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Cognizant põe 25 mil funcionários para implantar Codex e ChatGPT

A consultoria cria o OpenAI Frontier Capability Group, com mais de 25 mil pessoas, 11 dias depois de escalar 18 mil no Gemini. A aposta: faltam gente, não modelos.

Foto de Bruno DanelloBruno Danellovia Portal da AI
Cognizant põe 25 mil funcionários para implantar Codex e ChatGPT
Foto: Euphoriagame (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

A Cognizant, uma das maiores consultorias de tecnologia do mundo, anunciou nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, a criação do "OpenAI Frontier Capability Group", um grupo com mais de 25 mil funcionários dedicado a levar o Codex e o ChatGPT para dentro das empresas clientes. A informação é do The Next Web, que se baseou no comunicado de imprensa distribuído pela própria Cognizant.

O anúncio chama atenção pelo tamanho e pelo momento. Cerca de 11 dias antes, a mesma empresa tinha colocado 18 mil funcionários para trabalhar com o Gemini, do Google. Em vez de escolher um único fornecedor de modelos, a Cognizant monta times grandes para vários deles ao mesmo tempo, e vende o conhecimento de implantação, não o modelo em si.

O que a Cognizant anunciou

Segundo o comunicado, o grupo começa com três frentes. A primeira é o desenvolvimento de software com o Codex, o agente de programação da OpenAI. A segunda é a migração de sistemas antigos, os chamados mainframes, para a nuvem. A terceira é o uso de agentes de IA em vendas e atendimento ao cliente, áreas em que muitas empresas já testam automações, mas poucas conseguem colocar em produção com segurança.

A tese da empresa é direta: o que limita as companhias não é o acesso aos modelos, e sim a falta de profissionais capazes de construir soluções com IA dentro dos sistemas que elas já têm. Em vez de contratar gente nova, a Cognizant realoca e treina quem já está em casa. De acordo com o comunicado, mais de 21 mil funcionários já receberam mais de 40 mil certificados de treinamento da OpenAI, o que dá uma ideia da escala do esforço de capacitação.

O CEO, Ravi Kumar S, resumiu a mudança dizendo que a empresa está comprometendo mais de 25 mil pessoas para levar essa transformação para dentro dos negócios dos clientes. Como caso de uso, a Cognizant citou um assistente de IA criado para uma farmacêutica global, que já processou mais de 5 milhões de conversas e, segundo a empresa, reduziu em 60% o tempo de criação de conteúdo. É um número informado pela própria consultoria, sem verificação independente.

A corrida das consultorias pela OpenAI

O movimento não surgiu do nada. Em abril, a OpenAI já tinha recrutado a Cognizant e a CGI para levar o Codex a grandes empresas. Em maio, lançou seu próprio braço de implantação empresarial, e em julho comprou a Northslope. A leitura do The Next Web é que a OpenAI faz a mesma aposta da Cognizant: a de que o gargalo está em gente qualificada para implantar a tecnologia, e não em modelos melhores.

Essa lógica ajuda a explicar por que laboratórios de IA e consultorias se aproximam tanto. Os laboratórios vendem a capacidade do modelo, mas quem entra na sala do cliente, entende o sistema legado e ajusta o processo são as integradoras. Para a OpenAI, ter 25 mil pessoas treinadas em uma consultoria global é uma forma de multiplicar a presença em empresas que ela não alcançaria sozinha. Para a Cognizant, é uma forma de manter a receita de serviços em um momento em que a IA ameaça parte do trabalho de programação que ela própria vendia.

O contexto de infraestrutura também conta. A demanda por agentes em escala exige computação, e a OpenAI vem fechando acordos de chips e nuvem para sustentar isso. Para acompanhar esse lado da história, leia Oracle vai oferecer na nuvem os computadores de IA da Cerebras em 2027.

Mainframes e agentes: o que está em jogo

A migração de mainframes é um dos trabalhos mais caros e lentos da tecnologia corporativa. Bancos, seguradoras e governos ainda rodam sistemas escritos há décadas, em linguagens como COBOL, e poucas pessoas dominam esse código. Usar um agente de programação para ler, documentar e reescrever esses sistemas é uma das promessas mais citadas do Codex, e é um terreno em que uma consultoria com acesso a clientes grandes tem vantagem.

Já os agentes de vendas e atendimento são a porta de entrada mais comum para empresas de qualquer porte. A diferença, nas grandes companhias, é a integração: um agente só resolve o problema do cliente se enxergar o estoque, o histórico de pedidos e as regras de cobrança. É esse trabalho de encaixe que a Cognizant quer vender. Um exemplo de como o mercado está formando esse tipo de serviço aparece em Serval vale US$ 3 bi com agentes de IA que substituem o ServiceNow.

Limites e pontos de atenção

O anúncio é uma declaração de intenção de uma empresa que vende serviços, e os números de treinamento e de ganho de produtividade vêm dela mesma. Um certificado de treinamento não equivale a experiência em projetos reais, e a reportagem não traz dados de receita, de contratos fechados ou de quantos dos 25 mil já estão alocados em clientes. Também não há informação sobre operação específica no Brasil.

Vale notar ainda que existe uma sobreposição evidente entre os dois grupos da Cognizant, o do Gemini e o da OpenAI. Na prática, é provável que muitos profissionais atuem nos dois, escolhendo o modelo conforme o cliente e a tarefa. Isso reforça a ideia de que, para as consultorias, o modelo é cada vez mais uma peça intercambiável.

Por que isso importa para você

Se você trabalha com tecnologia, o recado é claro: a demanda está migrando de quem programa do zero para quem sabe aplicar agentes em processos reais, revisar o que eles produzem e integrar com sistemas existentes. Dominar ferramentas como o Codex e entender os limites dos agentes vale mais, hoje, do que saber só escrever código. Para entender a base, veja agente de IA, chatbot ou automação: qual a diferença.

Se você é freelancer ou tem um pequeno negócio, a lição é a mesma em escala menor: a consultoria gigante vende implantação para empresas grandes, e há um espaço enorme de empresas locais que precisam de alguém que faça o mesmo trabalho em tamanho reduzido. Veja como vender pacotes de automação de IA para negócios locais e o panorama de agentes de IA e o futuro do trabalho autônomo.

Para quem acompanha a disputa entre os laboratórios, o movimento também mostra que a briga comercial se decide menos no ranking de modelos e mais em quem tem gente nas empresas. A atualização mais recente da OpenAI nesse terreno está em OpenAI lança o GPT-6.1 Terra, que opera o computador.

A notícia veio de fonte única, o The Next Web, que cita o comunicado de imprensa da Cognizant. O texto é nosso, com análise própria, e os números são os informados pela empresa e pela reportagem.

Fonte original

The Next Web, Cognizant

thenextweb.com

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Foto de Bruno Danello

Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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