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Alphabet cai 12% e perde US$ 511 bi: o Modo IA rende menos em anúncios

As ações da Alphabet despencaram mais de 12% depois de o Google admitir que o Modo IA monetiza menos que a Busca clássica; anúncios chegam ao Brasil no 4º tri.

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Alphabet cai 12% e perde US$ 511 bi: o Modo IA rende menos em anúncios
Foto: ninalozej / Pixabay

A quinta-feira, 29 de outubro de 2026, entrou para a história do Google pelo motivo errado. Segundo a Bloomberg, citada pelo The Next Web, às 9h35 em Nova York (10h35 em Brasília) a Alphabet, controladora do Google, já tinha perdido US$ 511 bilhões em valor de mercado, com as ações em queda de mais de 12%. É a maior perda de valor de mercado da empresa em um único pregão. A CNBC lembrou que, se o papel fechasse mais de 9,77% abaixo, seria a pior reação a um balanço desde a abertura de capital, em 2004.

O gatilho foi o balanço do terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira, 28. Este texto é análise nossa a partir da reportagem do The Next Web, que reúne apurações da Bloomberg, da CNBC e do Business Insider. O fato que mais chama atenção é uma frase dita pela própria direção do Google: o Modo IA, a busca conversacional que a empresa tenta transformar no futuro do produto, rende menos dinheiro por consulta do que a Busca tradicional.

O que o Google disse sobre o Modo IA

Na teleconferência de resultados, Philipp Schindler, diretor de negócios do Google, afirmou que o forte crescimento das consultas no Modo IA teve impacto no resultado "por causa da menor monetização que estamos vendo no Modo IA". Em termos simples, cada vez que alguém faz uma pergunta ao Modo IA em vez de usar a lista clássica de links, o Google ganha menos do que ganharia com os anúncios tradicionais ao redor dos resultados.

Schindler tentou dar a leitura otimista: muitas perguntas feitas ao Modo IA são do tipo "topo de funil", ou seja, de quem ainda está pesquisando e não decidiu a compra, e o Google quer capturar essa nova intenção comercial de alto valor. Sundar Pichai, CEO da empresa, comparou o momento à migração para o celular, mais de uma década atrás, quando o Google primeiro construiu a melhor experiência e só depois a monetizou. Segundo a reportagem, a prioridade declarada é entregar a melhor busca e deixar a monetização em segundo plano.

Os números que assustaram o mercado

O trimestre não foi ruim em tudo. De acordo com o The Next Web, a receita total subiu 25%, para US$ 127,6 bilhões, ligeiramente abaixo das previsões. A Google Cloud mais que dobrou as vendas. O uso também cresceu: o Google afirmou que o volume de consultas na Busca teve o ritmo mais rápido em cinco anos, e os cliques pagos subiram 8% sobre o ano anterior, segundo o relatório trimestral da empresa.

O problema está na linha mais importante. A receita de Busca e outros produtos cresceu 12%, para US$ 63,35 bilhões, contra 19% no primeiro trimestre e 17% no segundo. Pelo segundo trimestre seguido, ficou abaixo da estimativa dos analistas, de acordo com a CNBC. Executivos atribuíram a maior parte da desaceleração ao câmbio e disseram que o efeito será maior no quarto trimestre. Além disso, os gastos pesados com data centers de IA deixaram o fluxo de caixa livre negativo pelo segundo trimestre consecutivo.

A Microsoft, que divulgou resultados na mesma noite, caiu cerca de 1%, e os contratos futuros da Nasdaq recuaram. Também na quinta-feira, as ações da ServiceNow chegaram a cair 25% depois de um balanço fraco, o que reforçou a sensação de que o mercado está cobrando retorno concreto de quem investe pesado em IA.

Anúncios no Modo IA: onde e quando

Para responder à pressão, o Google detalhou em um post do blog, assinado por Shashi Thakur, que comanda os anúncios de busca, como pretende ampliar a publicidade dentro das experiências de IA. Segundo o The Next Web, os anúncios no Modo IA chegam a mais dez países: Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Singapura. Para o quarto trimestre estão planejados Brasil, México e Reino Unido. Nos Estados Unidos, os anúncios passam a aparecer também nas perguntas de acompanhamento dentro do Modo IA.

