Portal da AI

MiniMax lança o M3.1 Flash, modelo para agentes a US$ 0,15 por milhão

A chinesa MiniMax abriu o M3.1 Flash na API com entrada a US$ 0,15 e saída a US$ 0,60 por milhão de tokens, e promete custo 70% menor em tarefas de agentes.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
MiniMax lança o M3.1 Flash, modelo para agentes a US$ 0,15 por milhão
Foto: NASA/Victor Zelentsov (Public domain) / Wikimedia Commons

A MiniMax, empresa chinesa de inteligência artificial, lançou nesta segunda-feira (19) o M3.1 Flash, um modelo pensado para rodar agentes de IA de forma rápida e barata. Segundo o anúncio publicado pela própria MiniMax, o modelo já está disponível na API da empresa, no plano M Plan e na ferramenta MiniMax Code. Os pesos do modelo, ou seja, os arquivos que permitem rodá-lo por conta própria, ainda não saíram: a página diz apenas que serão liberados mais tarde.

O que chama atenção é o preço. A MiniMax cobra US$ 0,15 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,60 por milhão de tokens de saída, com uma tarifa ainda menor, de US$ 0,015, para entrada que já está em cache. Token é o pedaço de texto que o modelo lê ou escreve, e é a unidade em que a maioria das APIs cobra. Em outras palavras, o valor por milhão de tokens é o que decide quanto custa deixar um agente trabalhando o dia inteiro.

O que a MiniMax anunciou

De acordo com a empresa, o M3.1 Flash tem inferência online cerca de três vezes mais rápida que a do modelo anterior e custo de uso em tarefas de agentes 70% menor. Em uso comum, a saída chega a mais de 200 tokens por segundo, com mediana acima de 170 tokens por segundo. Esses números são medições da própria MiniMax e não foram confirmados por testes independentes até a publicação desta matéria.

A página também informa que uma versão preliminar do modelo, com o codinome "Space Bunny", processou mais de 200 trilhões de tokens de forma anônima antes do lançamento. A empresa avisa ainda que o modelo maior da família, o Pro, vai chegar depois. A janela de contexto e a licença de uso do M3.1 Flash não aparecem na página, e esse é um dado importante que vale conferir antes de qualquer decisão de adoção.

Os resultados em testes de desempenho

A MiniMax divulgou uma lista de resultados em benchmarks, que são provas padronizadas usadas para comparar modelos. Os números informados pela empresa são:

  • BankerToolBench: 76,2 pontos;
  • DeepSWE v1.1: 73,7%, em tarefas de engenharia de software;
  • OSWorld V2: 61,7 pontos, o que a empresa diz ser o primeiro lugar entre os modelos chineses, em tarefas de operar um computador;
  • Agents' Last Exam (ALE): 29,6 pontos, também apontado como o primeiro entre os chineses;
  • CyberGym: 82%, em tarefas ligadas a segurança digital;
  • AutomationBench-AA: a empresa diz que o modelo está entre os melhores, mas não informa a nota.

Como sempre, convém ler esses resultados com cuidado. Benchmark mede tarefas específicas, e a posição "primeiro entre os modelos chineses" é uma comparação escolhida pela própria empresa. Isso não quer dizer que o modelo seja o melhor em geral, nem que vá render o mesmo no seu trabalho. O teste que vale é rodar o modelo nas suas tarefas reais e comparar o resultado com o que você já usa hoje.

Onde o M3.1 Flash pode ser usado

O modelo está disponível por três caminhos. O primeiro é a API, usada por desenvolvedores e por ferramentas que se conectam ao modelo por trás dos panos. O segundo é o M Plan, o plano de assinatura da MiniMax. O terceiro é o MiniMax Code, ferramenta voltada a programação com agentes. A página não detalha limites de uso do plano, preços de assinatura nem disponibilidade por país, então não dá para afirmar como será o acesso a partir do Brasil, nem se haverá cobrança em reais.

Na prática, a maioria das pessoas vai encontrar o M3.1 Flash dentro de outras ferramentas, caso plataformas de automação e editores de código decidam incluí-lo na lista de modelos. Isso costuma acontecer em poucos dias ou semanas quando um modelo barato e rápido chama atenção, mas aqui ainda não há confirmação de nenhuma integração.

Na prática

Antes de trocar de modelo, faça um teste pequeno: escolha 10 tarefas reais do seu dia a dia, rode no modelo atual e no novo, e compare qualidade e custo. Só então decida se vale migrar.

Por que isso importa para você

O recado central do lançamento é que o custo de manter um agente de IA trabalhando está caindo rápido, e isso muda a conta de quem automatiza tarefas. Quando a entrada custa centavos de dólar por milhão de tokens, tarefas repetitivas como responder mensagens, resumir documentos e organizar planilhas passam a caber em orçamentos pequenos. O Portal da AI já mostrou movimentos parecidos, como o Xiaomi MiMo-V2.6, modelo aberto treinado por apenas US$ 3 milhões, e a cobrança por busca nas APIs da DeepSeek.

Para quem quer entender o básico antes de se aventurar, vale ler a explicação sobre a diferença entre agente de IA, chatbot e automação e o guia sobre MCP, o protocolo que conecta agentes a ferramentas. Quem pensa em transformar isso em renda pode seguir para como ganhar dinheiro criando e vendendo agentes de IA personalizados, e quem toca um negócio pode ver como usar IA para reduzir custos operacionais.

Para o freelancer e o pequeno empreendedor, modelos baratos têm duas leituras. A boa é que o custo de montar um serviço com agentes cai, o que abre espaço para oferecer automações a clientes com uma margem melhor. A outra é que o preço também cai para os concorrentes: quando todo mundo tem acesso a modelos baratos, o diferencial deixa de ser a ferramenta e passa a ser o conhecimento do problema do cliente e a qualidade da entrega.

Cuidados antes de adotar um modelo chinês novo

Preço baixo não é o único critério. Ao usar a API de uma empresa estrangeira, os dados que você envia passam por servidores dela, e as regras de privacidade e retenção variam. Para dados de clientes, informações financeiras ou documentos sensíveis, vale ler a política de dados do fornecedor e, quando possível, evitar enviar informações pessoais. Para quem precisa cumprir a LGPD, essa checagem não é opcional.

Outro ponto é a incerteza sobre os pesos abertos. A MiniMax diz que vai liberá-los, mas não deu data na página, e a licença ainda não foi informada. Até lá, quem depende do modelo depende também da API da empresa, de seus preços e de suas regras. Preços de lançamento podem mudar, e um custo baixo hoje não garante o mesmo valor no próximo trimestre.

O que acompanhar daqui para a frente

Três pontos merecem atenção nas próximas semanas: a chegada do modelo Pro, a divulgação da licença e dos pesos, e testes independentes que confirmem a velocidade e o desempenho em agentes. Também será útil ver se ferramentas populares de programação e automação passam a oferecer o M3.1 Flash, e a que preço final para o usuário. Se a promessa de custo 70% menor em tarefas de agentes se confirmar fora dos testes da empresa, a pressão sobre os preços dos modelos de outras fabricantes tende a aumentar, algo que, no fim, beneficia quem usa IA para trabalhar.

Fonte original

MiniMax

minimax.io

Ler na fonte original
Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →