Portal da AI

Blackwall capta US$ 100 milhões para proteger sites contra bots de IA

A estoniana Blackwall levantou US$ 100 milhões em rodada Série C, vale US$ 2,2 bilhões e vende a provedores de hospedagem proteção contra tráfego de bots e agentes de IA.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Blackwall capta US$ 100 milhões para proteger sites contra bots de IA
Foto: Doug McGrady from Warwick, RI, USA (CC BY 2.0) / Wikimedia Commons

A Blackwall, empresa de segurança de tráfego web sediada na Estônia, anunciou nesta terça-feira (20) uma rodada Série C de US$ 100 milhões que a avalia em US$ 2,2 bilhões, segundo reportagem exclusiva do TechCrunch. A rodada foi liderada pela AVP, com participação dos investidores que já estavam na empresa: Dawn Capital, MMC Ventures e Tera Ventures. O presidente executivo, Roi Carthy, disse que o valor da empresa quadruplicou desde a captação anterior, feita em 2025.

A notícia chama atenção porque a Blackwall vende exatamente o que muitos donos de site começam a precisar: uma forma de separar o visitante humano e o agente de IA legítimo do robô malicioso, num momento em que a internet recebe cada vez mais acessos automatizados.

O que a Blackwall faz

A empresa constrói ferramentas de segurança de tráfego para provedores de hospedagem, com foco em bots, e em especial nos que vêm de agentes de IA. O pacote inclui inteligência de ameaças, gestão de certificados, proteção contra ataques de negação de serviço (DDoS) e roteamento de tráfego. Para distinguir quem é quem, a Blackwall usa uma técnica chamada impressão digital (fingerprinting), que identifica o software por trás de cada requisição, e roda modelos de IA próprios nos pontos de contato com o cliente para analisar a intenção e o comportamento de cada pedido.

O modelo de negócio é o detalhe mais incomum. Em vez de vender direto ao dono do site, a Blackwall trabalha por canal: fecha parceria com empresas de hospedagem, provedores de serviços gerenciados e de nuvem, que recebem um conjunto de ferramentas personalizável. Esses provedores oferecem a proteção aos seus próprios clientes, sob a própria marca, definem os preços e dividem a receita com a Blackwall. A relação com o cliente final continua com quem hospeda o site. Segundo a reportagem, o cliente começa com um nível gratuito que mostra o tráfego e as ameaças e paga por proteção e ferramentas adicionais.

Quem são os concorrentes

O TechCrunch cita Cloudflare, Akamai e Imperva como players maiores do setor. A Blackwall diz que não pretende competir de frente com eles. A aposta é outra: permitir que a própria empresa de hospedagem ofereça controles semelhantes aos que a Cloudflare já vende, como o AI Crawl Control, recurso que deixa o dono do site permitir, bloquear ou cobrar de rastreadores de IA. Para um pequeno provedor, montar algo assim do zero seria caro, e é aí que entra o produto da startup.

O CEO e cofundador, Nikita Rozenberg, vê demanda futura por sistemas que controlem quais agentes de IA podem acessar um site, em que condições e como autorizam pagamentos. A ideia conversa com um movimento que já aparece em outras frentes: lojas e portais que bloqueiam agentes de compra, como mostramos na notícia sobre agentes de IA para compras que enfrentam bloqueio de Amazon, Delta e eBay.

Para onde vai o dinheiro

A Blackwall afirma que usará os recursos para se expandir pela América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e Oriente Médio e para desenvolver mais ferramentas de segurança voltadas a provedores de hospedagem, nuvem e serviços gerenciados. A reportagem não informa receita, número de clientes nem planos de entrar no mercado brasileiro, então não há como dizer, a partir dela, se a solução chegará às hospedagens que brasileiros costumam usar.

O pano de fundo: a internet cheia de robôs

Por trás da rodada está uma mudança de perfil do tráfego. Durante anos, os bots eram sobretudo rastreadores de buscadores e programas de spam. Agora há também agentes de IA que navegam, comparam preços, preenchem formulários e fazem compras em nome de uma pessoa. Alguns são bem-vindos, porque podem trazer clientes. Outros apenas raspam conteúdo para treinar modelos ou tentam explorar falhas. Já vimos esse risco em outra frente, quando pesquisadores mostraram que agentes de IA podem ser enganados por instruções escondidas em cabeçalhos HTTP de páginas comuns.

Para o dono do site, o desafio é duplo. Bloquear tudo afasta tráfego que pode virar venda. Liberar tudo pode sobrecarregar o servidor, expor conteúdo e abrir brechas de segurança. Empresas como a Blackwall tentam oferecer um meio-termo: reconhecer o agente, entender o que ele quer e só então decidir se ele passa.

Por que isso importa para você

Se você tem um blog, uma loja virtual ou o site de um cliente, o tráfego de robôs deixou de ser assunto só de grandes empresas. Ele pode derrubar um site em hospedagem barata, distorcer as métricas de visitas e fazer você pagar por consumo de banda que não gerou nenhum cliente. Para quem monetiza com anúncios ou afiliados, números inflados por bots também atrapalham a análise do que de fato funciona.

Quem presta serviço de criação de sites tem uma oportunidade clara: proteção e monitoramento de tráfego podem entrar como item de manutenção mensal. Se esse é o seu caso, vale reler o guia sobre como montar e cobrar um pacote de site para negócio local com IA e pensar em como incluir segurança no escopo.

Algumas providências simples já ajudam, mesmo sem contratar nada novo:

  • Pergunte à sua hospedagem. Veja se ela oferece proteção contra bots e DDoS e se há um nível gratuito que mostre quem acessa o seu site.
  • Olhe os relatórios de acesso. Picos de visitas sem aumento de vendas ou de leitura de verdade costumam indicar robôs.
  • Decida sua política para agentes de IA. Se você quer ser encontrado por assistentes e agentes de compra, não bloqueie tudo. Se prefere proteger o conteúdo, configure o arquivo robots.txt e as regras de bloqueio com cuidado.
  • Revise as ferramentas que você contrata. O guia como escolher uma ferramenta de IA com segurança traz perguntas úteis para fazer a qualquer fornecedor.
Atenção

A Blackwall vende para provedores de hospedagem, não diretamente para o dono do site. Você não contrata a empresa; o que pode acontecer é a sua hospedagem passar a oferecer esse tipo de proteção. Confira com o seu provedor antes de pagar por qualquer pacote de segurança.

O que ainda não se sabe

A reportagem traz os valores da rodada, os investidores e a descrição do produto, mas não detalha a receita da Blackwall, o preço cobrado dos provedores nem o desempenho das ferramentas em testes independentes. A afirmação de que a técnica separa agentes legítimos de maliciosos é da própria empresa, e ainda não há avaliação externa citada. Também não está claro como o setor vai definir, na prática, quais agentes de IA merecem acesso e como a cobrança por acesso a conteúdo vai funcionar entre sites e empresas de IA.

O que a rodada mostra, com números, é que investidores enxergam dinheiro na pergunta de quem entra no seu site, e com que propósito. Para quem trabalha com internet, a pergunta deixou de ser apenas quantas pessoas visitam a página e passou a incluir quantos visitantes são máquinas, o que elas querem e quanto custa atendê-las.

A fonte original da informação é a reportagem exclusiva do TechCrunch assinada por Ram Iyer, que reúne as declarações do presidente executivo Roi Carthy e do CEO Nikita Rozenberg. Se a sua rotina depende de um site no ar, vale acompanhar como as hospedagens que você usa vão responder a essa nova camada de proteção.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

Ler na fonte original
Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →