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Microsoft faturou US$ 10 bi com a OpenAI e o Azure chega a US$ 33 bi

Balanço da Microsoft mostra cerca de US$ 10 bilhões em receita ligada à OpenAI e, pela primeira vez, a receita do Azure em dólares: US$ 33,2 bilhões, alta de 48%.

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Microsoft faturou US$ 10 bi com a OpenAI e o Azure chega a US$ 33 bi
Foto: Brian Smale and Microsoft (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

A Microsoft divulgou nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, o balanço do trimestre encerrado em 30 de setembro, o primeiro do ano fiscal de 2027 da empresa. Dois números chamaram a atenção do mercado de IA: cerca de US$ 10 bilhões em receita ligada à OpenAI e, pela primeira vez, a receita do Azure informada em dólares, US$ 33,2 bilhões. As duas informações aparecem em reportagens da TechCrunch, assinadas por Rebecca Bellan e Aditya Mehta.

Juntos, os números ajudam a responder uma pergunta que muita gente faz sobre a corrida da IA: quanto dinheiro isso já movimenta de verdade, e quem fica com ele? A resposta, neste trimestre, é que boa parte da receita da nuvem da Microsoft continua amarrada ao seu maior parceiro e, ao mesmo tempo, rival.

US$ 10 bilhões vindos da OpenAI

Segundo a TechCrunch, a Microsoft informou em documento enviado ao regulador americano que registrou cerca de US$ 10 bilhões em receita de acordos comerciais com a OpenAI, incluindo pagamentos de divisão de receita. Isso equivale a quase 11% da receita total do trimestre, de US$ 92,3 bilhões. No ano fiscal de 2026 inteiro, o valor foi de US$ 24,1 bilhões, o que significa que o ritmo atual aponta para algo perto de US$ 40 bilhões por ano.

A reportagem não detalha quanto desse total vem da divisão de receita e quanto vem do uso do Azure pela própria OpenAI. A TechCrunch afirma que pediu mais informações à empresa. Também não é um número de lucro: é receita, ou seja, dinheiro que entra, sem descontar o custo de operar os servidores.

Contas a receber e participação societária

O balanço traz ainda US$ 7,2 bilhões em valores a receber da OpenAI no fim de setembro, contra US$ 6 bilhões no fim de junho. São quantias que a OpenAI deve por transações passadas, e não receita nova. A participação da Microsoft na OpenAI caiu de cerca de 25% em junho para 24% em setembro, sem explicação da empresa. Depois da reestruturação de outubro de 2025, ela era de aproximadamente 27%.

Segundo a TechCrunch, um acordo de abril de 2026 obriga a OpenAI a continuar dividindo receita com a Microsoft até 2030, sujeito a um teto, e permite que a OpenAI trabalhe com outras nuvens. A reportagem lembra que a OpenAI se comprometeu, em 2025, a comprar mais US$ 250 bilhões em serviços do Azure em troca do fim da exclusividade. A divisão de 20% da receita citada em reportagens anteriores nunca foi confirmada publicamente por nenhuma das duas empresas.

Azure em dólares, pela primeira vez

Na outra reportagem, a TechCrunch conta que a Microsoft sempre falou do Azure em taxas de crescimento ou marcos vagos, e agora revelou o valor trimestral: US$ 33,2 bilhões, alta de 48% sobre um ano antes. Isso representa cerca de 36% da receita total da empresa e ficou aproximadamente US$ 850 milhões acima dos US$ 32,3 bilhões esperados pelos analistas. O crescimento também superou a projeção de 44% a 45% feita pela diretora financeira, Amy Hood, na teleconferência de julho.

Para comparação, a nuvem do Google reportou US$ 30,7 bilhões no mesmo período, incluindo assinaturas do Workspace. Pelas contas da TechCrunch, a nuvem do Google cresceu cerca de duas vezes mais rápido que o Azure. A Amazon divulga resultados na quinta-feira, e a AWS segue como a maior do setor: ninguém espera que a Microsoft a ultrapasse agora.

Novos segmentos de negócio

A Microsoft também mudou a forma de apresentar suas contas. O Azure passou a ficar dentro de um segmento chamado Agents and Infra, que reúne ainda a parte em nuvem do Microsoft 365 e faturou US$ 76,8 bilhões, alta de 25%. Dois novos segmentos substituíram os três antigos: Productivity and Business Processes, Intelligent Cloud e More Personal Computing. O próprio nome do novo segmento mostra para onde a empresa quer que os investidores olhem: agentes de IA e infraestrutura.

O que ainda não está claro

As duas reportagens se apoiam no documento da Microsoft e em reportagens anteriores; não trazem declarações de executivos. Não sabemos a divisão entre divisão de receita e consumo de nuvem, nem o que causou a diluição da fatia na OpenAI. Vale tratar os números como o que a Microsoft escolheu informar, não como uma auditoria independente.

Por que isso importa para você

Se você usa ChatGPT, Copilot ou qualquer API de IA no trabalho, boa parte do que paga passa por essa cadeia: o modelo é da OpenAI, o servidor é do Azure e o dinheiro circula entre as duas empresas. Isso ajuda a entender por que os preços de IA oscilam e por que as empresas insistem tanto em agentes, que consomem muito mais processamento do que uma conversa simples.

Também é um sinal de que a demanda por nuvem para IA segue forte, o que sustenta os investimentos pesados em data centers que temos acompanhado, como em Microsoft triplica capacidade de data centers de IA. A dependência mútua aparece também nas notícias sobre o caixa da OpenAI, como OpenAI busca US$ 30 bilhões e adia o IPO para 2027, e na busca da empresa por alternativas de chips em OpenAI planeja comprar TPUs do Google além da Nvidia.

Na prática, para quem empreende com IA, a lição é não depender de um único fornecedor. Compare as opções em ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher e acompanhe o custo de cada ferramenta, porque a concorrência entre nuvens tende a favorecer o cliente. O custo dos agentes é outro ponto de atenção, tratado em Gartner: custo de agentes de IA pode quintuplicar até 2028.

A notícia veio de fonte única, a TechCrunch, que se baseia no documento enviado pela Microsoft ao regulador. O texto é nosso, com análise própria.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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