Receita anualizada da OpenAI se aproxima de US$ 70 bilhões no trimestre
Segundo a Axios, o crescimento é puxado por vendas corporativas, que mais que dobraram no trimestre, enquanto a receita de consumidor já supera a de todo o ano passado.
A OpenAI está a caminho de fechar o ano com receita anualizada de quase US$ 70 bilhões, segundo reportagem da Axios publicada nesta terça-feira (29) e replicada por veículos como o PYMNTS. O número representa um salto de 70% só desde o início do terceiro trimestre, quando a empresa já projetava algo em torno de US$ 40 bilhões anualizados, conforme a Bloomberg havia noticiado em agosto.
O motor desse crescimento, segundo a reportagem, é a venda para empresas: a receita B2B mais que dobrou no período, crescendo mais de 100%. Do lado do consumidor, a OpenAI arrecadou no terceiro trimestre sozinho mais do que em todo o ano de 2025, puxada por assinaturas do ChatGPT, pela ferramenta de programação Codex e por um negócio de publicidade que começa a ganhar corpo dentro do produto.
Contexto: uma corrida que também é sobre IPO
O número chega num momento sensível para o mercado de IA. A OpenAI e a Anthropic vêm se preparando para eventuais aberturas de capital, mas seguem caminhos diferentes: a Anthropic é apontada como mais próxima de um IPO ainda neste ano, enquanto a OpenAI afirmou publicamente que não pretende abrir capital em 2026, citando preocupações ligadas à segurança do desenvolvimento de seus modelos. Ainda assim, números de receita como este ajudam a sustentar a avaliação bilionária da empresa em eventuais rodadas futuras, disputada por investidores institucionais interessados em um pedaço do mercado de IA generativa.
Vale lembrar que a aceleração de receita acontece poucos dias depois da Anthropic lançar o Claude Sonnet 5.5, mais barato e mais rápido, dentro de uma guerra de preços que já havia colocado o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna no mercado a preços cortados pela metade. Mesmo reduzindo preço por tarefa, a OpenAI está conseguindo vender mais, o que indica que a demanda por IA aplicada ao trabalho segue aquecida apesar da guerra de preços entre os grandes laboratórios.
Por que isso importa para você
Para quem vende produtos ou serviços de IA no Brasil, seja como agência de automação, consultoria ou desenvolvedor freelancer, o dado mais relevante não é o valor total, mas de onde ele vem: o crescimento mais que dobrado nas vendas para empresas confirma que o dinheiro de verdade no setor está migrando do usuário individual pagando assinatura para o contrato corporativo, com integração, suporte e customização. Isso reforça uma tendência que já discutimos em como vender consultoria de IA para pequenas empresas: o mercado empresarial de IA aplicada está em expansão mais rápida que o mercado de consumidor, e há espaço para quem souber ajudar negócios menores a adotar essas ferramentas sem precisar de um time de tecnologia próprio.
Para quem trabalha com desenvolvimento e cobra por uso de API, a notícia também é um termômetro de que o mercado não está saturado, mesmo com a chegada constante de novos modelos concorrentes, como o Grok 4.7 da SpaceXAI. A receita crescente sugere espaço para vários fornecedores coexistirem, o que é bom para quem monta produtos multiplataforma em vez de apostar tudo em um único provedor de IA.
O que ainda não se sabe
A própria Axios ressalva que não teve visibilidade sobre a estrutura de custos da OpenAI, o que significa que o salto em receita não garante, por si só, lucratividade. A empresa segue gastando somas bilionárias em infraestrutura de data center e poder computacional, parte disso em contratos de longo prazo com fornecedores como a Oracle, que já acumula um backlog de US$ 664 bilhões em contratos de nuvem de IA, boa parte ligada à própria OpenAI. Até que a empresa divulgue números auditados de forma mais transparente, o quadro completo sobre a saúde financeira do negócio continua incompleto, mesmo com a receita batendo recorde atrás de recorde.
O que observar daqui pra frente
Três coisas vão ajudar a entender se esse crescimento é sustentável ou só um pico de adoção puxado pela euforia em torno da IA generativa. A primeira é a taxa de retenção dos clientes corporativos: empresas que assinam ferramentas de IA num primeiro momento por curiosidade tendem a cancelar se não conseguirem medir retorno concreto sobre o investimento em poucos meses. A segunda é se os concorrentes, incluindo o Gemini do Google e a Anthropic, vão conseguir capturar fatia desse mercado corporativo em expansão ou se a OpenAI vai continuar concentrando a maior parte da demanda. A terceira é o próprio ritmo de gastos com infraestrutura, já que qualquer desaceleração nos investimentos em data center pode sinalizar mudança de estratégia dentro da empresa.
Para quem no Brasil vende ferramentas, treinamentos ou consultoria em torno de IA, o pano de fundo continua favorável: com receita batendo recorde e demanda corporativa dobrando trimestre a trimestre, o mercado ainda está em fase de expansão, não de maturidade. Isso significa que ainda há espaço para quem está começando agora a oferecer esse tipo de serviço, desde que escolha bem o nicho e consiga mostrar resultado prático para o cliente, seja ele uma grande empresa ou um pequeno negócio local.
Vale lembrar também que crescimento acelerado de receita nem sempre significa estabilidade de produto. Empresas em fase de expansão rápida como a OpenAI costumam mudar preços, funcionalidades e até políticas de uso com frequência, o que já aconteceu mais de uma vez neste ano com o ChatGPT. Quem constrói negócio em cima de uma única plataforma de IA fica exposto a essas mudanças, e por isso profissionais e empresas mais maduros no setor costumam recomendar não depender de um único fornecedor, seja para automação, atendimento ou geração de conteúdo, justamente para não ficar refém de decisões de precificação tomadas do outro lado do mundo.
A receita anualizada da OpenAI está perto de US$ 70 bilhões, alta de 70% desde o início do trimestre, puxada por vendas corporativas que mais que dobraram. O custo real da operação, porém, ainda não foi divulgado de forma clara pela empresa.
Fonte original
Axios
pymnts.com
Perguntas frequentes

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.
