Grupo Boticário lança diagnóstico de pele e cabelo com IA nas lojas
Com tecnologia da estoniana Haut.AI, o Meu Botik chega a cerca de 4 mil lojas e o Siàge Hair Scan fica disponível no e-commerce da Eudora em todo o país.

O Grupo Boticário anunciou nesta terça-feira (20) o lançamento de uma tecnologia de diagnóstico por inteligência artificial e visão computacional para pele e cabelo, desenvolvida em parceria com a Haut.AI, empresa de software com sede na Estônia. Segundo a Saúde Digital News, a solução chega ao consumidor em duas frentes: uma ferramenta para as lojas físicas de O Boticário e outra para o comércio eletrônico da Eudora.
A Haut.AI recebeu aporte da GB Ventures, braço de investimento em startups do próprio grupo, o que ajuda a explicar a escolha do parceiro. É um caso útil para quem acompanha o uso de IA no varejo brasileiro, porque mostra uma grande empresa levando a tecnologia da fase de teste para a operação nacional.
Como funcionam o Meu Botik e o Siàge Hair Scan
O Meu Botik é a ferramenta de skincare de O Boticário. Ela é usada pelas consultoras de beleza no celular, dentro da loja. De acordo com a reportagem, a análise avalia mais de 150 biomarcadores faciais e devolve o resultado, junto com recomendações de produtos da linha Botik, em cerca de 80 segundos. Entre os parâmetros avaliados estão uniformidade do tom de pele, hidratação e linhas de expressão.
O Siàge Hair Scan atende a linha Siàge, da Eudora, e está integrado ao e-commerce da marca. Ele combina análise de imagem com um questionário respondido pelo consumidor e avalia seis métricas do cabelo: frizz, curvatura, densidade, volume, cor e uniformidade da cor. Ao contrário do Meu Botik, que depende de uma consultora, o Hair Scan pode ser usado pelo próprio cliente, de casa.
Onde a tecnologia estará disponível
O Meu Botik será ofertado em cerca de 4 mil lojas físicas de O Boticário em todo o país. O Siàge Hair Scan fica disponível em âmbito nacional pelo site da Eudora. A empresa apresenta o piloto como base para essa expansão: o teste foi feito em 24 lojas de São Paulo e do Rio de Janeiro e, segundo o grupo, elevou em cerca de 80% o ticket médio dos produtos de skincare. Esse número é divulgado pela própria companhia, sem auditoria independente, e a reportagem não detalha como o resultado foi medido nem por quanto tempo o piloto durou.
O que está por trás da tecnologia
A Haut.AI afirma que o sistema foi treinado com mais de 3 milhões de imagens clínicas validadas. A empresa usa uma tecnologia patenteada chamada Skin Atlas, que anonimiza as fotos e analisa características da pele, e não a identidade de quem aparece na imagem. Para quem se preocupa com privacidade, esse é o ponto mais sensível: uma foto do rosto é um dado pessoal, e a forma como ela é armazenada e descartada importa tanto quanto a precisão do diagnóstico. A reportagem não traz detalhes sobre retenção de imagens nem sobre o consentimento exigido do cliente.
Os produtos indicados pela ferramenta recebem o selo do Pacto Skincare Responsável, iniciativa do grupo sobre o uso adequado de cosméticos. Também vale notar que, por vender os próprios produtos, a marca tem interesse comercial nas recomendações. Isso não invalida o diagnóstico, mas é um bom motivo para tratar o resultado como orientação de compra, e não como avaliação dermatológica.
O braço de inovação do grupo
O anúncio foi acompanhado de números da GB Ventures: o fundo de investimento em startups (CVC) tem R$ 100 milhões, e o programa de aceleração já passou por 57 startups desde 2021. O grupo informou ainda a renovação da parceria com o Cubo Itaú e uma aliança estratégica com o MIT, com acesso à base de pesquisa da universidade e ao Startup Exchange, que reúne mais de mil empresas de tecnologias profundas. A empresa se define como uma "lovetech", que combina tecnologia com toque humano no relacionamento com clientes.
O contexto de mercado ajuda a entender a aposta. A reportagem cita estimativas da Euromonitor de crescimento de 7% para skincare e de 9,6% para cuidados com o cabelo em 2026, o que torna a personalização um diferencial competitivo em categorias que crescem.
Por que isso importa para você
Mesmo que você não trabalhe com beleza, o caso mostra um padrão que se repete: a IA entra no varejo como ferramenta de venda consultiva, ajudando o atendente a recomendar o produto certo em vez de substituí-lo. O Meu Botik é usado pela consultora, e a decisão final continua sendo conversa entre duas pessoas. Essa é uma lição prática para quem tem uma loja ou presta serviço, como explica o guia como usar IA para vender mais no seu negócio local.
Para quem tem um negócio pequeno, a escala do Grupo Boticário não é o ponto. O que se aproveita é a ideia: coletar poucas informações do cliente, cruzar com o seu catálogo e sugerir o que faz sentido. Um questionário simples combinado com um assistente de IA já faz um papel parecido. O artigo como usar IA para planejar o marketing de uma pequena empresa e o texto sobre como times pequenos competem com grandes empresas usando IA ajudam a transformar a ideia em rotina.
Há ainda uma oportunidade de renda para quem presta serviço: lojas e clínicas de médio porte costumam não ter equipe para implantar esse tipo de recurso. Quem entende de atendimento e de ferramentas pode ajudar a configurar fluxos de recomendação, questionários e respostas automáticas. A leitura sobre como a IA está mudando o atendimento ao cliente mostra por onde começar.
Se você pretende pedir foto ou dados do cliente no seu negócio, explique para que servem, peça autorização e apague o que não precisar guardar. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trata imagens do rosto como dado pessoal, e a confiança do cliente vale mais do que qualquer recurso novo.
O que acompanhar daqui para a frente
Os próximos passos a observar são a ampliação do piloto para as milhares de lojas, o resultado real sobre vendas e devoluções, e a forma como o grupo vai comunicar o uso de imagens do rosto e do cabelo dos clientes. Também será interessante ver se concorrentes do setor de beleza respondem com ferramentas parecidas, já que a tecnologia de análise de imagem é oferecida por fornecedores que atendem várias marcas.
Por ora, o que está confirmado é o lançamento das duas ferramentas, a parceria com a Haut.AI, a abrangência anunciada e os números do piloto informados pela empresa. O ganho de 80% no ticket médio é um dado promissor, mas ainda é uma afirmação da própria marca, e vale esperar mais informações antes de tomá-lo como regra para outros negócios.
Para o consumidor, a novidade é prática: dá para ter uma leitura rápida da pele na loja ou do cabelo em casa, com recomendações alinhadas ao catálogo da marca. Para o mercado, é mais um sinal de que a IA deixou de ser promessa e virou parte do atendimento diário, inclusive em categorias tradicionais do varejo brasileiro.
Fonte original
Saúde Digital News
saudedigitalnews.com.br

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.