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Marvell compra a Lumentum por US$ 115 bi para ligar chips de IA com luz

A Marvell fechou a maior compra de tecnologia do ano, em ações, para levar lasers e conexões ópticas aos data centers de IA, já que o cobre chega ao limite.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Marvell compra a Lumentum por US$ 115 bi para ligar chips de IA com luz
Foto: King of Hearts (CC BY-SA 3.0) / Wikimedia Commons

A Marvell Technology, fabricante de chips personalizados para IA e de equipamentos de rede, anunciou nesta segunda-feira (2 de novembro) que vai comprar a Lumentum, especializada em lasers e componentes ópticos usados dentro de data centers. O negócio é todo em ações e avalia a Lumentum em cerca de US$ 115 bilhões, já contando a dívida. A informação foi detalhada pelo The Next Web, que cita Bloomberg e Reuters.

Pelo relato, a Bloomberg classifica o acordo como o maior de 2026 em valor de mercado das ações e o maior já feito no setor global de tecnologia, sem contar a fusão entre SpaceX e xAI. Para a Marvell, é a maior compra desde os US$ 10 bilhões pagos pela Inphi em 2021. Parece assunto de Wall Street, mas ele aponta para um gargalo que já aparece no preço e na disponibilidade da IA que você usa: não basta ter chip rápido, é preciso mover dados entre milhares deles.

O que foi anunciado

Os acionistas da Lumentum receberão 4,5 ações da Marvell por cada ação que possuem, o equivalente a cerca de US$ 1.132 por papel. Isso representa um prêmio de aproximadamente 23,9% sobre o fechamento de 28 de outubro, último pregão antes de as conversas serem noticiadas. Depois da fusão, os acionistas da Marvell ficariam com cerca de 67% da empresa combinada e os da Lumentum com 33%.

Matt Murphy continua como presidente do conselho e CEO da Marvell, e três diretores da Lumentum, incluindo o CEO Michael Hurlston, entram no conselho de sete membros. Os dois conselhos aprovaram o acordo por unanimidade, mas ainda faltam aprovação dos acionistas e dos reguladores. A previsão é de conclusão no primeiro semestre de 2028, ou seja, mais de um ano de espera.

Há uma diferença de números que vale entender. A Reuters calcula o valor das ações da Lumentum em US$ 102,54 bilhões, enquanto os US$ 115 bilhões incluem dívida. São duas medidas diferentes do mesmo negócio, e é comum ver as duas cifras circulando.

Por que luz em vez de cobre

O argumento das duas empresas é físico. À medida que os sistemas de IA crescem, as conexões de cobre que ligam chips, servidores e racks estão chegando perto do limite do que conseguem fazer. Fios de cobre perdem sinal com a distância e aquecem; o caminho é trocar parte deles por fibra e componentes ópticos, que carregam mais dados, mais longe e com menos energia por bit. Murphy chamou isso de uma "mudança arquitetônica fundamental rumo à conectividade óptica".

A Lumentum faz lasers de alto desempenho, transceptores ópticos e chaves ópticas. A Marvell projeta chips de IA sob encomenda, comutadores de rede e as ligações entre eles, e já comprava tecnologia de laser da própria Lumentum. Neste ano, a Marvell também adquiriu a Celestial AI, que desenvolve tecnologia fotônica para mover dados entre chips. As empresas dizem que a combinação mira um mercado de US$ 550 bilhões e enxerga mais de US$ 1 bilhão por ano em economia de custos, além de aumento do lucro por ação já no primeiro ano depois do fechamento.

O papel da Nvidia e a disputa com a Broadcom

Segundo a Reuters, a Nvidia investiu US$ 2 bilhões em cada uma das duas empresas ao longo deste ano, e o aporte na Marvell veio com uma parceria de IA. O texto não explica o que acontece com a fatia da Nvidia na Lumentum depois da fusão. Isso é um ponto em aberto, e vale lembrar que a Nvidia vem aparecendo como investidora em quase toda a cadeia, como mostramos em AMD vai investir US$ 1 bi na Meta e já roda racks Helios por lá.

