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Perplexity lança Decisions API, que responde com probabilidade, não texto

A nova API da Perplexity devolve a chance de sim, a opção mais provável entre várias ou uma nota numa escala, pensada para triagem e automação de decisões em massa.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI

A Perplexity lançou nesta quinta-feira (1º) a Decisions API, um produto diferente dos chatbots de IA generativa que a empresa já oferece: em vez de devolver um texto corrido, a API responde perguntas com um número. Para uma pergunta do tipo sim ou não, o retorno é a probabilidade de "sim", numa escala de 0 a 1. Para perguntas de múltipla escolha, o retorno é a opção mais provável entre as alternativas dadas. E para perguntas com uma rubrica definida pelo usuário, o retorno é uma nota dentro daquela escala. Segundo a documentação oficial da empresa, a ideia é dar a times de produto e de dados uma forma de tomar decisões repetitivas em massa sem depender de um modelo gerar e o sistema interpretar um texto livre toda vez.

A API é alimentada por um modelo próprio batizado de pplx-decider-v1-27b, com 27 bilhões de parâmetros, multimodal (aceita texto e imagem) e com janela de contexto de 250 mil tokens. O modelo foi ajustado a partir do Qwen3.8-27B e treinado especificamente para devolver uma distribuição de probabilidade sobre um conjunto fixo de respostas possíveis, em vez de gerar texto livre como um chatbot tradicional. A Perplexity abriu o modelo (open source) no Hugging Face, e cobra pelo uso hospedado da API US$ 0,04 por milhão de tokens de entrada, sem custo pela saída e sem taxa por requisição.

Como a Decisions API se compara a outros "modelos de decisão"

O lançamento da Perplexity entra numa onda recente de modelos especializados em decisão, não em conversa. No mesmo dia, a Cloudflare lançou um produto chamado Clef com proposta parecida, e já existia no mercado o Jev, outro modelo voltado a classificar e pontuar conteúdo em vez de escrevê-lo. Em testes internos divulgados pela própria Perplexity, cobrindo 11 avaliações e mais de 7.200 amostras, o pplx-decider-v1-27b acertou 85,71% das respostas, ligeiramente acima dos 84,51% do Jev no mesmo conjunto de testes.

A diferença técnica em relação a usar um modelo de linguagem genérico, como o ChatGPT ou o próprio assistente da Perplexity, para a mesma tarefa está na forma como a resposta é estruturada. Pedir a um chatbot comum para "classificar este texto como spam ou não spam" costuma funcionar, mas exige que o sistema que recebe a resposta interprete um texto livre, trate variações de formato e lide com respostas ambíguas ou verborrágicas. Um modelo de decisão, como o da Perplexity, devolve direto um número dentro de um conjunto previsível de saídas, o que facilita integrar a resposta a um sistema automatizado que decide o próximo passo sem intervenção humana.

Por que isso importa para você

Para quem usa IA para automatizar parte de um negócio no Brasil, a Decisions API endereça um problema prático comum: triagem em massa. A própria documentação da Perplexity traz como exemplo o uso da API para triagem de tickets de suporte, decidindo automaticamente se um chamado é urgente, se precisa escalar para um humano ou qual categoria se aplica, sem precisar escrever um prompt longo nem tratar a resposta como texto solto. O mesmo raciocínio vale para quem recebe um grande volume de leads, mensagens no WhatsApp ou avaliações de clientes e precisa decidir rápido o que priorizar, como já discutimos em como automatizar atendimento no WhatsApp com IA.

O preço também chama atenção para quem opera em escala: US$ 0,04 por milhão de tokens de entrada é uma fração do custo de rodar um modelo de linguagem completo para a mesma tarefa, porque o modelo de decisão não precisa gerar texto de saída, apenas calcular uma probabilidade. Isso torna viável aplicar IA a decisões de alto volume e baixo valor individual, como classificar milhares de avaliações de produto por dia, algo que seria caro demais usando um modelo generativo convencional cobrado por token de saída.

Para quem vende automação com IA

Se você monta fluxos de automação para pequenas empresas, como já tratamos em Make ou Zapier e em Notion, Zapier e IA, vale testar modelos de decisão como esse para etapas de classificação dentro do fluxo, deixando o modelo generativo só para as partes que realmente exigem gerar um texto novo, como responder um e-mail. Isso reduz custo e torna o comportamento do fluxo mais previsível.

O que acompanhar na prática

Vale observar se outras gigantes de IA, além da Perplexity e da Cloudflare, vão lançar produtos equivalentes nos próximos meses: a tendência de separar "modelos que decidem" de "modelos que conversam" sugere uma divisão de trabalho parecida com a que já existe entre bancos de dados relacionais e mecanismos de busca, cada ferramenta otimizada para um tipo de tarefa. Para empresas brasileiras que já usam a Perplexity em automações via Computer, a Decisions API pode se tornar peça complementar dentro do mesmo ecossistema, usada para as decisões de triagem que alimentam automações mais complexas.

Outro ponto de atenção é a precisão real em português e em contextos brasileiros: os números de acerto divulgados pela Perplexity vêm de testes majoritariamente em inglês, e modelos de decisão especializados tendem a perder precisão quando aplicados a nuances culturais ou linguísticas específicas do Brasil, como gírias, regionalismos ou jargão de um setor local. Antes de confiar a API a uma decisão que afeta diretamente o cliente, como aprovar ou negar automaticamente um reembolso, o recomendável é rodar um período de teste comparando a resposta do modelo com a decisão que um humano tomaria no mesmo caso.

Fonte original

Perplexity AI

docs.perplexity.ai

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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