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Anthropic expande o Cyber Verification Program para achar falhas com IA

O Cyber Verification Program junta dois programas anteriores e já encontrou mais de 134 mil vulnerabilidades, 33 mil delas críticas ou graves, liberando capacidades de ataque normalmente bloqueadas para equipes qualificadas de defesa.

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Anthropic expande o Cyber Verification Program para achar falhas com IA
Foto: blickpixel / Pixabay

A Anthropic anunciou nesta terça-feira (6 de outubro) a expansão do Cyber Verification Program (CVP), um programa que libera capacidades avançadas de segurança do Claude, normalmente bloqueadas por padrão, para profissionais qualificados de cibersegurança. Segundo o anúncio oficial da empresa, a novidade consolida dois programas que rodavam separados até agora, o Project Glasswing e a versão original do CVP, em uma única oferta com três níveis de acesso.

A mudança nasce de um problema conhecido como "dual-use": uma ferramenta de IA capaz de encontrar uma falha crítica em um servidor para ajudar quem defende esse servidor é, na prática, a mesma ferramenta capaz de explorar essa falha para quem ataca. Por isso, os modelos de uso geral da própria Anthropic, como o Claude Opus 5.5 e o Claude Sonnet 5.5, trazem bloqueios conservadores contra esse tipo de capacidade. O CVP existe para abrir uma exceção verificada, com identidade confirmada e escopo de uso definido, em vez de deixar essa capacidade de todo fechada ou de todo aberta.

Três níveis de acesso, do SOC ao pentest em infraestrutura crítica

O programa expandido divide o acesso em três camadas. O "Defense Access" é voltado a trabalho defensivo, como operação de centro de segurança (SOC), resposta a incidentes e engenharia reversa de malware, com promessa de resposta em poucos dias. O "Red Team Access" libera testes de invasão autorizados (pentest), com revisão que leva semanas e é restrita a organizações, nunca a pesquisadores individuais agindo por conta própria. Já o "Specialized Access" é o nível mais restrito, reservado a testes em sistemas de infraestrutura crítica, como aviação, energia e telecomunicações, feito em colaboração direta com o governo dos Estados Unidos.

Os números acumulados pelos dois programas que deram origem ao CVP expandido mostram a escala do que já foi encontrado. Só o Project Glasswing, entre abril e julho de 2026, identificou 129 mil vulnerabilidades verificadas. A Anthropic soma a isso mais 5.500 falhas adicionais achadas entre abril e outubro deste ano, totalizando mais de 134 mil vulnerabilidades, das quais mais de 33 mil classificadas como críticas ou de alta severidade. Booz Allen e Comcast aparecem entre os parceiros citados pela empresa no uso do programa.

O momento não é isolado. Há poucos dias, cobrimos como a própria Anthropic teve um de seus modelos restritos ao Glasswing, o Mythos, usado para achar uma falha crítica no software Rejetto HFS que hackers exploraram em menos de 24 horas depois de tornada pública. Em setembro, a empresa também havia publicado um relatório detalhando casos de uso malicioso do Claude, incluindo campanhas de espionagem estatal. A expansão do CVP é, em parte, uma resposta a esse padrão: dar a quem defende acesso à mesma capacidade mais rápido do que quem ataca consegue abusar dela.

Por que isso importa para você

Para quem lidera segurança da informação em uma empresa brasileira, pequena ou grande, o CVP é um sinal de para onde o mercado de ferramentas de defesa está indo: acesso a capacidades de IA mais potentes, porém verificado e sob termos de uso restritos, em vez de simplesmente liberado a qualquer assinante pagante. Isso tem um efeito direto: equipes de segurança que hoje dependem de ferramentas tradicionais de varredura de vulnerabilidades (scanners) passam a competir, em algum grau, com empresas de defesa que já têm acesso a modelos de IA treinados especificamente para achar falhas antes do ataque acontecer.

Também existe uma lição prática para quem contrata ferramentas de IA para qualquer tarefa sensível, não só segurança: o fato de a própria Anthropic bloquear por padrão essas capacidades em seus modelos de uso geral, e só liberá-las sob verificação de identidade e escopo restrito, mostra como fornecedores sérios de IA já tratam certas capacidades como perigosas o suficiente para exigir controle de acesso. Isso reforça o que já recomendamos neste checklist de segurança para escolher ferramenta de IA: perguntar sempre que capacidade exatamente uma ferramenta de IA tem acesso, e desconfiar de qualquer produto que prometa recursos avançados sem nenhum tipo de verificação ou controle.

Um mercado de IA ofensiva e defensiva que cresce dos dois lados

A expansão do CVP acontece num momento em que o mercado de cibersegurança baseada em IA cresce tanto do lado defensivo quanto do ofensivo. Cobrimos recentemente como a startup Armadin, fundada pelo criador da Mandiant, captou US$ 255 milhões para treinar enxames de agentes de IA que tentam invadir redes de empresas de propósito, num modelo de teste de penetração totalmente automatizado. A diferença central entre esse tipo de produto comercial e o CVP da Anthropic é o controle de acesso: a Armadin vende um serviço de ataque simulado contratado diretamente pela empresa-alvo, enquanto o CVP concede acesso a uma capacidade do próprio modelo de linguagem, sob verificação da Anthropic, para quem já atua profissionalmente na área.

Esse crescimento duplo, de ferramentas de ataque simulado e de modelos com capacidades liberadas sob controle, tende a elevar o padrão mínimo esperado de uma equipe de segurança madura. Empresas que ainda dependem só de revisão manual de código e varredura tradicional correm o risco de ficar atrás de atacantes que, mesmo sem acesso a programas como o CVP, já usam modelos de IA de uso geral para automatizar partes do processo de descoberta de falhas, como mostrou o próprio relatório de ameaças da Anthropic em setembro.

O que observar nos próximos meses

Vale acompanhar três pontos a partir de agora. O primeiro é se outras empresas de IA de fronteira, como OpenAI e Google, vão lançar programas equivalentes ao CVP, com acesso verificado a capacidades hoje bloqueadas em seus próprios modelos, ou se vão preferir manter esse tipo de capacidade inteiramente restrita. O segundo é se o número de vulnerabilidades críticas encontradas via CVP continua subindo no próximo trimestre, o que indicaria que o programa está, de fato, achando falhas que passariam despercebidas por ferramentas tradicionais. O terceiro é se o nível "Specialized Access", voltado a infraestrutura crítica em parceria com o governo americano, se expande para outros países, o que poderia abrir caminho para que órgãos de infraestrutura crítica brasileiros, como os que cuidam de energia e telecomunicações, também busquem esse tipo de verificação.

Fonte original

Anthropic

anthropic.com

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Perguntas frequentes

É um programa que libera capacidades avançadas de segurança do Claude, bloqueadas por padrão nos modelos de uso geral, para profissionais qualificados de cibersegurança, dividido em três níveis: Defense Access (trabalho defensivo), Red Team Access (testes de invasão autorizados) e Specialized Access (infraestrutura crítica, com o governo dos EUA).
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Quem escreveu

Bruno Danello

Editor e fundador do Portal da AI

Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.

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