Há também um recado competitivo. A compra pode ajudar a Marvell a enfrentar a Broadcom, principal parceira do Google em chips personalizados. Em agosto, a Marvell fechou com o Google um acordo de chips que pode chegar a US$ 120 bilhões em vendas até o ano fiscal de 2033, e o Google ganhou o direito de comprar uma fatia de US$ 12,2 bilhões na Marvell. A Lumentum, por sua vez, compete com a Coherent e com a chinesa Zhongji Innolight, e uma proposta de proibir novos transceptores ópticos chineses nos Estados Unidos poderia empurrar a demanda para fornecedores americanos como ela.

Para guardar

Quando se fala em "gargalo da IA", pense em três camadas: o chip que calcula, a memória que alimenta o chip e a conexão que leva dados de um chip a outro. Esta compra é uma aposta de que a terceira camada, hoje menos comentada, vai decidir quanto de IA cabe em um data center.

Como o mercado reagiu

Antes do anúncio, as ações da Lumentum acumulavam alta de 128% no ano, com valor de mercado de cerca de US$ 76 bilhões, e a Marvell valia US$ 172,2 bilhões. Segundo a Reuters, desde que as conversas vieram a público, a Lumentum caiu cerca de 8% e a Marvell cerca de 22%. A agência associa parte do tombo do setor de chips à previsão fraca divulgada pela Intel. Ou seja, os investidores não receberam o negócio com festa: a Marvell, que paga com as próprias ações, perdeu valor justamente por ser a compradora.

Também houve resultados operacionais. A Marvell informou que a receita do trimestre encerrado em 31 de outubro está em linha com sua projeção, e a Lumentum projetou receita de US$ 1,58 bilhão a US$ 1,63 bilhão para o segundo trimestre fiscal, acima da média das estimativas dos analistas, de US$ 1,48 bilhão.

O que ainda não está claro

O fechamento só deve ocorrer em 2028, e acordos desse tamanho costumam enfrentar análise pesada de órgãos antitruste em vários países, especialmente num momento em que o governo americano já questiona outros negócios da cadeia de chips, como o caso DOJ questiona a compra da Hugging Face pela Nvidia por US$ 12,9 bi. As economias de custo e o mercado de US$ 550 bilhões são projeções das próprias empresas, sem verificação independente. E nada garante que a troca de cobre por óptica aconteça no ritmo que elas descrevem.

Por que isso importa para você

Você não vai comprar um laser da Lumentum, mas o custo de rodar IA é decidido por esse tipo de peça. Quando mover dados entre chips fica mais barato e usa menos energia, o data center comporta mais capacidade, e isso tende a aliviar os limites de uso e a pressão sobre preços de planos e APIs, ainda que o efeito leve anos e dependa de a compra ser aprovada. Enquanto isso, a escassez continua: veja como a corrida por capacidade aparece em FuriosaAI capta US$ 620 milhões e vale US$ 2,9 bi com chip rival da Nvidia e em Amazon negocia tirar US$ 8 bilhões em chips Nvidia do próprio balanço.

  • Se você contrata IA por assinatura ou por API, não conte com queda de preço por causa desta notícia. É um movimento de longo prazo, com conclusão prevista só para 2028.
  • Se você empreende e precisa de IA estável, prefira planos e ferramentas que deixem claro o limite de uso. O guia sobre agentes de IA e o futuro do trabalho autônomo ajuda a planejar o custo de automações que gastam muitos tokens.
  • Se você investe, lembre que fusão em ações costuma derrubar o preço de quem compra, como o mercado mostrou nos últimos dias, e que as cifras mudam conforme incluam ou não a dívida.

Por fim, uma observação de método: a notícia vem de uma única reportagem do The Next Web, que reúne informações de Bloomberg e Reuters e do anúncio das empresas. Atualizaremos o texto quando houver detalhes sobre a análise regulatória e sobre o destino da participação da Nvidia.

Fonte original

The Next Web, Bloomberg, Reuters

thenextweb.com

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Perguntas frequentes

O negócio é todo em ações e avalia a Lumentum em cerca de US$ 115 bilhões com a dívida, ou cerca de US$ 102,5 bilhões só em ações, segundo a Reuters. Cada ação da Lumentum vira 4,5 da Marvell.
Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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