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Estudo: Grok indica republicanos e GPT-6.1 Sol, democratas nas urnas

Pesquisa da Convovo testou Grok 4.7 e GPT-6.1 Sol em quase 500 disputas dos EUA: o Grok escolheu o republicano em 92% das vezes e o GPT, o democrata em 97%.

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Estudo: Grok indica republicanos e GPT-6.1 Sol, democratas nas urnas
Foto: GabiMedia / Pixabay

Dois dos modelos de IA mais usados do mercado, quando obrigados a escolher um candidato, tomam lados quase opostos. É o que mostra um estudo noticiado neste sábado (24) pelo TechCrunch, feito pela Convovo, um estúdio de pesquisa e design de IA conversacional liderado por Tapan Parikh, professor da Universidade Cornell. O Grok 4.7, da SpaceXAI, recomendou o candidato republicano em 92% das respostas. O GPT-6.1 Sol, da OpenAI, apontou o democrata em 97%.

Os dois modelos concordaram em menos de 10% dos casos. O teste olhou para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026, mas a conclusão vale bem além da política americana: o que o assistente responde pode depender mais do modelo que você escolheu do que dos fatos.

Como o teste foi feito

Segundo a reportagem, os pesquisadores enviaram o mesmo comando para quase 500 disputas das eleições de meio de mandato, exigindo que o modelo escolhesse um único candidato, sem enrolar nem responder de forma neutra. O acesso foi feito pelas APIs, a porta de entrada que desenvolvedores usam para ligar os modelos a seus próprios sistemas.

Esse detalhe é central. Nos aplicativos de consumo, o ChatGPT e o app do Grok se recusaram a indicar candidato. Parikh depois conseguiu contornar a recusa com comandos simples e obteve recomendações que, em sua maior parte, bateram com o que as APIs tinham dado. A OpenAI respondeu que isso importa justamente porque a maioria das pessoas usa os aplicativos, não as APIs.

O que os números mostram

Os resultados mais marcantes, conforme o TechCrunch:

  • o Grok escolheu o republicano em 92% das respostas, e o GPT escolheu o democrata em 97%;
  • em distritos muito republicanos, o GPT indicou o democrata em 57 de 67 disputas;
  • em distritos muito democratas, o Grok indicou o republicano em 47 de 72;
  • o Grok tendeu a apoiar o democrata quando o republicano enfrentava uma polêmica, como acusações de assédio.

Ou seja, o viés não se limitou a seguir o perfil do distrito. Cada modelo manteve sua preferência mesmo em território adversário.

De onde cada modelo tirou suas respostas

Os pesquisadores também olharam as fontes citadas. O Grok recorreu com frequência a fontes conservadoras: um guia de voto cristão conservador apareceu em 39% das respostas, a Turning Point Action em 23% e a rede X em 41%, ao lado de sites apartidários como Ballotpedia e OpenSecrets. O GPT se apoiou bastante na Wikipédia, na agência AP, no Axios e no Reddit. A reportagem lembra que a OpenAI tem acordos de conteúdo com AP, Axios e Reddit.

Os temas pesquisados também diferiram. O GPT buscou mais sobre saúde e aborto. O Grok focou em imigração, impostos, crime e energia. O GPT pesquisou mais sobre candidatos democratas e, às vezes, ignorou por completo o adversário republicano.

Houve ainda um achado curioso sobre o Grok: cada requisição à API carregava cerca de 1.240 tokens de entrada extras, que os pesquisadores não escreveram e não puderam ver nem remover. Em outras palavras, há instruções ocultas no caminho, algo que o usuário comum não tem como auditar.

O teste sem internet muda o quadro

A pedido do TechCrunch, Parikh repetiu 30 disputas com a busca na internet desligada, de modo que os modelos dependessem só do que aprenderam no treinamento. O GPT escolheu o democrata em 24 casos, um republicano e recusou cinco. O Grok se recusou a escolher em 27 das 30 disputas, e as três escolhas que fez foram democratas. A inclinação republicana do Grok sumiu.

Para Parikh, isso indica que o viés do GPT está em boa parte embutido nos pesos do modelo, enquanto o do Grok depende dos termos de busca e das fontes que ele consulta. Ele afirma que os modelos têm um conjunto implícito de valores, capaz de moldar até respostas a perguntas indiretas, como quais temas importam mais numa eleição.

O que as empresas dizem

Um porta-voz da OpenAI afirmou que o ChatGPT foi projetado para ser objetivo e que o estudo usou uma API de desenvolvedor com um comando que exige recomendação, o que não reflete o uso típico. A SpaceXAI não respondeu a tempo da publicação. A reportagem acrescenta contexto: pesquisa da Pew indica que só 8% dos americanos usam chatbots para se informar sobre eleições, e o Center for AI Safety já alertou que modelos de linguagem podem manipular usuários de forma discreta em temas políticos. Elon Musk doou mais de US$ 445 milhões a campanhas republicanas, enquanto Sam Altman historicamente doou a democratas e diz que não está gastando nas eleições de 2026.

Vale registrar o limite do estudo: ele mede o que a API devolve diante de uma ordem artificial de escolher um lado. Não prova que o app, no uso normal, empurre alguém para um partido. O que ele revela é que a neutralidade depende de configuração, de busca e de instruções que o público não vê.

Por que isso importa para você

No Brasil, as discussões sobre IA e eleição já estão no calendário do TSE, como mostramos em TSE lança o ChatVote, assistente de IA para as eleições de 2026 e em as restrições ao uso de IA na reta final das eleições. O recado prático é o mesmo: não use um chatbot como único guia para decidir voto, compra ou investimento. Peça fontes, compare respostas de mais de um modelo e desconfie de respostas muito seguras sobre temas disputados.

Para quem usa IA no trabalho ou vende serviços com ela, o ponto é ainda mais direto. Se você monta um produto em cima de uma API, o modelo que escolher carrega valores próprios, e seu cliente vai herdar isso. Teste o modelo com perguntas sensíveis do seu setor antes de colocá-lo na frente de clientes. Para entender o fenômeno, leia viés em IA: o que é, exemplos e como perceber na prática e como checar se a resposta da IA está certa. E se está decidindo qual assistente adotar, o guia ChatGPT, Claude ou Gemini: qual IA escolher ajuda a comparar com critério.

Também vale conhecer os modelos citados no estudo. Contamos o lançamento do Grok 4.7 em SpaceXAI lança o Grok 4.7 pelo mesmo preço e o do GPT-6.1 Sol em OpenAI lança o Dots e o GPT-6.1 Sol. Saber qual modelo está por trás da resposta é o primeiro passo para avaliar o quanto confiar nela.

O que ainda não se sabe

Não há detalhes públicos sobre o conteúdo das instruções ocultas de cerca de 1.240 tokens que acompanham as chamadas ao Grok, e a SpaceXAI ainda não comentou. Também não se sabe se o resultado se repetiria com outros modelos, como Claude e Gemini, que não entraram no teste, nem com perguntas formuladas de outras maneiras. A Convovo testou duas empresas e uma única formulação de comando, e o próprio TechCrunch ressalta a diferença entre API e aplicativo.

Com as urnas americanas se aproximando, o estudo deve alimentar o debate sobre transparência dos modelos. Para o usuário, o ponto permanece simples: trate a resposta de uma IA sobre política como uma opinião entre várias, não como um veredito.

Fonte original

Reportagem do TechCrunch, assinada por Rebecca Bellan e publicada em 24 de outubro de 2026, com dados da Convovo. O Portal da AI não repetiu o teste.

Fonte original

TechCrunch

techcrunch.com

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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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