O Google afirma que a taxa de cliques em listagens patrocinadas e orgânicas de produtos no Modo IA já é parecida, e que as consultas nesse modo são em média três vezes mais longas que as buscas tradicionais. São afirmações da própria empresa. A informação sobre o Brasil vem do relato do The Next Web sobre o post do Google, e a data exata de chegada ao país não foi detalhada. Já tratamos do anúncio dessa expansão na notícia Google leva anúncios do Modo IA da Busca para o mundo todo; o que mudou agora é a reação do mercado e a confissão de que o formato rende menos.

Duas leituras de analistas

Gil Luria, da D.A. Davidson, disse à CNBC que investidores vão temer que as falhas em Busca, YouTube e assinaturas signifiquem que a IA "finalmente chegou para o Google", embora ele mesmo não tire conclusões de um único trimestre. Os analistas do JPMorgan, liderados por Doug Anmuth, escreveram que o balanço mostra que a margem de erro de quem gasta tanto em IA é pequena. Já Scott Devitt, da Rosenblatt Securities, discordou: para ele, os 4 bilhões de usuários de busca do Google podem virar usuários de IA, e a queda não representa "uma mudança de era".

A discussão é antiga no setor. Se as respostas prontas diminuem os cliques em links e anúncios pagam menos dentro da resposta, o modelo de negócio que financiou a internet aberta por 25 anos pode encolher. Do outro lado estão empresas que apostam em assinatura, como a Anthropic, que reafirmou que o Claude nunca terá anúncios, tema da nossa notícia Anthropic diz que o Claude nunca terá anúncios, e a OpenAI, que testa anúncios no ChatGPT, como mostramos em ChatGPT expande anúncios para sete mercados asiáticos.

Para guardar

O Google admitiu em público que o Modo IA monetiza menos que a Busca clássica. Isso explica por que a empresa corre para colocar anúncios dentro das respostas de IA, inclusive no Brasil, previsto para o quarto trimestre. Quanto mais a IA responde sozinha, menos clique o seu site recebe.

Por que isso importa para você

Se você trabalha com internet no Brasil, essa notícia mexe com o seu bolso mesmo que você não tenha uma ação da Alphabet. Os próximos meses devem trazer anúncios dentro das respostas do Modo IA para o público brasileiro, e o jeito como a Busca distribui visitas está mudando. Alguns pontos práticos:

  • Quem vive de tráfego orgânico deve acompanhar nos relatórios do Google Search Console se as visitas estão caindo em páginas que respondem perguntas simples. Conteúdo com experiência própria, dados originais e marca reconhecida tende a resistir melhor do que texto genérico.
  • Quem anuncia no Google Ads deve esperar novos formatos no Modo IA e testar com orçamento pequeno antes de migrar verba. O próprio Google diz que a monetização ali ainda é menor, então os preços e o retorno podem mudar bastante nos primeiros meses.
  • Quem faz marketing de afiliados precisa diversificar canais. Se a resposta de IA traz o produto e o anúncio patrocinado, sobra menos espaço para o link do afiliado. Newsletter, vídeo, comunidade e busca dentro de plataformas viram reforço, como discutimos em Google abre o Gemini e a Busca a apps de terceiros.
  • Quem usa a Busca para pesquisar deve conferir se uma recomendação está marcada como patrocinada e comparar com uma segunda fonte antes de comprar. A confiança na resposta depende de saber o que é anúncio e o que é conteúdo.
  • Quem investe ou acompanha o setor de tecnologia deve olhar o recado maior: o mercado deixou de premiar gasto em IA sem retorno claro. Os números de Microsoft e Azure no mesmo trimestre mostram que a nuvem vem ganhando onde a busca perde.

Uma observação de método: o fato vem do The Next Web, que cita Bloomberg, CNBC e Business Insider, sem fonte primária adicional aberta por nós além do que a reportagem descreve. Os números de ações são do início do pregão e mudam ao longo do dia, então o fechamento pode ser diferente do que citamos. Vamos acompanhar a data de chegada dos anúncios do Modo IA ao Brasil quando o Google a detalhar.

Fonte original

The Next Web, Bloomberg, CNBC

thenextweb.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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