping vêm da própria Amazon e dos comentários de Jassy, sem auditoria independente. Não está claro o que conta como "cliente que usou" nem como são contadas as "interações".
  • A informação de que Jassy se referia ao Muse vem de relato da Fortune, e não de uma declaração dele.
  • Os recursos novos citados são para clientes dos Estados Unidos. O texto da reportagem não fala de data para outros países, e não encontramos aviso para o Brasil.
  • A afirmação de que a experiência dos agentes de fora "ainda não é boa" é uma opinião do CEO de uma empresa concorrente, e não uma medição.

Por que isso importa para você

Mesmo que o Alexa for Shopping ainda não funcione do mesmo jeito no Brasil, o movimento mostra para onde o comércio online caminha, e isso afeta quem vende, quem faz conteúdo e quem só compra:

  • Se você vende na Amazon, o agente passa a ser mais um intermediário entre o seu produto e o cliente. Título, descrição, fotos e avaliações bem preenchidos ajudam um assistente a entender e recomendar o que você vende, e vale começar a cuidar disso agora. Quem ainda quer organizar uma operação de venda online encontra um ponto de partida em nossos guias de negócios.
  • Se você trabalha com afiliados e comparativos, atenção: quanto mais a compra acontece dentro de um assistente, menos o leitor passa por páginas de comparação. Conteúdo com análise própria, experiência real e dados específicos tende a resistir melhor do que listas genéricas.
  • Se você usa agentes de IA para comprar, prefira os que pedem confirmação antes de pagar e confira o valor final. Contamos, em Bank of America pede a clientes que não deem a senha a agentes de IA, por que entregar credenciais a um agente exige cuidado.
  • Se você empreende, acompanhe a briga entre lojas fechadas e abertas a agentes. Escolher em qual plataforma vender passa a incluir uma pergunta nova: ela deixa os agentes do seu cliente trabalharem ou não?

A fotografia do momento é esta: a Amazon diz ter centenas de milhões de usuários no seu assistente e afirma que o agente da casa será o principal, enquanto Meta e Walmart apostam em abrir a loja a assistentes de uso geral. Quem tem razão só ficará claro quando houver dados independentes de uso, e isso deve aparecer nos próximos trimestres.

Fonte original

The Next Web, Fortune, Axios

thenextweb.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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