Markup ou margem: qual usar para formar preço no pequeno negócio
Markup ou margem? Entenda a diferença, veja a fórmula do Sebrae com um exemplo em reais e aprenda a usar a IA para conferir o preço antes de dar desconto.

Em 3 pontos
- 01Markup é o número que você multiplica pelo custo para chegar ao preço, e margem é a parte do preço que sobra como lucro: são coisas diferentes e confundir as duas é causa comum de prejuízo.
- 02A fórmula usada pelo Sebrae divide 100 por 100 menos a soma das despesas variáveis, das despesas fixas e do lucro desejado, e o resultado multiplica o custo do produto.
- 03Um desconto de 10% pode reduzir o lucro por unidade em muito mais que 10%, então calcule o preço mínimo antes de promover e use a IA só para conferir as contas.
Neste artigo
Markup é o fator que você multiplica pelo custo do produto para chegar ao preço de venda, e margem é o percentual do preço que fica como lucro. Para formar preço no pequeno negócio, use o markup como ferramenta de cálculo, mas sempre confira qual margem real ele entrega depois das despesas.
A confusão entre os dois termos faz muita gente vender com prejuízo sem perceber: aplica 30% sobre o custo, acha que ficou com 30% de lucro e esquece taxas, impostos e despesas fixas. Este guia mostra a diferença, a fórmula, um exemplo completo em reais e como a IA ajuda a conferir as contas, sem substituir o contador.
O que é markup e o que é margem
O artigo do Sebrae RN sobre markup, consultado em 22/10/2026, define markup como a diferença entre o preço de venda e o custo, expressa como percentual do custo. Já a margem de lucro é a parte do preço de venda que sobra como lucro depois de pagar custos e despesas. A base de cálculo muda: o markup olha para o custo, a margem olha para o preço.
Um exemplo simples mostra o tamanho da diferença. Um produto que custa R$ 50 e é vendido a R$ 100 tem markup de 100% (dobrou sobre o custo), mas a margem bruta é de 50% (metade do preço). Se você pensa "quero 50% de lucro" e aplica 50% de markup, chega a R$ 75, e a margem bruta é só de 33%. Por isso o primeiro passo é saber de qual número está falando.
A fórmula do Sebrae para o fator de marcação
O mesmo artigo apresenta a fórmula do fator multiplicador: 100 dividido por [100 menos (DV + DF + ML)], onde DV são as despesas variáveis, DF são as despesas fixas e ML é a margem de lucro desejada, todas em percentual do preço. O resultado multiplica o custo do produto e dá o preço de venda.
O exemplo do Sebrae usa um serviço de pet shop com custo de R$ 60, despesas fixas de 12%, variáveis de 15% e margem desejada de 18%. A conta é 100 / (100 - 45) = 1,82, e 1,82 vezes R$ 60 dá cerca de R$ 109,20. Para entender a lógica de custos, margem de contribuição e preço mínimo, o guia prático de precificação do Sebrae é uma leitura complementar. O guia sobre como precificar produtos e serviços com IA traz o passo anterior, o levantamento de custos.
Exemplo: caneca personalizada com custo de R$ 18
Uma loja de canecas personalizadas paga R$ 18 pelo produto pronto, com arte e embalagem. Ela estima que 12% do preço vão para taxas de plataforma e imposto (despesas variáveis), 15% para despesas fixas rateadas (aluguel do ateliê, internet, ferramentas) e quer 20% de lucro. Os percentuais são hipotéticos, para ilustrar a conta.
| Item | Percentual do preço | Valor em R$ |
|---|---|---|
| Custo do produto | 47% | 18,00 |
| Despesas variáveis | 12% | 4,08 |
| Despesas fixas | 15% | 5,09 |
| Lucro desejado | 20% | 6,79 |
| Preço de venda | 100% | 33,96 |
O fator é 100 / (100 - 47) = 1,887, e 1,887 vezes R$ 18 dá R$ 33,96. O markup percentual é de cerca de 89% sobre o custo, embora a margem de lucro seja de 20% sobre o preço. Quem olhasse só para o "89%" poderia achar o número alto demais e cortar o preço, quando ele só reflete que o custo é menos da metade do preço.
O erro clássico: aplicar a margem como se fosse markup
Se a dona da loja pensasse "quero 20% de lucro" e fizesse R$ 18 vezes 1,20, chegaria a R$ 21,60. Parece razoável, mas dessa quantia saem as taxas variáveis (12%, ou R$ 2,59), sobrando R$ 1,01, e as despesas fixas rateadas (cerca de R$ 3,24 nesse preço) transformam o resultado em prejuízo de aproximadamente R$ 2,23 por caneca. A venda existe, o dinheiro entra, mas o negócio perde a cada unidade.
