DeepSeek levanta cerca de US$ 15 bilhões dias após veto dos EUA
A Bloomberg informa que a DeepSeek fechou uma rodada de cerca de US$ 15 bilhões, dois dias depois de os EUA mandarem agências federais retirarem a IA chinesa de seus sistemas.

A DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial sediada em Hangzhou, levantou cerca de US$ 15 bilhões (aproximadamente 100 bilhões de yuans) numa nova rodada de financiamento, segundo reportagem da Bloomberg repercutida pelo TechCrunch nesta quinta-feira (22). O valor colocaria a captação entre as maiores já feitas por uma empresa chinesa de tecnologia. A DeepSeek não respondeu de imediato ao pedido de comentário do veículo e, até aqui, não há anúncio oficial da companhia.
O momento chama atenção. A rodada foi noticiada dois dias depois de o governo americano ordenar que agências federais civis removam a tecnologia da DeepSeek de seus sistemas por motivos de segurança, decisão que detalhamos em DHS proíbe a DeepSeek em órgãos federais civis dos EUA. Ou seja, a restrição em Washington não impediu que investidores seguissem apostando na empresa.
O que a reportagem diz sobre a rodada
De acordo com a cobertura, entre os possíveis investidores estão a fabricante de baterias CATL e a gigante de tecnologia Tencent, entre outros. Os dois nomes já apareciam nas reportagens anteriores sobre a negociação, que contamos em DeepSeek vai captar ao menos US$ 12 bi com Tencent e CATL antes do IPO. Na época, o fechamento ainda era uma expectativa; agora, a Bloomberg fala em dinheiro levantado.
O histórico recente de captações ajuda a entender o salto. Em junho, a DeepSeek teria levantado mais de US$ 7 bilhões com avaliação de US$ 50 bilhões. Em julho, segundo relatos, buscou mais US$ 1,5 bilhão com avaliação de cerca de US$ 71 bilhões, e a empresa já considerou uma abertura de capital na China a partir do próximo ano. Em poucos meses, portanto, a startup passou de uma única rodada grande para uma sequência de aportes sucessivos.
Para que servirá o dinheiro
Segundo a reportagem, a empresa amplia os gastos com infraestrutura de IA e com modelos abertos, voltados tanto ao mercado chinês quanto ao internacional. Isso inclui a busca por independência de chips da Nvidia, tema que já tinha aparecido quando a DeepSeek abriu o código de ferramentas para chips de IA da Huawei. Treinar e servir modelos em hardware alternativo exige capital pesado, e uma rodada dessa escala dá fôlego para isso.
No produto, a DeepSeek vem acelerando. O V4.1 Flash manteve o V4 Pro em linha, a empresa abriu APIs de busca e leitura de páginas cobradas por consulta e já reportou receita anualizada de US$ 1 bilhão depois de reajustar os preços da API. Com mais caixa, a tendência é de mais lançamentos e de pressão sobre o preço dos concorrentes ocidentais.
O mapa dos rivais chineses
A reportagem coloca a rodada no contexto do setor. A Moonshot AI levantou US$ 2 bilhões com avaliação de US$ 20 bilhões em maio, e a Manus AI captou mais de US$ 500 milhões no início deste mês. Já a Zhipu AI e a MiniMax, que abriram capital em Hong Kong em janeiro, valem em bolsa cerca de US$ 29 bilhões e US$ 7,2 bilhões, respectivamente. A DeepSeek, fundada em 2023 por Liang Wenfeng, também cofundador do fundo quantitativo High-Flyer, segue como a mais capitalizada do grupo. Liang teria, segundo análise da WireScreen citada pelo TechCrunch, participação estimada de 81,6% na operação chinesa.
| Empresa | Captação ou valor de mercado reportado |
|---|---|
| DeepSeek | Cerca de US$ 15 bilhões em nova rodada (Bloomberg) |
| DeepSeek (junho) | Mais de US$ 7 bilhões, avaliação de US$ 50 bilhões |
| Moonshot AI (maio) | US$ 2 bilhões, avaliação de US$ 20 bilhões |
| Manus AI (outubro) | Mais de US$ 500 milhões |
| Zhipu AI e MiniMax | Valor de mercado de cerca de US$ 29 bi e US$ 7,2 bi em Hong Kong |
Os números vêm da Bloomberg e do TechCrunch, que atribui a informação à agência. A DeepSeek não confirmou valor, investidores nem avaliação, e a lista de aportantes é descrita como possível.
Por que isso importa para você
Para quem usa IA para trabalhar ou empreender no Brasil, a notícia tem consequências práticas. A primeira é o preço: uma DeepSeek capitalizada tende a manter modelos abertos e APIs baratas, o que obriga OpenAI, Anthropic e Google a segurar tarifas. Quem monta automações, atendimento ou agentes pode se beneficiar dessa guerra de preços.
A segunda é o risco regulatório. Se os Estados Unidos restringem o uso em órgãos federais, empresas brasileiras que vendem para clientes americanos ou que tratam dados pessoais sob a LGPD devem avaliar com cuidado onde os dados passam. Usar o modelo aberto em servidor próprio ou em nuvem de confiança costuma ser mais seguro do que enviar informações à API hospedada na China.
A terceira é a escolha de ferramenta: não vale depender de um único fornecedor. Manter o fluxo de trabalho portátil entre modelos, com prompts e integrações que funcionem em mais de um provedor, protege seu negócio de mudanças de preço, de política ou de disponibilidade. Para começar sem gastar muito, veja nossos guias de IA para iniciantes.
O que observar nas próximas semanas
- Se a DeepSeek confirma oficialmente o valor da rodada e quem são os investidores.
- Se o pedido de abertura de capital na China é protocolado, como a empresa já cogitou.
- Se o dinheiro se traduz em um novo modelo de ponta com preço de API abaixo dos rivais ocidentais.
- Se outras agências e governos além dos EUA seguem o veto à tecnologia da empresa.
O resumo acima se baseia na reportagem do TechCrunch, que por sua vez cita a Bloomberg. Atualizaremos esta página se a empresa se manifestar.
Fonte original
TechCrunch
techcrunch.com

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.