Pesquisador encontra indícios de que o Muse, da Meta, usa em segredo um modelo da OpenAI por trás dos bastidores
Uma sessão de subagente do Muse foi encontrada roteada para um modelo chamado 'azure/muse-special', com marcas técnicas — como o formato de criptografia e de IDs de chamada de ferramenta — que apontam para um modelo real da OpenAI rodando por trás da marca da Meta, ao lado do modelo próprio da empresa, batizado de 'Avocado'.
Um pesquisador de segurança que investigava o funcionamento interno do Muse, assistente de IA de propósito geral da Meta, encontrou uma sessão de subagente roteada para um modelo identificado internamente como "azure/muse-special" — nome que, segundo a análise, esconde na verdade um modelo da OpenAI rodando por trás da marca da Meta, ao lado do modelo desenvolvido internamente pela empresa, apelidado de "Avocado".
As evidências técnicas
A assinatura encontrada na resposta do modelo trazia a tag "gpt_responses_v1" e um payload criptografado começando com "gAAAAA" — padrão característico usado pela OpenAI. Os IDs de chamada de ferramenta também seguiam o formato "call_" seguido de 24 caracteres alfanuméricos, outra marca registrada da forma como a OpenAI estrutura esse tipo de identificador. Juntos, esses detalhes técnicos levaram pesquisadores a concluir que o modelo "muse-special" é, muito provavelmente, um modelo da OpenAI ou parte da API Responses da própria OpenAI.
A Meta vem investindo publicamente há dois anos na narrativa de que seus próprios modelos de IA são capazes de competir de igual para igual com os das concorrentes. Se a empresa está de fato roteando parte do tráfego de produção do Muse para um modelo de um concorrente direto, isso sugere uma aposta interna mais cautelosa sobre a própria tecnologia do que a imagem pública projetada pela empresa.
Por que isso importa
A descoberta chega na mesma semana em que outros pesquisadores de segurança relataram falhas distintas no Muse, incluindo uma vulnerabilidade zero-day no aplicativo para macOS e um caso em que o assistente foi induzido, com poucos comandos, a expor todo o sistema de arquivos de sua máquina virtual interna. Somados, os episódios reforçam um ponto que já discutimos em nosso texto sobre IA e privacidade: o que você entrega sem perceber: por trás da interface polida de um assistente de IA, usuários raramente sabem ao certo qual modelo está processando seus dados, nem quão bem protegida está essa infraestrutura.
Fonte original
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Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.