Esse tipo de erro aparece quando se confunde "percentual em cima do custo" com "percentual do preço". O texto sobre o ponto de equilíbrio com IA mostra quantas unidades você precisa vender para cobrir as despesas fixas, e o guia de fluxo de caixa mostra por que lucro no papel não é dinheiro no banco.
O que acontece com o lucro quando você dá desconto
No exemplo, o preço cheio é R$ 33,96 e o lucro por caneca é R$ 6,79. Com 10% de desconto, o preço cai para cerca de R$ 30,56. As taxas variáveis, proporcionais ao preço, caem para R$ 3,67, o custo continua R$ 18 e o rateio fixo continua R$ 5,09. Sobram cerca de R$ 3,80 de lucro, uma queda de 44% para um desconto de 10%.
Isso quer dizer que, para manter o lucro total, você precisaria vender bem mais unidades, e nem sempre o desconto traz esse volume. Antes de qualquer promoção, defina um preço mínimo: o menor valor em que a venda ainda cobre custo e despesas variáveis e dá alguma contribuição. A leitura sobre desconto sem prejuízo na Black Friday aplica essa lógica a um caso concreto.
Como a IA ajuda a conferir o preço
A IA é útil para organizar a conta, montar a planilha e testar cenários, mas não conhece suas despesas reais. Informe os números e peça a memória de cálculo, para você conferir cada passo. O guia de IA para planilhas ajuda a transformar o resultado numa tabela reutilizável.
Sou dono de uma loja de canecas personalizadas. Custo do produto: R$ 18. Despesas variáveis: 12% do preço. Despesas fixas: 15% do preço. Lucro desejado: 20% do preço. Calcule o fator de marcação com a fórmula 100 / (100 - (DV + DF + ML)), o preço de venda, o markup percentual sobre o custo e o lucro em reais por unidade. Depois simule descontos de 5%, 10% e 15% e diga o lucro por unidade em cada caso. Mostre todas as contas passo a passo.
Confira ao menos um resultado na calculadora e peça que a IA mostre a conta quando algo parecer estranho. Se os números ficarem muito diferentes do esperado, geralmente o problema é uma despesa esquecida na entrada.
Quando markup é suficiente e quando olhar a margem de contribuição
Para quem vende poucos produtos parecidos, um fator de marcação único já ajuda a ter rapidez. Com muitos itens de custos diferentes, canais distintos (loja própria, marketplace, venda direta) e taxas variadas, calcule a margem de contribuição por canal, como no guia sobre vender na Shopee com IA. A taxa muda de canal para canal, e portanto o preço mínimo também muda.
Em produtos digitais, onde o custo unitário é quase zero, o raciocínio muda para as taxas da plataforma, e o texto sobre quanto sobra na Hotmart depois das taxas mostra um caso. Para vender em loja própria, o comparativo de planos da Nuvemshop mostra como as taxas entram na conta. Se você é MEI, acompanhe também o limite de faturamento, porque vender mais não pode estourar o enquadramento.
Erros comuns na formação de preço
- Confundir markup com margem e achar que 30% sobre o custo é 30% de lucro.
- Esquecer taxas de plataforma, frete grátis, embalagem e imposto nas despesas variáveis.
- Ratear despesas fixas de forma irreal, sem olhar quantas unidades você vende por mês.
- Copiar o preço do concorrente sem saber o custo dele (nem o seu).
- Dar desconto sem calcular o efeito no lucro por unidade.
- Nunca revisar a conta quando o fornecedor reajusta o custo.
Revise o preço sempre que o custo do fornecedor ou as taxas da plataforma mudarem. Marque uma data fixa no calendário, como o primeiro dia útil do mês.
Próximo passo
Pegue os cinco produtos que mais vendem, levante custo e percentuais de despesa e calcule o fator de marcação de cada um. Compare o preço atual com o calculado e veja onde há diferença. Se encontrar produto com prejuízo, ajuste o preço ou reduza o custo antes de pensar em promoção. Para projetar o mês, veja o guia de previsão de vendas com IA. Para reduzir custos, veja o guia de custos operacionais com IA, e acompanhe mais conteúdo na categoria de negócios.

Quem escreveu
Bruno Danello
Editor e fundador do Portal da AI
Bruno Danello é o criador do Portal da AI e do projeto Vocação de Pai. Escreve todos os dias sobre como pessoas comuns podem entender, usar e ganhar dinheiro com inteligência artificial, sem jargão técnico e com exemplos reais.


